segunda-feira, 31 de julho de 2006

Unidade de Religião

Dado o facto de o Alcorão explicar que os seguidores das diferentes religiões que antecederam a revelação Corânica professavam o Islão e eram Muçulmanos e considerando o verso que diz: “A religião para Deus é o Islão.” – (Sura “a Família de Imrán” III, v.19). Torna-se evidente que o Alcorão considera as Religiões reveladas como sendo uma só, apesar dos diferentes nomes dos Seus Fundadores e Livros terem florescido em épocas diferentes.

A confirmação surge na Sura “As Mulheres” (IV, v.150-152): “Os que não crêem em Deus nem nos Seus Enviados desejam estabelecer uma distinção entre Deus e os Seus Enviados. Dizem: “Cremos e não cremos nos outros.” Desejam tomar entre aqueles um caminho intermédio. Estes são verdadeiramente os infiéis um tormento desprezível.

Aos que crêem em Deus e nos Seus Enviados e não estabelecem diferenças entre um deles e os restantes, a esses lhes daremos recompensas. Deus é indulgente misericordioso.


Permitimo-nos chamar a atenção para este último parágrafo, em que uma análise imparcial nos fará crer que a génese do Islão é conducente a uma sã convivência entre os seguidores das diferentes Religiões.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Islão um termo específico e geral (2.ª parte)


Recordai-vos de quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces do Templo dizendo: “Senhor nosso! Aceita-nos isto. Tu tudo ouves, és o Omnisciente.”
Senhor nosso! Faz-nos submissos perante Ti, e da nossa descendência fez uma nação a Ti submissa. Ensina-nos as práticas rituais. Perdoa-nos. Tu és o Deus de Perdão, o Misericordioso.
” - Sura A Vaca (II, v. 127-128)

“Quem contradirá a doutrina de Abraão, senão quem é insensato? Escolhemos Abraão nesta vida, e ele estará entre os justos no outro mundo.
Recordai-vos de, quando lhe disse o seu senhor: “Submete-te”, respondeu: “Submeto-me ao Senhor dos Mundos.”
Abraão legou a sua submissão a seus filhos, e Jacob, aos seus, disse: “Meus filhos! Deus vos escolheu a religião; cumpri-a para que possais morrer submissos.” - Sura “A Vaca”
(II, v. 130-132)

“Fostes testemunhas de que quando se apresentou a morte a Jacob este perguntou aos seus filhos: “Que adorareis depois da minha morte?” Responderam: “Adoraremos o teu Deus, o Deus de teus pais, Abraão, Ismael e Isaac, um Deus único, e a Ele ficaremos submetidos.” - Sura A Vaca (II, v. 133)

Responderam: Realmente, nós voltaremos ao nosso Senhor.
Não tiras vingança de nós a não ser porque cremos nos prodígios do nosso Senhor quando nos chegam. Senhor nosso! Derrama em nós paciência e faz-nos morrer submetidos à tua vontade!”
- Sura O Muro (VII, v. 125-126)

Recordai-vos de quando inspirei os Apóstolos, dizendo: “Crede em Mim e no Meu Enviado.” Responderam: “Cremos: testemunha que estamos submetidos à vontade de Deus.” - Sura A Mesa (V, v. 111)

Nestes casos o tradutor optou por citações relacionadas com a palavra submissão e não “muçulmano”. Em outras traduções surge a palavra muçulmano, significando que Noé, Abraão, Ismael, Jacob, Moisés, Jesus e Seus discípulos são muçulmanos, apesar de terem vivido antes da Revelação Maometana. De facto há um excerto que demonstra claramente que a terminologia “muçulmano” significa os crentes de qualquer Manifestação Divina durante a Sua Dispensação.

Aqueles a quem demos o Livro antes deste Alcorão crêem nele. E quando se lho recitam, exclamam: “Cremos nele. É a verdade proveniente do Nosso Senhor! Nós éramos submissos antes da sua chegada!" - Sura “O Relato” (XXVIII, v.52-53).

Aqueles a quem foi dado o Livro antes do Advento de Maomé eram “submissos” [muçulmanos], incluindo os Cristãos e os Judeus, que no Alcorão são referenciados como “O Povo do Livro”. Nos versículos citados, Noé, Abraão, Ismael, Jacob, Moisés, Jesus e Seus discípulos são considerados como tal. Além disso, no seguinte versículo Deus confirma as orações de Abraão e identifica os seus seguidores das épocas passadas como sendo muçulmanos:

Ó vós que credes! Inclinai-vos! Prostrai-vos! Adorai o vosso Senhor! Fazei o bem! Talvez sejais bem-aventurados.
Combatei por Deus como se Lhe deve! Ele vos escolheu. Não vos pôs dificuldade na religião, a doutrina do vosso pai Abraão. Ele chamou-vos muçulmanos antes e neste Alcorão para que O Enviado seja testemunha de vós e vós sejais testemunhas dos homens. Cumpri a oração! Dai esmolas! Acolhei-vos a Deus! Ele é o vosso Senhor! É o melhor Senhor! É o melhor defensor!”
– Sura “A Peregrinação” (XXII, v. 77-78)

quinta-feira, 27 de julho de 2006

V. Islão um termo específico e geral (1.ª parte)



Escolhi-vos o Islão por religião”. - Sura a Mesa (V, v. 39)

A religião para Deus é o Islão.” - Sura a Família de Imran (III, v. 19)

Os que desejam renunciar ao Islão para seguir outra religião não serão aceites e na outra vida estarão entre os desventurados.” - Sura a Família de Imran (III, v. 85)

A tradução literal da palavra Islão é submissão. Em termos latos a palavra “muçulmano” significa aquele que se submete à vontade de Deus. Em termos específicos significa aquele que segue a Fé revelada pelo Profeta Maomé. No entanto no Alcorão e de acordo com algumas tradições o significado do termo abrange todas as religiões de Deus.

Na Sura “A Mesa” (V) a palavra Islão representa uma referência específica à religião de Maomé, o Apóstolo de Deus. No entanto, há razões para crer que nos versículos citados na Sura “A Família de Imrán” (III) referem-se à religião em geral como a revelada por Maomé. Isto é demonstrado pelas referência nos versículos que se referem à história dos Profetas que O precederam:

Recitai-lhes a história de Noé, quando disse às suas gentes: “Meu povo! Se se vos tornou pesada a minha permanência entre vós e a minha contínua pregação dos versículos de Deus, sabei que em Deus me apoio. Ponde-vos de acordo em vossa conduta, assim como os vossos ídolos; imediatamente a vossa conduta deixará de ser uma preocupação para vós. Decidi-vos a meu respeito e não me poupeis.

Se vos afastardes da minha pregação..., pois não vos peço salário. O meu salário só incumbe a Deus, pois me mandou que estivesse entre os submissos
.” - Na Sura Jonas (X, v. 71-72)

quarta-feira, 26 de julho de 2006

A propósito do actual conflito no Médio Oriente

Uma das muitas vantagens de sermos Bahá'is, ou simplesmente acreditarmos na mensagem de Bahá'u'lláh, é sabermos que estas guerras um dia terminarão de vez.
Tal como disse A Beleza Antiga ao único ocidental que O pode contemplar:
"Essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas cessarão e a Mais Grandiosa Paz virá".

Esta imagem retirei do Blog "Mulheres na Nova Era".

terça-feira, 25 de julho de 2006

IV. Interpretação do Alcorão


A interpretação do Alcorão é um assunto francamente delicado. Daí ser nossa intenção fazer uma análise tão objectiva quanto possível, mas nunca considerando que esta deva ser considerada como definitiva e muito menos inquestionável.

Deus avisou os Muçulmanos acerca da interpretação do Alcorão:

Nada está oculto a Deus nem na Terra nem no Céu. É Ele quem vos molda no seio de vossas mães, como quer. Não há deuses a não ser Ele, o Poderoso, o Sábio. Foi Ele que te revelou o Livro (ó Profeta!). Nele há versículos explícitos: constituem a essência do Livro. Outros são equívocos. Os que têm dúvidas em seus corações seguem o que é equívoco, buscando a discrepância e ansiando pela sua interpretação. Mas a sua interpretação só Deus a conhece. Os sábios dizem: “Cremos no Alcorão. Tudo vem do nosso Senhor.” Mas não o aceitam senão os sensatos.” - Sura “A Vaca” (III, v. 5)

Os versículos explícitos são as leis da Fé, nomeadamente aquelas relacionadas com as orações, casamento, divórcio, jejum e herança. Estas leis distinguem os crentes muçulmanos como uma comunidade independente. Mas quais serão os “equívocos”?

Na Sura “O Muro” (VII, v. 52) está escrito:

“Em verdade trouxemo-lhes um Livro que explicámos em pormenor, com consciência, como guia e misericórdia para aqueles que crêem. Que esperam senão a sua interpretação? No dia em que venha a sua interpretação dirão aqueles que anteriormente esqueceram: “Os Enviados do Nosso Senhor vieram com a verdade, mas temos intercessores? Pois intercederam por nós ou restituam-nos à Terra e faremos qualquer coisa de diferente do que fizemos.” Ter-se-ão perdido a si mesmos e ter-se-ão afastado deles ou deuses falsos que inventavam.”

Pode-se depreender que a interpretação do sagrado Alcorão virá no futuro “Que esperam senão a sua interpretação?” e que quando a Sua interpretação for revelada será rejeitada e encontrará oposição nos esquecidos.

Depois da ascensão dos Imames, os legítimos sucessores do Profeta, quando a interpretação era vislumbrada nenhum dos seus intérpretes reivindicou autenticidade ou origem divina das suas interpretações.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Ensinamentos Básicos do Alcorão (2.ª parte)



A Função dos Apóstolos de Deus é Uma Só e a Mesma

Deus atribuiu a Maomé, O Apóstolo de Deus, três funções: testemunha, anunciador, admoestador.

Profeta! Enviámos-te como testemunha, anunciador, admoestador.” - Na Sura “Os Partidos” (XXXIII, v.45):

Para os Apóstolos, em geral, Deus diz-lhes o seguinte:

Não mandámos os Enviados a não ser anunciadores e exortadores.” - Sura “Os Rebanhos” (VI, v.48):

Mais tarde será demonstrado que Moisés e Jesus também eram testemunhas.

Quando é que os Apóstolos são enviados?

Dado o princípio da unidade de ensino no Alcorão, porque deveriam ter havido diferentes religiões e diferentes Apóstolos? E também quando enviaria Deus um novo Apóstolo?

Os homens constituíam apenas uma comunidade única, mas separaram-se, e se não tivesse sido um decreto que, vindo do Teu Senhor, chegou antes disso, realmente ter-se-ia decidido entre eles no que divergiam.” - Sura “Jonas” (X, v.19).

O versículo explica que quando uma comunidade unificada perde a sua coesão e desenvolve divergências, Deus envia uma Revelação para restabelecer a sua unidade.

Os homens formavam uma comunidade única, e Deus enviou-lhe os Profetas como anunciadores e admoestadores, e fez chegar através deles O Livro com a verdade para julgar entre os homens aquilo que divergiam. Não divergiam senão aqueles que o receberam, depois de lhes chegarem as provas manifestas. Deus guiou os que o aceitaram aquilo em que divergiam da verdade os injustos, com a sua permissão, pois Deus conduz a quem quer pelo caminho recto.” - Sura “A Vaca” (II, v. 213)

Estes versículos reafirmam que Deus envia as Suas Manifestações para educar e julgar a humanidade. Aqueles que acreditam no novo Livro são guiados de forma a eliminar as suas diferenças, enquanto outros voltados para os seus desejos sofrem desarmonia. Desta forma sempre que surge uma nova Revelação, os sinceros são guiados para a unidade, enquanto que aqueles amarrados à Revelação anterior se penalizam. Parece-nos ser importante referir que neste versículo, “Profetas” está no plural, enquanto no singular é confirmada a unidade da Revelação Divina.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

III. Ensinamentos Básicos do Alcorão (1.ª parte)


Um estudo cuidadoso do Alcorão permite discernir uma grande consonância entre os Seus ensinamentos e o das Escrituras Sagradas que O antecederam. Muitas histórias relatadas também são semelhantes.

Apresentaremos alguns princípios que poderão ser facilmente identificados.

A Unidade de Deus e a Unidade dos Seus Apóstolos e Profetas

Deus é uno, e há uma unidade fundamental dos Seus Apóstolos e Profetas, e além disso as Suas escrituras são uma só, é confirmado pelo seguinte versículo:

“Dizei-lhes: “Cremos em Deus e no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacob e às doze tribos; no que foi dado a Moisés e a Jesus; no que foi dado aos Profetas pelo seu Senhor. Não diferenciamos nenhum deles e somos submissos a Deus [Muçulmanos].” - Sura “A Vaca” (II, v.136)

Desta forma os Muçulmanos acreditam em Deus, no Alcorão e no que foi revelado a Abraão, Ismael, Isaac, Jacob e outros, tal como a Moisés, Jesus e os Profetas. Está claro que os Muçulmanos não devem fazer distinção entre os Mensageiros dessas Revelações.

A origem divina de todas as Leis de Deus

As leis enviadas por Deus à humanidade, não obstante exteriormente serem diferentes têm sido reveladas através de diferentes Apóstolos para as diferentes nações em diferentes épocas, eram e continuam a ser um só na origem e no propósito, tal como expresso no seguinte versículo:

“Institui-vos a respeito da religião, o que dispus para Noé, e que Te inspirámos e o que dispusemos para Abraão, Moisés e Jesus, dizendo: “Permanecei na Religião! Não divirjais acerca dela! Deus escolhe, para O seguir, a quem quer e conduz a Si quem se volta para Ele!

Os homens só se dividiram em seitas depois de lhes haver chegado a ciência por mútua insolência. Se não fosse a Palavra proveniente do seu Senhor, que precedeu, indicando um prazo determinado já se teria decidido entre eles. Os que, depois deles, receberam em herança o Livro, estão em grande dúvida sobre ele.” - Sura “O conselho” (XLII, v.13-14)

Deus prescreveu as Leis, ou jurisprudência, do Islão, de acordo com as exigências daquela época, tal como Ele tinha revelado as leis a Noé, Abraão, Moisés e Jesus no passado.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

II. A vinda de Maomé profetizada por Jesus




Para os Bahá’ís, independentemente das suas raízes culturais ou religiosas, é crença inequívoca que Maomé é um Manifestante de Deus e que os fundamentos islâmicos jamais renegam a divindade de Jesus.

Na realidade, a vinda de Maomé foi profetizada por Jesus, tal como está escrito no Evangelho de São Mateus 24:29:

“Logo em seguida, depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes do céu serão abalados.

Então aparecerá o Filho do Homem, e todos os poderes da terra farão lamentações e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e glória”.

Bahá’u’lláh explica o significado destes versículos no “Livro da Certeza” – livro que recomendamos a todo o crente judeu, cristão, muçulmano, ou de outra religião, agnóstico ou ateu, a ler. Aí Ele afirma que esta profecia de Jesus tem um carácter simbólico, de múltiplos significados. Por exemplo, considera que a referência aos astros é uma alusão aos sacerdotes da época, que deixarão de reflectir a luz da verdadeira religião e considera as “nuvens” como as vãs fantasias do Homem que impedi-lo-ão de O reconhecer, desta vez com o nome de Maomé, isto porque ambos reflectem a mesma Luz Divina, ou seja quem reconhecer Maomé está a reconhecer a volta de Jesus. A palavra “céu” é uma referência ao Seu elevado grau de espiritualidade.

O livro da Revelação de São João também possui várias referências para com Maomé. Assim, no décimo primeiro capítulo é referido: “E Eu darei poder às minhas duas testemunhas, e, vestidas de saco, profetizarão por mil duzentos e sessenta dias”. Essas duas testemunhas são Maomé e ‘Ali Abu Talib. Cada dia significa um ano, o que quer dizer que os seus ensinamentos serão válidos por mil e duzentos e sessenta anos. Assim, a Revelação Bábi surgiu no ano 1260 da Era Islâmica, terminando a Era Maometana e dando início ao Ciclo Bahá’í.

As “roupas de saco” significa que de início seriam possuidores de pouco esplendor e que a Sua lei aos olhos dos homens não seria nova porque as suas leis sociais são semelhantes às da revelação de Moisés e as leis espirituais correspondem às de Jesus. Assim, para Seus inimigos a Sua mensagem seria apenas uma repetição.

A seguir está escrito: “Estes são as duas oliveiras e os dois candeeiros, postos diante do Deus da terra”. Estas duas almas são comparadas a dois candeeiros por iluminarem a humanidade com seu seus ensinamentos. A referência a oliveira deve-se ao facto de naquela época o azeite ser o combustível utilizado nas lâmpadas.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Razões para animosidade para com o Islão


Sendo o Alcorão o Livro que sucedeu ao Evangelho (crença da Fé Bahá’í) faremos uma pequena análise ao facto de o Islão não ter vingado (pelo menos de forma explícita) no mundo ocidental:

• O Islão é entendido como rival da cristandade.

• De uma forma geral os historiadores ocidentais têm dado pouca atenção ao contributo dado pelo Islão à cultura universal.

• O Alcorão é poucas vezes estudado de forma séria, sendo difícil a abolição de preconceitos adquiridos ao longo de gerações.

• Aqueles líderes e seguidores do Islão que têm sido menos fiéis aos seus ensinamentos têm atraído mais atenção do que aquela que era justo ser-lhes atribuída.

• Comportamentos de muçulmanos, considerados por vezes chocantes, são usualmente associados aos ensinamentos do Alcorão.

Nas Escrituras Sagradas é referido que muitos muçulmanos repetiam histórias acerca de Maomé em suponham estar a louvá-Lo, quando o efeito era o oposto. Muitas dessas histórias faziam menção da Poligamia do Profeta como uma maravilha que O enaltecia, outras faziam crer que o derramamento de sangue em nome da Jihad, mesmo que provocada pelos seguidores do Islão, era prova de se ser bom muçulmano.

O fanatismo e o excesso de zelo que foi praticado durante a conquista de diferentes territórios, como o da península ibérica, impediu que a religião se tenha sedimentado suficientemente para se opor a uma “reconquista cristã” – um cristianismo de características germânicas e sustentáculo de um mundo feudal, e intransigente, em contraposição ao cristianismo mediterrânico.

Na realidade, após a morte de Maomé e, em particular, após o assassinato de Ali, o primeiro Imame ou quarto Califa, conforme seja a visão xiita ou sunita, o Islão foi perdendo a sua pureza inicial, pois enquanto a possuía a Sua marcha era irresistível.

terça-feira, 18 de julho de 2006

A Amplitude da Revelação Corânica

Circunscrever esta Revelação apenas ao mundo muçulmano seria um erro, por toda a contribuição para a história universal e poderosa convocação para que o homem se enobreça com a comunhão da Palavra revelada.

Conforme já dissemos, os inimigos da Causa de Deus organizaram grandes exércitos para matar Maomé e o grupo de Seus seguidores. Ele tinha de proteger a Causa de Deus e os Seus discípulos com as respectivas famílias. Assim, permitiu que os Seus seguidores lutassem contra os selvagens que desejavam destrui-los. Tal como nos tempos de Krishna, os exércitos da luz e das trevas novamente se haveriam de digladiar.

Foi aprendendo com a civilização árabe e islâmica que a Europa medieval adquiriu muitos conhecimentos relacionados com a arte, ciências naturais e exactas, filosofia e sistemas de governo. Assim, mesma que de forma não explícita, o renascimento europeu foi uma herança maometana.

A própria reforma luterana que veio dar uma novo impulso ao cristianismo, na sua maioria de forma benigna, é um reflexo do Islão.
Disse que a religião de Deus, que viera dos céus através d’Ele, voltaria a Deus depois de passados mil anos.

Com isso quis dizer que o povo esqueceria Seus ensinamentos, no decorrer de mil anos. Mas, acrescentou Maomé, depois desse tempo, quando nada mais restasse da Religião de Deus na terra, o som de uma poderosa trombeta seria ouvido, não uma vez, mas duas vezes – e os povos do mundo veriam a face do próprio Deus.

O som da trombeta significa o Chamado de Deus.

O Chamado de Deus já feito duas vezes nesta Era, tal como profetizado. O Báb apareceu exactamente mil anos depois da revelação do Islão. No espaço de tempo ínfimo, Bahá’u’lláh declarou Sua Missão. Foi então que O Báb chamou os homens para Deus, lembrando-os da Sua grande promessa. Bahá’u’lláh levantou a Sua voz em seguida, após o massacre d’O Báb, num segundo clamor, chamando os filhos de Deus para fitarem Sua face.

Vamos procurar fazer um estudo desta Revelação maravilhosa e o cumprimento de Suas profecias, não sem antes fazermos algumas referências ao advento de Maomé e tentar apontar algumas razões que têm provocado animosidade entre a Cristandade e o Islão.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

O Alcorão


O Livro Sagrado revelado durante a vida terrena de Maomé é designado de Alcorão – que significa Recitação.

As imagens e expressões que lhe caracterizam reflectem o meio e a época em que o Alcorão foi revelado: um meio de desertos e oásis, de comércio rudimentar e de actividades agrícolas e pastoris.

O Profeta, transmitiu a mensagem de forma a que aqueles povos a entendessem. Prescreveu ao homem uma vida de submissão à vontade divina.

O Alcorão compreende 114 capítulos (Suras) revelados por Maomé, dos quais 86 em Meca e 28 em Medina; e compreende nada menos que 6236 versículos. Cada capítulo é uma prelecção, na qual os crentes são exortados a seguir determinadas normas morais ou a aplicar determinadas leis; ou mesmo a crer em determinadas verdades, extraindo conclusões dos fatos históricos que lhes são narrados.

O conteúdo do Alcorão representa um dogma, o da religião islâmica; uma lei, a lei corânica, que compreende os códigos penal, civil, constitucional e militar; normas para o comportamento individual e social; e narrativas históricas.

Dessas narrativas, muitas são referidas pelos textos bíblicos, tais como: a criação de Adão; a crença de Abraão; a história de José e seus onze irmãos; a perseguição do Faraó a Moisés e aos judeus e o êxodo para a Terra Prometida; a sabedoria de Salomão; o nascimento de Jesus Cristo e muitas outras.

Há mesmo referências científicas que só hoje é que estão a ser entendidas.

O Islão após a morte de Maomé


A seguir à morte do Profeta, uma assembleia de muçulmanos escolheu Abu Bacre para liderar a comunidade, foi então o primeiro califa. O califado de Abu Bacre (632 – 634) apenas durou dois anos, os eventos mais importantes resultam da necessidade de esmagarem a revolta de muitas tribos árabes que abandonaram o Islão após a morte de Maomé.

Abu Bacre apontou como seu sucessor Omar. Durante o seu califado (634 – 644) os exércitos do Islão alcançaram vitórias notáveis contra os outrora todo-poderosos impérios persa e bizantino. A sucessão de Omar foi decidida por uma conselho de seis homens apontados por ele próprio. Este conselho nomeou como seu sucessor Uthman, membro do clã dos Omíadas. O seu califado (644 – 656) durou doze anos mas tornou-se francamente impopular nos últimos anos, o que conduziu ao seu assassinato. Em 656 Ali foi nomeado califa. No entanto, Muavia e o clã dos Omíadas rebelaram-se e causaram a morte de Ali em 661 abrindo assim caminho para o califado de Muavia e posterior domínio dos Omíadas no mundo islâmico.

Esta dinastia, que trouxe a capital para Damasco teve um total de catorze governantes, durou até ao ano 750 (132 DH). Muitos historiadores islâmicos consideram esta dinastia como corrupta, pérfida e traiçoeira. Em 750 ocorreu uma revolta que os depôs tendo sido substituídos pelos Abássidas, descendentes do tio de Maomé, al-Abbás – apenas a Espanha ficou sob domínio Omíada. Em 763 mudaram a capital para Bagdad e durante 150 anos governaram o mundo islâmico. No entanto, o poder árabe na comunidade islâmica ia-se dissipando sendo substituído pelos persas e sobretudo pelos turcos.

Com o emergir do Império Otomano – de raízes turcas – e a tomada de Constantinopla o califado mudou-se para aí. Este Império veio a dominar os Balcãs e chegou às portas de Viena, capital do Sacro Império Romano – Germânico. Após a primeira guerra mundial desmoronou-se e o califado otomano terminou em 1924.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Pequena descrição da vida de Maomé - 6.ª parte

No final de 629 algumas tribos medinenses quebraram o tratado estabelecido com Maomé, tendo os seus aliados mecanos vindo em seu auxílio. Desta forma, Maomé levantou um exército para terminar com a traição. No início de 630 Maomé aproximou-se de Meca chefiando um grande exército. Os mecanos não tinham forças à altura, então o chefe da família dos Omíadas, submeteu-se a Maomé, ao que foi seguido pela grande maioria dos mecanos.

Assim, Maomé entrou em Meca de forma triunfante, oito anos após ter de abandoná-la sob o risco de ser assassinado pelos principais clãs. O seu primeiro acto foi entrar em Kaaba com Ali aos Seus ombros e destruir todos os ídolos – acto este com um profundo significado simbólico.

O ano seguinte, corresponde a um período em que várias tribos da Arábia vieram prestar juramento ao Profeta, incluindo algumas que se Lhe tinham oposto ferozmente. Para junto dessas tribos enviou alguns dos Seus companheiros mais próximos a fim de lhes ensinar o Islão. Algumas tribos cristãs do norte reconheceram a soberania de Maomé e comprometeram-se a pagar uma taxa que o Islão decretou para os súbditos não muçulmanos.

Nesse ano Maomé não efectuou a peregrinação mas encarregou Ali de não permitir que os pagãos se aproximassem de Kaaba. No ano seguinte, O Profeta fez a peregrinação que se veio a tornar a Sua última, e padrão para todas as subsequentes de Seus seguidores.

Após regressar a Medina no Verão de 632, ficou febril e após algumas semanas a debater-se com a doença veio a falecer.

Pequena descrição da vida de Maomé - 5.ª parte

No ano 625 após uma série de batalhas o exército de Meca marchou sobre Medina. O exército medinense comandado por Maomé esperou pelo inimigo no Monte Uhud. Após uma árdua batalha o exército medinense foi derrotado.

Consequentemente, o prestígio de Maomé ficou fortemente abalado, o que provocou a rebelião daqueles que tinham prestado juramento à Sua aliança não por pureza de motivo mas sim por uma questão de oportunismo. De entre eles encontravam-se algumas tribos judaicas, e que mais tarde foram obrigadas a abandonar Medina.

No ano 627 veio o derradeiro esforço dos mecanos para derrotarem o Profeta. Aliando-se às tribos judaicas e perfazendo no total um exército de dez mil homens, marcharam sobre Medina. Maomé apenas pode juntar trinta mil homens. Por conselho de Salmán, um persa convertido, Maomé ordenou que se fizesse um fosso à volta da cidade. Este sistema resultou em sucesso. No entanto algumas tribos judaicas que tinham permanecido em Medina entraram em negociações secretas com o inimigo, expondo assim um flanco das defesas. Mais tarde O Profeta castigou os responsáveis pela traição.

Em 628, Maomé decidiu alcançar Meca como peregrino. Quando Ele e os Seus companheiros deixaram Medina foram armados apenas com uma espada. A Sua entrada foi bloqueada, mas após negociações ficou estabelecido que Ele deixaria a cidade mas que no próximo ano realizaria a peregrinação.

Em Fevereiro de 629, sete anos após a Emigração, Maomé voltou a Meca para cumprir o tratado estabelecido no ano anterior. Muitos habitantes de Meca deixaram a cidade, mas alguns como o Seu tio al-Abbás, que tinham tido uma atitude passiva face à Causa, receberam-No de braços abertos.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Pequena descrição da vida de Maomé - 4.ª parte

Maomé disse a todos os seus seguidores para se dirigirem para Yathrib, tendo apenas ficado em Meca Ali, Zayd, Abu Bacre e o próprio Maomé. Os líderes de Meca ficaram alarmados com este acontecimento. Quarenta dos notáveis mecanos, reunidos em conselho, decidiram matar Maomé. Nessa mesma noite, no entanto, Maomé abandonou a cidade juntamente com Abu Bacre tendo-Se refugiado numa gruta.

Ali dormiu na cama do Profeta de forma a enganar os assassinos que tinham combinado matar em conjunto o Profeta para que a responsabilidade caísse sobre todos. Nessa manhã os assassinos ficaram furiosos ao descobrirem terem sido enganados, a vida de Ali correu perigo. Apesar de todas as buscas Maomé não foi encontrado e alcançou Yathrib, a que Ele chamou “Madínat na Nabí”, o que em Português quer dizer “Cidade do Profeta”, na sua forma mais curta designa-se por Medina. Neste ano de 622, significou um ponto de viragem na força da comunidade maometana, a partir deste ano inicia-se a contagem da Hégira, ou Emigração, o início do calendário islâmico.

Quando Maomé chegou a Medina os Seus seguidores ainda formavam uma minoria, mas Maomé gozava de grande prestígio, pois já antes de ter iniciado a sua missão tinha sido convidado para arbitrar conflitos entre diferentes tribos. O Seu papel nos primeiros anos que viveu em Medina tinha uma característica essencialmente político. Procurou estabelecer laços de cooperação entre facções rivais. No primeiro ano conseguiu forma uma confederação de todos os grupos rivais existentes em Medina. Esta aliança obrigava a que combatessem um inimigo comum exterior, não realizassem uma paz separada com o inimigo, não abrigassem ninguém que tivesse cometido um crime. Esta aliança fez de Medina um Santuário da Sabedoria do julgamento de Maomé. As tribos judaicas estavam incluídas nesta aliança e gozavam dos mesmos direitos que quaisquer outras.

De forma a fortalecer os laços na comunidade maometana o Profeta ordenou a todos os crentes que viessem de Meca para a adoptar um dos crentes de Medina como seu irmão de sangue.

Pequena descrição da vida de Maomé - 3.ª parte

A perseguição daí resultante foi tão árdua que Maomé enviou alguns dos Seus seguidores até à Etiópia pedindo a protecção a um rei cristão. Mesmo aí a perseguição não cessou.

No ano de 619 dois eventos trágicos colocaram a vida de Maomé em perigo. O primeiro correspondeu à morte de Khadija, que tinha sido o Seu grande amparo e o segundo a morte de Abú Tálib, Seu tio e protector. A liderança na casa de Háshim passou para Abú Laháb, também Seu tio mas inimigo jurado. Logo aquele retirou a protecção de que o Profeta tinha usufruído colocando Sua vida em risco. Foi então que teve de recorrer à protecção de um clã que não era o Seu e cujo o chefe era um idólatra.

Em 620 na época da peregrinação a Meca, Maomé encontrou sete homens da tribo khazraj da cidade de Yathrib e converteu-os ao Islão. No ano seguinte regressaram com mais sete homem dessa mesma tribo que se vieram a converter. Estes novos crentes juraram fidelidade ao Profeta; eliminação da idolatria; abolição do sacrifício do primogénito; cessação da calúnia e maledicência. Também prometerem pegar em armas para defender o Profeta. Muitos autores consideram este acontecimento como sendo um ponto chave para o êxito de Maomé.

No ano de 622 o sucesso da mensagem maometana começou a entrar numa espiral de sucesso. Nesse ano setenta e dois homens e três mulheres da cidade de Yathrib vieram jurar aliança com Maomé. Eram provenientes de tribos poderosas e prometeram proteger a vida do Profeta pelas armas, se necessário.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Pequena descrição da vida de Maomé - 2.ª parte

Passados quatro anos veio o tempo em que Maomé fez o anúncio público de Sua missão.

Primeiro fez a revelação no Seu próprio clã e posteriormente aos Mecanos em geral, no Monte Safá. Maomé apelou ao povo para abandonar os ídolos e adorar o Deus único e verdadeiro. Este anúncio público provocou a ira dos notáveis. O abandono dos ídolos iria provocar uma ruptura na sociedade de Meca e o seu prestígio seria abalado consideravelmente.

Nesta altura a maior parte dos seguidores da Revelação Maometana eram jovens de pouco estatuto na sociedade, alguns deles eram escravos. Muitos destes seguidores foram perseguidos, torturados e mortos. Apenas a protecção de Abú Tálib (por devoção familiar e não por ser crente) impediu que Maomé fosse morto.

Nesta fase a doutrina maometana era muito simples: há apenas um Deus que enviou Maomé para ser Seu Profeta; toda a actividade de idolatria devia ser abandonada; o cumprimento de algumas práticas sócias e familiares, tais como a proibição inequívoca de queimar vivas as filhas quando nasciam, e a noção de que os homens deveriam purificar os seus pensamentos e acções de forma a prepararem-se para o Dia do Juízo

Pequena descrição da vida de Maomé - 1.ª parte

Pequena descrição da vida de Maomé

Maomé nasceu no ano 570 D.C. em Meca. O Seu pai morreu meses antes de Maomé ter nascido e a Sua mãe morreu quando Ele tinha seis anos. Assim, foi entregue aos cuidados de Seu avô e dois anos e dois anos após, devido ao seu falecimento, ficou à guarda de Seu tio, Abú Tálib, pai de Ali e o chefe da família Banú Háshim.

Enquanto Maomé foi crescendo era conhecido pela sua honestidade e dedicação aos Seus semelhantes. Ajudou o Seu tio nas suas viagens mercantis, mas o negócio não decorria da melhor forma e a fortuna diminuía. Mais tarde uma viúva rica de seu nome Khadija contratou Maomé para as suas actividades mercantis. Quando Maomé tinha vinte e cinco anos casou-Se com Khadija, que era quinze anos mais velha, enquanto ela foi viva não teve outras esposas. Deste casamento resultaram oito filhos, mas só quatro filhas é que atingiram a idade adulta. Na casa de Maomé também viviam: o Seu primo, e irmão adoptivo, Ali, e o seu filho adoptado, um escravo liberto de seu nome Zayd.

Quando Maomé tinha quarenta anos (610 D.C.) chegou-Lhe a primeira revelação.

Ele ficou aterrorizado mas a Sua Mulher Khadija confortou-O e tornou-se a primeira crente. O Seu primo Ali, com apenas nove anos de idade, tornou-se o segundo crente e Zayd o terceiro. Fora de Sua casa o primeiro crente foi Abú Bacre. O número de crentes foi então aumentando.

terça-feira, 11 de julho de 2006

I. Introdução


I. Introdução

O Alcorão é um dos livros mais influentes da História.

Para cerca de mil milhões de muçulmanos, espalhados por vários países do mundo, ou seja um sexto da humanidade, é a Palavra revelada por Deus. É um belo poema, uma oração e um código de leis que se impõe por sua magnificência e sabedoria, constituindo assim uma força motriz de comportamento religioso, social e político da humanidade. Também para a Fé Bahá’í é a Revelação da Palavra Divina.

Este Livro foi revelado durante o século sétimo da nossa Era na Península Arábica de entre diferentes e antagónicas tribos árabes. A maior parte desses habitantes dedicavam-se à pastorícia ou a actividades agrícolas rudimentares, tendo uma vida semi-nómada ou vivendo em pequenas cidades. Um factor económico importante era a presença de importantes rotas comerciais que ligavam a Índia à Síria e a Bizâncio.
Estes povos árabes dividiam-se em diferentes tribos e a sua lealdade era para com a tribo a que pertenciam. A lealdade de cada um dependia acima de tudo da tribo ou clã a que pertenciam. Honra, casamento, amizades, estatuto social tudo dependia da relação que a tribo estabelecia com o indivíduo e vice-versa. Estas tribos eram extremamente belicosas, e os conflitos estabeleciam-se ao longo de gerações. A honra da tribo justificava e requeria a vingança. Pegar em armas e lutar pela sua tribo era a maior honra que podia ser concedida a um homem. Se alguém não pertencesse a uma tribo poderosa teria que pedir a sua protecção, caso contrário a sua vida ficaria em risco.

A maior parte dessas tribos praticava formas primitivas de adoração. Adoravam ídolos construídos em madeira ou pedra. No entanto, o cristianismo e o judaísmo não eram estranhos aquelas gentes, tanto pelos contactos com as rotas comerciais como pela existência de algumas tribos judaicas.

De todos os santuários aquele que mais se destacava era o de Kaaba em Meca. Era o centro da comemoração anual dos seus principais ídolos. O próprio Maomé era descendente de uma família de custódios, os Quraish, uma das tribos mais importantes da altura. A Sua família tinha a responsabilidade de providenciar alimentos e água aos peregrinos que se deslocassem a Meca.