sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A salamandra e a regeneração de membros (humanos)


Cientistas britânicos descobriram uma proteína essencial para recuperação de membros perdidos. A utilização em pessoas ainda é um sonho distante, mas esta descoberta é um primeiro passo.

A a chave que permite que as salamandras regenerem membros perdidos pode ter sido encontrada: uma proteína, que, no futuro, pode ajudar a pesquisa em medicina regenerativa humana.

Os biólogos sempre foram intrigados pela habilidade das salamandras de regenerar partes do corpo perdidas. Exactamente como elas faziam isso, no entanto, não estava claro.

Agora, uma nova pesquisa feita por um grupo britânico e publicado na revista “Science” mostra que uma proteína chamada nAG, excretada por células nervosas e da pele, tem um papel central na produção de uma massa de células imaturas, o blastema, que regenera a parte perdida.

A importância da nAG foi demonstrada pelo fato de que mesmo quando um nervo era danificado abaixo da raiz, o que normalmente impediria a regeneração, os cientistas conseguiram incentivá-la ao forçar, articialmente, a produção da proteína.

Anoop Kumar e os seus colegas do University College de Londres afirmam, no estudo, que a descoberta pode “ser promissora para esforços futuros de promoção da regeneração de membros em mamíferos”.

David Stocum da Universidade de Indiana afirma que o feito poderia a ajudar a explicar por que os mamíferos têm capacidades de regeneração limitadas, e, assim, auxiliar directamente a medicina regenerativa.

Avanço importante

Um entendimento claro dos sinais moleculares envolvidos na formação do blastema e na regeneração de membros pode, eventualmente, permitir que médicos programem comportamentos parecidos em partes do corpo que antes não se regenerariam.

Quando isso pode ser possível, especialmente em humanos, é difícil determinar, mas a adição da nAG no repertório de susbtâncias necessárias é um avanço importante”, diz Stocum.

As salamandras são capazes de manipular seus corpos ao transformar células comuns em células-tronco e, então, em células adultas novamente.

A medicina regenerativa é um campo de pesquisa em crescimento, com um foco importante nas células-tronco, aquelas que agem como fonte de várias células e tecidos no organismo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A Ideia Egoísta


A IDÉIA EGOÍSTA
Em "The meme machine", publicado nos EUA em 1999, Susan Blackmore defendeu que a história evolutiva do homem tem sido perversamente guiada pela lógica de unidades culturais de imitação chamadas mimos (meme em inglês).
Basicamente,mimos são ideias, informações, que se reproduzem de mente para mente, de ser humano para ser humano: mimos são “instruções para realizar comportamentos, construídos no cérebro ou por imitação” (Blackmore, 1999, p. 43). Na verdade, segundo a autora, nós, seres humanos, e nossos cérebros, seríamos máquinas de reprodução de ideias. O mecanismo para essa reprodução de ideias seria a imitação mais especificamente a aprendizagem.
Não era a primeira vez que o mundo dos conceitos e de sua multiplicação procuravam insidiosamente tomar as rédeas da história do homem. O filósofo Daniel Dennett já afirmara anteriormente que a evolução biológica de todos os seres vivos, incluindo o homem, poderia ser interpretada como um processo algorítmico, no qual os elementos fundamentais seriam a hereditariedade (genes), a variação (mutação) e a selecção natural (reprodução diferencial) (Dennett, 1990, 1998; Runcinan, 1998).
Para Dennett, os genes são replicadores genéticos que existem há biliões de anos e nós, criaturas feitas basicamente de proteínas, somos suas máquinas de sobrevivência, formas pelasquais os genes mantêm íntegro o significado de suas mensagens por um tempo, não raro, milhares de vezes maior do que a duração de uma vida humana e mesmo de toda uma espécie e a humanidade. Entretanto, no caso específicodo Homo sapiens, um segundo tipo de replicador, os mimos, teriam sido co-responsáveis não só pelo crescimento do cérebro e pela indústria de ferramentas, mas também fundamentalmente pelo que chamamos de cultura e sociedade. Exemplos de mimos ou “unidades memoráveis distintas” são: arco, roda, vestir roupas, vingança, triângulo rectângulo, alfabeto, a Odisseia, cálculo,xadrez, desenho em perspectiva, evolução pela selecção natural, impressionismo,(Dennett, 1998, p. 358).
Como os genes, os mimos poderiam ser compreendidos se prestarmos atenção:
1) ao processo hereditário pela qual as informações culturais se reproduzem em populações de cérebros humanos (horizontal e verticalmente),
2) ao processo que faz com que as informações culturais variem, e
3) ao processo de selecção de informações culturais.

domingo, 30 de novembro de 2008

Vida extraterrestre (equação de Frank Drake)


Por princípio, a ciência académica não acredita em discos voadores, mas pode acreditar em vida extraterrestre inteligente. Segundo os cientistas, não existem evidências que suportem a ideia de seres de outros planetas visitarem a Terra nem de que exista vida inteligente no sistema solar fora da Terra. As grandes distâncias entre as estrelas e a limitação das velocidades que os corpos podem adquirir tornam extremamente improváveis tais visitas.

Nas últimas décadas, porém, têm sido travadas discussões, constantemente actualizadas, sobre a probabilidade de vida extraterrestre. Por todo o mundo, têm sido gastas quantidades avultadas de recursos em pesquisas que detectem sinais emitidos por civilizações inteligentes extraterrestres.

O grande avanço tecnológico característico de nossa época pode estar nos levando a passos largos para a detecção desses sinais que, uma vez captados, confirmarão a existência de vida extraterrestre inteligente, podendo vir a alterar significativamente a nossa sociedade humana.

Vejamos, na nossa galáxia existem centenas de milhões de estrelas.

A EQUAÇÃO DE FRANK DRAKE

Em 1961, Frank Drake, astrónomo norte-americano, actual director do Instituto SETI, publicou uma equação que pretende fornecer o número de civilizações inteligentes e que desenvolveram tecnologia em nossa galáxia. Essa equação ficou conhecida como equação de Frank Drake.

Ao se analisar pela primeira vez essa equação, percebe-se a sua grande simplicidade. Não é necessário conhecimento aprofundado das ciências exactas para entendê-la. A equação de Frank Drake fornece o número de civilizações em nossa galáxia que são inteligentes, desenvolveram tecnologia e são assim capazes de emitir sinais detectáveis por nós, assim como de detectar sinais que nós emitimos ("civilizações comunicantes"). Chegamos a esse número através da multiplicação simples de sete termos ou parcelas. A equação de Frank Drake é simples, mas chegar a valores razoáveis para cada uma dessas sete parcelas é extremamente difícil e complicado.

A Equação

N = E x P x S x V x I x T x C; onde N é o número de civilizações comunicantes em nossa galáxia; E é o número de estrelas que se formam por ano na nossa galáxia; P é a fracção, dentre as estrelas formadas, que possui sistema planetário; S é o número de planetas com condições de desenvolver vida por sistema planetário; V é a fracção desses planetas que de fato desenvolve vida; I é a fracção, dentre os planetas que desenvolvem vida, que chega a vida inteligente; T é a fracção, dentre os planetas que chegam a vida inteligente, que desenvolve tecnologia e C é a duração média, em anos, de uma civilização inteligente.

Astronomia

Encontrar valores para E, P e S é tarefa da Astronomia. Com base nas teorias actuais sobre formação de estrelas, não parece que estamos sujeitos a grandes erros se considerarmos E = 10, P = 1 e S = 1. A multiplicação dessas três parcelas permite-nos dizer que, por ano, se formam 10 planetas na nossa galáxia com condições de abrigar vida.

Biologia

Encontrar valores para V e I é tarefa da Biologia. Principalmente pela falta de outra amostra para a observação da vida, que não a Terra, temos grande incerteza na atribuição de valores para essas duas parcelas. Vamos considerar que de dez planetas com possibilidades de desenvolvimento de vida, essa só se desenvolva efectivamente em um deles (V=0,1). Da mesma forma, vamos considerar que de dez planetas que desenvolvam vida, um chegue a vida inteligente (I = 0,1).

Ciências Sociais

T e C estão na área político-sócio-económica. A incerteza na atribuição de valores para essas duas parcelas é imensa. Também aqui vamos considerar que de dez planetas que alcancem vida inteligente, um desenvolva tecnologia (T = 0,1). Por fim, qual a duração média de uma civilização comunicante? A resposta a essa pergunta também envolve algum conhecimento de Astronomia. (Note que essa pergunta está intimamente ligada ao futuro da espécie humana. Há apenas cerca de 60 anos podemos nos intitular "civilização comunicante" e a Terra ainda poderá existir por uns 4,5 biliões de anos, tempo de existência que ainda resta ao sistema solar.) Alguns mais pessimistas acreditam que já estamos prestes a nos auto-destruir. Alguns mais optimistas acreditam que o único limite para a nossa civilização é a destruição do sistema solar. Existe também a possibilidade de destruição de nosso planeta em uma colisão com um cometa ou meteoro. Mesmo sabendo que estamos sujeitos a um grande erro, vamos considerar C = 10 milhões.

sábado, 15 de novembro de 2008

Vida em Marte?


Uma elevação de gelo foi descoberta na região de Deuteronilus Mensae, entre o hemisfério sul rugoso e as planícies do norte do Planeta Vermelho. Os glaciares descobertos anteriormente em Marte tinham diversos milhares de anos, e o presente é o primeiro a contar apenas séculos.

A sonda Sharad poderá ter detectado gelo em estruturas geológicas distintas a meio do hemisfério norte do planeta. Estas estruturas têm várias centenas de metros de profundidade, em que 50 por cento é constituído por gelo, mas a quantidade poderá ser muito maior.

A Sharad foi construída para detectar os materiais que estão abaixo da superfície de Marte até um quilómetro de profundidade. A sonda obteve as informações sobre os materiais através das ondas de rádio que envia para o planeta e do tempo que estas demoram a voltar e da sua força.

Foi assim que se descobriu o gelo nos pólos. Mas os cientistas já desconfiavam da existência de mais gelo em formações características, em forma de cúpulas, situadas a meio dos dois hemisférios do planeta. Por isso ordenaram à sonda para pesquisar uma destas regiões chamada Deuteronilus Mensae, no norte de Marte.

domingo, 9 de novembro de 2008

até aos eucariotas


Os organismos conhecidos, com poucas excepções, compartilham as mesmas instruções relacionadas à síntese das proteínas – o chamado código genético. O mesmo código está ligado à síntese de um determinado aminoácido em organismos tão díspares quanto uma medusa e um golfinho. Esse carácter universal do código genético é uma forte evidência de que todos os seres vivos descendem de um ancestral comum.

Além da molécula armazenadora de informação, também deve ter aparecido na primeira forma de vida algum tipo de membrana limitante, talvez formada por lípidos e outros componentes orgânicos associados, funcionando como barreira selectiva entre o meio externo e o meio interno, além de permitir a passagem de água, nutrientes e resíduos metabólicos. A célula é a unidade fundamental de todos os seres vivos, com excepção dos vírus, que são acelulares e parasitas obrigatórios (até mesmo de outros vírus, como recentemente reportado). A célula é um compartimento envolvido por uma membrana e contendo, no seu interior, uma solução aquosa concentrada de substâncias químicas.

Segundo a teoria evolutiva, todos os organismos existentes têm um ancestral comum em algum momento de sua história biológica, já que novas espécies surgem a partir de um processo de descendência com modificação de espécies pré-existentes. Dessa maneira, todas as células, constituintes de qualquer espécie orgânica (animais, vegetais, algas, protistas), descendem de uma célula ancestral comum, simples, sem envoltório nuclear ou organismos citoplasmáticos membranosos. No interior dessa "célula ancestral", provavelmente alguma via metabólica simples, semelhante aos processos fermentativos existentes hoje, era empregada para a disponibilização de energia a partir do alimento – as principais rotas metabólicas (fermentação, respiração, fotossíntese e quimiossíntese) apareceram nos primórdios da evolução da vida. A partir desse ancestral, mutações aleatórias e recombinações genéticas, aliadas à selecção natural e a eventos estocásticos, que alteram as frequências genéticas nas populações, levaram ao aparecimento de novas variedades de células, aptas a sobreviverem em ambientes diversos.

O primeiro organismo constituído por uma membrana limitante e uma molécula replicadora responsável pelo seu conteúdo informacional com certeza foi mais simples que qualquer forma de vida existente hoje. Dentre as várias hipóteses aventadas no correr dos anos, um dos mais propensos candidatos a sistema replicador ancestral é um determinado tipo de RNA capaz de se multiplicar e de catalisar reacções químicas, agindo como uma enzima. O surgimento de uma grande variedade de organismos baseados nessa molécula teria originado algo como um “mundo de RNA”. Pesquisas recentes, entretanto, apontam para um cenário pré-RNA, no qual ácidos nucléicos ainda menos complexos teriam ação enzimática e capacidade de auto-replicação. Um destes sistemas genéticos talvez se assemelhasse ao TNA (do inglês Threose Nucleic Acid, ácido treonucléico), um polímero simples sintetizado em laboratório contendo um açúcar de quatro carbonos em contraposição aos cinco carbonos dos açúcares constituintes do RNA e DNA (riboses e desoxirriboses, respectivamente). Em laboratório, o TNA forma duplas-hélices estáveis com fitas de RNA e DNA complementares, o que sugere que essa molécula (ou outra quimicamente semelhante) tenha precedido os dois ácidos nucléicos existentes hoje na natureza. Alguns estudos trabalham com hipóteses alternativas de moléculas ancestrais, tais como o PNA (ácido nucléico peptídico) e o ácido nucléico derivado de glicerol, todas mais simples que o RNA.

Sob a forma de organismos microscópicos unicelulares, a vida evolui por biliões de anos, até o surgimento dos organismos como envoltório nuclear, os eucariotas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

experiência de de Miller-Urey


A experiência de de Miller-Urey (1951)consistiu em:

1.Um frasco com água em ebulição, representando o oceano primordial.

2. No frasco superior, que representa a atmosfera, vapor de água se mistura a metano, amónia, dióxido de carbono, nitrogénio e hidrogénio.

3. Descargas eléctricas fazem com os gases reajam.

4. Após uma semana, a analise de uma substância alaranjada que se acumula na armadilha revela uma mistura de compostos orgânicos como ácidos, açúcares e aminoácidos.

5. Cerca de 10-15% do carbono havia sido convertido em compostos orgânicos,2% do carbono estava na forma de aminoácidos.

As implicações destes resultados foram enormes no entendimento da origem da biodiversidade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vida (ou seu princípio) nos cometas


Em 2004 a Sonda Stardust revelapou haver coenzimas PQQ em partículas do cometa Wild 2. A superfície e o "comportamento" do cometa surpreendem cientistas

Cientistas alemães e norte-americanos descobriram novos indícios de que a vida na Terra teria surgido com a ajuda do pó de cometas. "Pela primeira vez foi constatada entre estas partículas a presença de coenzimas do tipo PQQ, substâncias presentes em todos os seres vivos, com exceção das arqueobactérias", disse Jochen Kissel, pesquisador do Instituto Max Planck da Alemanha.

A revelação fez parte de uma série de artigos publicados na revista Science, com as primeiras análises dos dados enviados pela sonda espacial Stardust, que em janeiro de 2004 passou a 236 km do cometa Wild 2.

A nave atravessou a cauda do cometa e recolheu partículas que foram transportas para a Terra - entre elas, as do tipo PQQ, essenciais para a formação de material genético. O DNA, afinal, nada mais é do que uma molécula orgânica. O processo de criação dos genes antes do surgimento das primeiras formas de vida ainda é um mistério para os cientistas. "É a famosa pergunta sobre o ovo e a galinha. Agora sabemos que um dos dois veio do espaço", disse o físico Franz Krueger, co-autor do estudo.

Hoje o pó estelar que chega à Terra será pouco influente, pois os seres vivos produzem seu próprio material genético.

"As coenzimas do tipo PQQ foram criadas com a ajuda de radiação cósmica a partir de moléculas existentes sobre a superfície de partículas minerais," disse o físico.

Krueger foi um dos cientistas que produziu o espectrómetro instalado na sonda, que permite analisar as partículas cósmicas directamente do espaço.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Outras formas de vida em outros planetas ou sistemas


Bahá’u’lláh sobre a existência de vida Além da forma terrena afirma: ”Tu perguntaste-Me, ademais, sobre a Natureza das esferas celestes. A fim de compreender sua natureza, seria necessário inquirir o sentido das alusões feitas nos Livros da antiguidade às esferas celestes e aos céus, e descobrir o caracter de sua relação com este mundo físico e a influência que sobre ele exercem. Todo o coração maravilha-se diante de um tema tão deslumbrante e toda a mente se confunde diante de seu mistério. Deus, tão somente, pode penetrar no seu intuito. Os eruditos, que fixaram em alguns milhares a vida desta terra, deixaram de considerar, por todo o longo período de sua observação o número ou idade de outros planetas. Pensa, além disso, nas múltiplas divergências que resultaram das teorias propostas por esses homens. Sabe tu, que cada estrela fixa tem seus próprios planetas, e cada planeta, suas próprias criaturas, cujo número homem algum pode computar.”

Procurei uma interpretação deste texto por parte do Mestre ou Guardião da Fé Bahá'í mas penso tal não existir, apenas que no futuro a ciência explicará esta passagem.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Panspermia

Panspermia

Para os defensores desta teoria para a vida se ter formado aqui terá de sê-lo a partir dos elementos químicos que deram origem ao nosso planeta (“Geração Espontânea”), como alternativa propõem que a vida veio de fora, em estágio de desenvolvimento que pode ter sido mais ou menos complexo (“Panspermia”).
Nas ultimas décadas cresceram mais as dúvidas relativas à teoria da Geração Espontânea. Essa teoria continua a ser a mais aceita, menos por “evidências” a seu favor e mais pela nossa dificuldade no entendimento de certas questões básicas relativas a Panspermia.
(Como a vida poderia sobreviver à radiação emitidas pelas as estrelas e presente por toda Galáxia?; Como a vida poderia ter “viajado” ate nossa planeta?; etc...)
A origem da vida” è uma das grandes questões cientificas da Humanidade e tem sido abordada pelos mais ilustres pensadores há milénios.
A teoria da Geração Espontânea tem tido a preferência da ciência a mais de dois mil anos. Durante a idade média, contou com inúmeros defensores, tais como Santo Agostinho, Santo Tomas de Aquino, René Descartes, Isaac Newton.
Aristóteles defendia a “Geração Espontânea”. Foi ele o formulador da primeira teoria cientifica de origem da vida que conhecemos.
A teoria da Geração espontânea, tal como formulada por Aristóteles, só foi refutada definitivamente no século XIX, graças ao trabalho Louis Pasteur.
Um dos primeiros opositores de destaque a “teoria oficial” da Geração Espontânea foi o médico e naturalista florentino Francesco Redi (1626-1698). Em resposta a Aristóteles, Redi demonstrou experimentalmente que só aparecem larvas de moscas na carne podre.
Redi, intrigado com a inúmera produção de germes que se verificavam quotidianamente em cadáveres e vegetais em decomposição, e convicto da não-existência da Geração Espontânea, pressupôs que esses germes seriam gerados por inseminação(reprodução sexuada), e que o material em decomposição serviria apenas para deposição dos ovos à época da reprodução e para a nutrição dos germes recém-formados. Deu inicio, então, a uma serie de experiência, com intuito de comprovar esta hipótese).
No século passado a ideia “panspermica” ressurgiu com força. Algumas teorias extravagantes, tal como a “Panspermia Dirigida” de Franco Circo e Lesei Orle, foram muito discutidas, principalmente por seu forte apelo entre os amantes da ficção cientifica. Segundo esses autores, seres inteligentes pertencentes ao outros sistemas planetários, teriam colonizado a Terra e provavelmente outros planetas. O grande argumento a favor dessa teoria estaria no fato do molibdénio, elemento raro no nosso planeta, ser essencial para funcionamento de muitas enzimas chave do metabolismo do seres vivos.


(A nova Panspermia)

Fred Hoyle (citado anteriormente) foi um dos maiores defensores da panspermia. Juntamente com Chandra Wickramasinghe (na foto), formulou a “nova Panspermia”, teoria segunda a vida se encontra espalhada por todo universo. ”Esporos de vida” fazem parte das nuvens inter-estrelares e chegam a planetas próximos as estrelas, abrigados no núcleo de cometas. Esses “esporos” já conteriam códigos que reagiriam seus desenvolvimentos futuros.
Hoyle e Wickramasinghe, e agora apenas Wickramaghe, tem procurado indentificar os componentes presentes na poeira interestelar, através de “traços” que esses componentes possam ter deixado na radiação infra vermelha emitida por essa poeira ou na absorção da luz vizivel que atravessa essas nuvens.
Estudos que também tendem para o lado da panspermia afirma que desde o nosso Sistema Solar formou-se há cerca de 4,6 bilhões de anos, quem ousaria afirmar que outros sistemas no universo poderiam ter se formado 10 bilhões de anos antes? Sabe-se que o intervalo da formação do nosso sistema solar em relação ao inicio da vida na é terra muito curto supõe-se que se ouve o mesmo intervalo curto em outros sistemas planetários mais antigos cria-se a possibilidade de existência de sociedades tecnológicas de outros pontos da galáxia ate antes da formação da Terra.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quando e como começou a vida na Terra?

Quando e como começou a vida na Terra?

Fred Hoyle apoiou a teoria de um "Universo Estacionário", tentou explicar como o universo poderia ser eterno e essencialmente imutável mesmo que as galáxias se afastassem umas das outras. A teoria apoiava-se na formação de matéria entre as galáxias de tempos em tempos, de modo que mesmo que as galáxias se afastassem umas das outras, novas galáxias que se desenvolviam entre elas enchiam o espaço que elas deixavam vago. O universo resultante está em um "estado estacionário" da mesma maneira que um rio que flui - as moléculas individuais de água movem-se, mas novas aparecem e o rio parece ser imutável.

No entanto pretendo citá-lo na explicação da origem da vida no planeta Azul. Segundo este autor a vida surgiu no espaço, espalhando-se pelo universo via panspermia, e que a evolução na Terra é dirigida por um fluxo constante de vírus que chegam via cometas.

No seu livro de 1981/4 "Evolution from Space", calculou que a probabilidade de se obter o conjunto de enzimas necessárias para a mais ínfima célula era de uma em 10 40.000 [está em forma de potência] . Como o número de átomos no universo conhecido é infinitamente menor em comparação (1080), ele argumentou que mesmo um universo inteiro cheio de "sopa primordial" não teria nenhuma chance. Ele disse:

The notion that not only the biopolymer but the operating program of a living cell could be arrived at by chance in a primordial organic soup here on the Earth is evidently nonsense of a high order.

A noção de que não somente o biopolímero, mas também o programa operativo de uma célula viva possa ter surgido por acaso em uma sopa orgânica primordial aqui na Terra é e evidentemente um absurdo de ordem superior.

Hoyle comparou o surgimento aleatório da mais simples célula à probabilidade de que "um tornado varrendo um depósito de lixo possa fabricar um Boeing 747 a partir dos materiais lá disponíveis.


Eu: Independentemente de concordar ou não com algumas das suas teses, é sempre gratificante para um crente no Divino ver defendida a noção de que a vida surgir por um acaso é um absurdo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Variação do preço do Petróleo

Já viram isto?

LONDRES (Reuters) - Os futuros do petróleo nos Estados Unidos caíram mais de quatro dólares, para 63,05 dólares o barril, depois que o ministro do petróleo da Arábia Saudita afirmou que a Opep concordou em reduzir a produção em 1,5 milhão de barris por dia.

Realmente o mercado oscila de forma não muito regulada.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Novo Pearl Harbor?

Isto nada mais é do que uma transcrição do texto de Pedro Canais, mas acho que vale a pana ler e tentar confrontar com as projecções de Shoghi Effendi.

"Pearl Harbor significou o início da guerra por todos os continentes. Foi uma agressão traiçoeira que só podia merecer a aniquilação total de quem a desencadeou. Será que foi isto que Warren Buffett quis dizer? Talvez não. O mundo dele é financeiro.

Falava-se há anos no défice público dos EUA e na paciência da China em suportá-lo. Dizia-se também que os bancos norte-americanos estavam tão endividados que, no dia em que alguém se lembrasse de pedir contas, seria o caos. Está a ser. E talvez Warren Buffett não se refira a mais do que isto. Ao facto de ter sido do lado de lá que veio a pergunta que deu origem à crise: onde está o meu dinheiro?

Se for verdade, significa também que as grandes decisões sobre movimentos de capitais estão a mudar de eixo neste momento. Com o Oriente a ganhar a frente do palco.

Há quatro anos, publiquei um romance que tem como pano de fundo os primeiros passos da globalização. Coloquei um herói a viver uma das circunstâncias em que a nossa literatura de viagens dos séculos XV e XVI é a mais rica de todas: os encontros de culturas. Com uma diferença: este herói não era apenas cristão mas também muçulmano e um bom conhecedor da lei judaica. Escrevi aquilo que achei ser a verdade do choque de civilizações… do século XVI. E, na minha opinião, as três heranças monoteístas com raiz em Moisés revelaram-se absolutamente incapazes de compreender o essencial do pensamento do Oriente. Pasmam, e depois ignoram.

Estabeleci a seguir que o meu próximo romance teria como pano de fundo as circunstâncias do presente e o novo choque de civilizações. Queria perceber de que forma o jogo das culturas pode proporcionar a felicidade ou o desgosto a uma série de personagens, cada qual com o seu propósito na vida.

Quando comecei a escrever este segundo romance, voltei a olhar para as premissas do primeiro. E apercebi-me de que essa noção de equilíbrio que o meu herói Martim Regos viu e ignorou no Oriente, essa postura essencial que estava na base da conduta humana dos orientais, é coisa que se perdeu entre nós ainda na Antiguidade Clássica.

Depois de Constantino e da conversão oficial do Império Romano à fé cristã, tivemos um Mandamento Novo a reger-nos, absolutamente extraordinário, mas que ainda não deu frutos: amai-vos uns aos outros. Ainda está para vir quem o aplique, além da Madre Teresa.
O que fez a nossa cultura foi tomar o caminho do bem e do mal. Quebrou com tudo o que existia e recomeçou praticamente do zero, com a Cidade de Deus de Santo Agostinho como representação do mundo e com o monaquismo de São Bento como modelo de virtude.

Quando o Cristianismo se tornou humanista, a sociedade desenvolveu-se como nunca antes tinha acontecido. Foi aqui que a nossa cultura iniciou a globalização e forneceu modelos de desenvolvimento aos quatro cantos do planeta, embora quase sempre à força. Depois, veio o Racionalismo e a Ciência. Finalmente, produziu a sociedade laica, talvez porque partia de uma religião que afirmava que deve dar-se a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Milhões deixaram de ser miseráveis. E esta forma de vida venceu quase tudo o que havia para vencer. Parecia que era para sempre.

No Oriente, tudo isto passou de raspão. O lado de lá do mundo, que agora absorve como uma esponja o racionalismo tecnológico, continua a ver no equilíbrio a única solução para os problemas do mundo e para a conduta do indivíduo. Na China, o debate político ainda não foi possível, talvez apenas porque o equilíbrio se intui num ponto só e não em dois ou três, onde existam os partidos. Depois, temos os parlamentos de Taiwan e da Coreia do Sul a mostrar de vez em quando como é difícil o debate no Oriente. Julgo que as cenas de pugilato parlamentar representam sobretudo a dificuldade com que o Oriente enfrenta a indignação virtuosa, que aponta directamente para o coração do desequilíbrio do outro.
Confúcio estabeleceu as bases de uma obediência de milénios, com hierarquias lineares. Lao Tsé ensinou que a vida é um caminho em que tudo se deve evitar, se for um obstáculo à fluidez da natureza. Sidarta Gautama fez saber que as virtudes se estendem pela perspectiva de inúmeras incarnações em busca da perfeição e não no olhar sobre uma só vida. São as três maiores influências da cultura chinesa e do Extremo Oriente, de uma forma geral. E todas apontam para o equilíbrio.

De repente, o Pearl Harbour Financeiro.

De um lado, um Presidente da maior potência militar do planeta, para quem o bem e o mal são uma certeza absoluta. Do outro, um conjunto economias em crescimento aceleradíssimo, para quem estes conceitos são pouco menos do que aberrações.

Do nosso lado, chegámos à Era dos Extremos, como lhe chamou Hobsbawm. E neste percurso nada nos reorientou no sentido do equilíbrio. Nem os 500 anos de contactos, e nem sequer as infelizes consequências das Guerras do Ópio que lançaram a China há um século e meio na trajectória descendente em que viveu, até à criação do inédito socialismo de mercado livre por Deng Xiaoping.

Penso que a prática política das Democracias Ocidentais é o espelho mais nítido de uma forma de pensar que, do meu ponto de vista, nos fez aproximar do momento crítico que estamos a viver. A Democracia não encontra outra forma de se sustentar que não seja sobre os partidos políticos. Muitos deles, ainda com a chamada "obediência de voto", que oficializa um mundo a preto e branco, com o bem de um lado e o mal do outro. Mas, com ou sem essa obediência, o político tem sempre razão e está sempre em desacordo absoluto com o adversário. E mais curioso ainda, quando se analisam os resultados, ninguém estava errado.

No reverso da medalha, a independência política é tudo menos rentável. Qualquer independência, de resto. E o discurso conciliatório raramente dá votos. Cada vez menos. O conflito aberto, por outro lado, rende e prospera. Mesmo que seja vazio de conteúdo. O futebol, com todos os seus méritos e deméritos, fez-nos perder o pudor do ódio gratuito.
No primeiro debate de campanha entre Obama e McCain, o Senador do Ilinois disse por duas ou três vezes que "o senador McCain tem razão". No dia seguinte, um político profissional comentou comigo que a frase era um "erro político".

Eu julgo que toda a gente percebe o que um político quer dizer com isto. Mas para mim, um erro político é, em primeiro lugar, a assunção despudorada de que a conquista do poder ou a sua manutenção são mais importantes do que o interesse geral. Obviamente, isso não lhes interessa. O que lhes interessa é que o debate se mantenha sempre sem qualquer intercepção de conjuntos. Nada de matérias de consenso. Porque rende politicamente. Mas o que eu penso é que poderá deixar de render, se a lição desta crise for aprendida pelos eleitores.

O discurso político raramente vai além do discurso económico com fitinhas. Em tempo de guerra, acrescentam-lhe bandeiras e archotes. Pouco mais. Por isso, a economia do Ocidente tem uma história parecida.

Os extremos económicos que experimentámos até hoje em Democracia surgiram nos anos trinta, quando Keynes sugeriu ao Ocidente que as economias em depressão poderiam ser dinamizadas com o investimento público. Um espécie de tese do TGV da altura. Defendia que uma cadeia de acontecimentos se encarregaria de empurrar a economia para uma dinâmica de crescimento, a partir da iniciativa do Estado. Evidentemente, o Estado também iria regular o mercado.

Resultou. Foram trinta anos de prosperidade e crescimento, como nunca se tinha visto. O plano Marshall de reconstrução de uma Europa destruída pela guerra ficou no meio deste retrato de família.

Depois, veio a inflação e veio o declínio das taxas de lucro, com os choques petrolíferos a tornar tudo ainda mais sério. Keynes deixou de ter razão. Mas surgiu um novo guru da economia com uma solução "quase" nova: o oposto! E digo "quase" nova porque Milton Friedman veio dizer que um "laissez faire" quase absoluto seria o caminho.

Também resultou. Voltou a haver crescimento. E toda a gente se esqueceu dos riscos da economia desregulada, da tendência para os monopólios, das bolsas de pobreza crescentes, e até das situações de desespero a que pode chegar grande parte das populações enquanto o mercado não retoma o crescimento.

Desde aí, é entre estes dois extremos que temos vivido, do ponto de visto do discurso político. Na prática, domina há trinta anos a economia desregulada de Milton Friedman.
O resultado é este que estamos a viver. Os políticos esqueceram-se de que a solução de Keynes começou por ser uma proposta para atenuar os efeitos mais drásticos dos ciclos económicos que ambas as correntes reconhecem. Mesmo assim, não havia nunca a possibilidade de se encontrarem soluções políticas que fossem um meio termo. Ou era um ou era o outro. Nada de intersecções de conjuntos. Nada de pontos de consenso.

Em 1980, eu frequentava o curso de Economia da Universidade Católica de São Paulo. Por essa altura, o Chile de Pinochet, o primeiro país a aplicar esta via neo-liberal, logo a seguir ao golpe que afastou Allende, vivia já um boom económico assinalável. E um dos professores não se cansava de mostrar simpatias em relação à economia chilena. O resultado era extraordinário. Estas simpatias geravam aulas inacreditáveis, com os alunos a insurgirem-se e a radicalizaram um discurso totalmente à esquerda. Eram aulas de exercício de extremismos, ainda que apenas verbais. Naturalmente, eram potenciados pelo ódio que nascia das imoralidades do regime do general, ali mesmo ao lado. Ficou-me a imagem que eu continuo a recordar da mesma forma sempre que assisto a debates em que a economia é dissecada. Nada mudou.

A nossa cultura Ocidental estimula-nos a ver totalmente preto ou totalmente branco. E até resultou durante algum tempo. Mas, pelos visto, acabou-se. Já não governamos sozinhos.
Nos próximos anos, julgo que os políticos com relevância têm pela frente a tarefa mais difícil de todos os tempos. Conciliar as duas formas de pensar mais antagónicas que o mundo já conheceu. Fazer com que se entendam aqueles que querem viver o paraíso na terra com aqueles que preferem vivê-lo no céu.

Julgo que vai ser difícil, se prevalecer a forma de pensar e de actuar que têm seguido os políticos de uma forma geral. Porque, além de tudo, esta é apenas a primeira das dificuldades.

As mudanças que todos temos pela frente são inúmeras. E se já ninguém se espanta com as mudanças tecnológicas, nada nos diz que não poderão surgir novidades que tragam desafios ainda maiores. De facto, em quase todas as áreas do conhecimento há promessas de grandes surpresas.

Na física, a promessa de unificação das famosas teorias das cordas, talvez já sintetizadas na chamada teoria M, poderá trazer a também tão desejada unificação da teoria da relatividade geral com a mecânica quântica. O resultado será uma percepção clara das quatro forças existentes na natureza. Eventualmente, poderá ser o ponto de partida para o desenvolvimento de uma nova fonte de energia inesgotável e barata.

Imaginemos então o que será transformar de imediato todo o complexo global de indústrias petroquímicas em unidades fornecedoras desta nova solução. Também não me parece fácil imaginar tudo isto a acontecer em paz.

Na biologia, a simples resolução dos mistérios das mutações genéticas traria tantas possibilidades no campo da saúde que a esperança média de vida poderia subir de uma só vez para mais algumas dezenas de anos.

Imaginemos o que seria ter de alimentar toda a gente. Cada vez se imagina menos paz.

Mais difícil ainda, vai ser, com certeza, lidar no futuro com o conceito de Nação. Numa época em que cada vez mais se globaliza a economia, as exigências de regionalização dos centros de poder são cada vez maiores. E as Nações exigem toda a capacidade de tomar decisões políticas. Integram-se as economias e desfazem-se os mecanismos de as orientar, em caso de necessidade. As lutas pela independência que têm surgido por toda a parte são o sinal mais evidente.

Mas o problema não fica por aqui. A questão da Europa talvez seja a mais grave. No dia em que escrevo, os políticos europeus estão à beira de deixar a economia - mundial - entrar em colapso, apenas porque não se sentem mandatados pelas respectivas Nações para colocar, antes do seu país, a própria Europa. As economias dos países europeus estão muitíssimo mais interligadas do que as suas políticas. Continua a ser cada um para seu lado e agora as consequências estão à vista. Não há mecanismos de comando. Falharam até agora todas as tentativas nesse sentido. Mais uma vez, é a incapacidade política para explicar aquilo que se percebe em menos de um minuto. Sobretudo, por causa do conceito de Nação.

Para alguns, este jogo das Nações está a atravessar o momento mais crítico. E esses alguns são novamente os físicos teóricos.

Nos anos sessenta, o astrónomo soviético Nicolai Kardashev criou uma escala para medir o nível de uma civilização a partir da quantidade de energia que tem disponível. E estabeleceu que existirão civilizações de tipo I, tipo II e tipo III. A primeira, capaz de dominar e gerir todas as formas de energia disponíveis no planeta, a segunda, capaz de dominar os recursos do seu sistema solar, e a terceira, capaz de fazer o mesmo ao nível da galáxia. Com isto, concluiu que vivemos ainda numa civilização do tipo 0. Gastamos energia de plantas mortas, carvão e petróleo, mal dominamos ainda a energia que nos chega do sol ou a que está disponível nas marés e nos ventos. É assim do ponto de vista da física. E, também para os físicos, parece ser claro que uma passagem de civilização de tipo 0 a tipo I implicará uma partilha de recursos por todo o planeta, já que a disponibilidade da energia planetária não se imagina concentrada em ninguém sem que não haja conflito.

O período que estamos a viver, ainda segundo a física teórica, é uma janela de possibilidades terríveis. Temos já a capacidade para nos autodestruirmos mas não temos ainda o consenso energético global que nos levará, segundo estes físicos, à civilização de tipo I, que, em princípio, deverá fechar essa janela. Mas onde ficariam então as Nações, perante a necessária partilha de recursos?

O mais curioso, do meu ponto de vista, é que a premissa dos opostos nem sequer nas artes deixou de ser a norma entre nós. Pelo menos, até há bem pouco tempo.
Depois da exaustão do realismo e do naturalismo, que serviram sobretudo para fazer explodir uma moral num beco sem saída (em particular na literatura, mas não só), uma boa parte da produção artística voltou a mergulhar num certo romantismo de fundo, em que o Eu prevalece e quase ofusca a observação do meio. Nem que seja apenas nas idiossincrasias adoptadas na busca da forma que vai estruturar a coisa a criar.

Falando concretamente de literatura, surgiu uma tendência que pretende olhar para o homem até ao fundo do poço em que ele se transforma. Ainda hoje muita gente contempla as profundezas insondáveis do infortúnio e da desadequação do indivíduo às contingências, quando há muito se tornou evidente que a complexidade em volta do poço evidencia imagens muitíssimo mais brilhantes da nossa condição. Por uma razão simples. Porque é do lado de fora que podemos partir para o maravilhoso que nos enche por dentro. E porque é apenas no maravilhoso que podemos encontrar a liberdade necessária para ir ao encontro de todas as possibilidades que convêm à criação e ao espírito que pretende alimentar-se dela para se manter vivo.

O infeliz contemporâneo já não alcança o maravilhoso há décadas. Sobretudo se abandonou a religião, que embora lhe desse quase sempre um maravilhoso em circuito fechado, servia de consolo autêntico para a alma. Fechou-se numa concha de pragmatismo imbecil que o torna irremediavelmente deprimido se não tem um Porsche. Com o Porsche, ilude-se mais seis meses e é a infelicidade outra vez. As únicas alternativas são o poder ou o amor romântico. O sexo é um amendoim.

O maravilhoso na literatura e nas artes de uma forma geral ainda está a ser redescoberto. E até ter ressurgido, o oposto a esta tendência dominante foi quase sempre a criação à maneira do comissário político. Gente que piscava o olho àqueles com quem partilhava uma visão de mundo, e que dava voltas e mais voltas aos quadros de referências que iam mantendo a união dos amigos.

Assim mesmo, com tudo o que são novas possibilidades no mundo da criação, percebemos claramente dois opostos: um Homem virado para fora e um Homem virado para dentro.

E por tudo isto… e por todas estas circunstâncias a que nem as artes escapam, penso os desafios do futuro próximo são colossais.

Para a economia, já se percebeu que é fundamental reduzir o curso do pêndulo e não permitir que as oscilações sejam tão amplas. Para os políticos, penso que a solução deverá ser a mesma: reduzir também o curso do pêndulo.

Claro que é indefensável qualquer regime de partido único em Democracia. A Liberdade de Expressão será sempre a luta mais digna de cada ser humano. A diferença, julgo eu, estará na forma do debate. Em dizer-se ou em não dizer-se que "o senador McCain está certo".

Não sei ao certo por que terá conseguido Barack Obama juntar mais de duzentas mil pessoas em Berlim, este Verão. Não sei se foi porque tem uma voz agradável ou porque parece falar com franqueza, ao contrário da maioria dos políticos. O que sei é que, pelo menos duzentos mil voltaram a acreditar num político, que até é estrangeiro, e que até é candidato à presidência de uma Nação que foi ocupante da dos circunstantes durante mais de sessenta anos. Talvez haja alguma coisa a aprender com um homem que diz que o seu adversário tem razão neste ou naquele ponto. Um político que reduziu o curso do pêndulo. Pelo menos, na aparência.

Em Portugal, Afonso Costa proferiu há cerca de cem anos um famoso discurso em que dizia que "por muito menos crimes do que os cometidos por D. Carlos, rolou no cadafalso a cabeça de Luís XVI". Era assim que oscilava o pêndulo no parlamento português. Hoje, nem tanto. Mas isto porque os eleitores o rejeitariam. E é exactamente o que eu penso que poderá acontecer mais uma vez.

Por um lado, os políticos poderão aprender com outros - melhores políticos do que eles - as novas tácticas mais eficazes. A optar por um discurso mais credível ou até mais verdadeiro.
Por outro lado, penso que os eleitores poderão, com vantagem, rejeitar cada vez mais esta forma esclerosada que tem o seu emblema na utilização da expressão "erro político".
Finalmente, regresso ao tema que me trouxe, para dizer que quase tudo isto é pano de fundo do meu próximo romance. E para dizer ainda que a crise que atravessamos também trouxe complicações ao meu trabalho.

Uma das contingências de usar a História como matéria prima da narrativa é este inconveniente. Por causa de tudo o que está a acontecer, acabei de rasgar (de deletar, na verdade) mais de cinquenta páginas de tudo o que escrevi nos últimos meses. Também me vi obrigado a retirar alguns obstáculos que se colocavam às minhas personagens e a construir novos. A realidade mudou. Para mim, fica claro, quando se observa na construção de uma narrativa.

Pela frente de tudo isto, anda no meu novo romance uma série de personagens que ainda me faz correr quando eu quero acompanhar-lhes o passo: um casal de amantes que se amou tanto, que nem Deus conseguiu separar-lhes as almas à hora da morte; um soldado português do exército de Napoleão que pensava que era o diabo; um velho que se ocupava de neutrinos, positrões, fermiões e leptões como quem trata de miosótis; e muitas outras, espalhadas por uma história que tem início há cerca de duzentos anos e que vem até aos nossos dias.

Às minhas personagens, dou a máxima liberdade. Mas à realidade onde circulam pela maior parte do tempo não posso. Não me convém à escrita. Uma parcela do que escrevo quero que assente sobre a realidade. E talvez agora eu deva observar apenas, durante algum tempo. Mas também não tenho pressa. In medio virtus. Que é como quem dizia, lá pelo início da nossa civilização, "no meio é que está a virtude". Mas de uma coisa, não tenho dúvidas: o meu mundo já mudou. "
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terça-feira, 21 de outubro de 2008

O quark

Os quarks têm uma unidade de "carga hadrónica", que aparece em três tipos distintos ("cores). O campo associado a esta "carga" origina a força nuclear forte, responsável pela coesão dos hadrões. A teoria que estuda a dinâmica de quarks tem o nome de "Cromodinâmica Quântica". Segundo esta teoria, os quarks podem formar estados ligados aos pares (nesta caso quark e anti-quark) e em grupos de três (neste caso ou três quarks ou três anti-quarks) . Os pares de quarks são chamados mesões; um grupo de três quarks é um hadrão. O protão é formado por dois quarks "up" e um quark "down". O neutrão é outro estado ligado de três quarks, dois deles "down" e um "up".

Os quarks têm carga eléctrica -1/3 ou 2/3, tomando como unidade o módulo da carga do electrão. As antipartículas dos quarks têm carga oposta.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Paul Krugman, Nobel da Economia

A Real Academia Sueca das Ciências anunciou hoje (13-10-2008) a escolha de Paul Krugman para o prémio Nobel da Economia, pela elaboração de uma nova teoria que integrou as investigações sobre as trocas comerciais e a geografia económica, dois campos ainda por explorar.

"Paul Krugman trouxe uma inovação fundamental para a teoria do comércio internacional, sustentando e provando que há certas situações em que os mercados não funcionam bem", considerou o ex-ministro das Finanças Silva Lopes.

O economista e professor Universitário João César das Neves considerou que a atribuição do Nobel a Krugman distingue "uma ideia muito simples, mas que revolucionou a teoria do comércio internacional ... Paul Krugman demonstrou que pode haver comércio internacional se houver vantagens de escala e esta ideia genial mudou a economia do comércio mundial".

Até à publicação do artigo de Krugman sobre o comércio internacional, na década de 1970, a teoria que vigorava "era baseada na hipótese de que os mercados funcionavam bem" sozinhos e o mérito do novo Nobel da Economia foi, na opinião de Silva Lopes, "ter resistido a esta ideia".

Ninguém me pediu opinião mas sou daqueles que penso que dos EUA vem os problemas e as soluções para a humanidade - mas que estas últimas superam as anteriores.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O actual desequilíbrio tem solução

Os escritos Bahá’is subentendem que a protecção, exploração e extracção dos “vastos e inimagináveis recursos” terrenos, devem, inevitavelmente, a longo prazo, estar sob a jurisdição de um “sistema federal mundial” . Esse sistema basear-se-á no reconhecimento da “unidade do género humano” , exercerá uma “autoridade incontestada” sobre os recursos terrenos, mas assegurará, igualmente, a justiça social e económica. Shoghi Effendi escreve:
O advento da Revelação de Bahá’u’lláh...deve ser considerado o período em que a humanidade inteira chega à maturidade. Não deve ser vista como apenas mais uma das renascenças espirituais pelas quais o sempre variante destino da humanidade a fez passar, nem como somente uma etapa mais adiantada numa série de Revelações progressivas, nem mesmo como a culminação de um dos ciclos proféticos que, de tempos em tempos, se repetem, mas, antes, devemos vê-la como o indício da etapa final e mais elevada em toda a estupenda evolução da vida colectiva do Homem sobre este planeta. No que diz respeito a esta vida planetária, devemos considerar como ponto culminante na organização da sociedade humana, a formação da comunidade mundial, a adopção do conceito de cidadão do mundo, a fundação de uma civilização mundial e uma cultura mundial, embora o Homem como indivíduo possa, ou melhor, deva, continuar sempre a progredir e a desenvolver-se em consequência desta consumação...

A unidade do género humano, tal como foi concebida por Bahá’u’lláh, pressupõe o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, credos e classes estejam solidarias e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos seus estados membros e a liberdade e iniciativa individual das pessoas que a compõem esteja definitiva e totalmente salvaguardada. Nessa sociedade mundial, a ciência e a a religião, as duas forças mais potentes na vida humana, reconciliar-se-ão, cooperarão, e desenvolver-se-ão harmoniosamente...Os recursos económicos do mundo serão organizados, as suas fontes de matérias-primas serão empregues e integralmente utilizadas, os seus mercados serão coordenados e desenvolvidos, e a distribuição dos seus produtos será equitativamente regulamentada.

Rivalidades nacionais, ódios e intrigas cessarão, e a animosidade racial e preconceitos serão substituídos pela convivência racial, compreensão e cooperação. As causas de contenda religiosa desaparecerão, as barreiras económicas e restrições serão completamente abolidas, e as habituais distinções entre classes serão aborrogadas. Os destituídos por um lado, e as vastas acumulações por outro lado, desaparecerão. A enorme energia despendida e desperdiçada na guerra, tanto económica como política, serão consagradas para fins como o aumento das escala das invenções humanas e desenvolvimento tecnológico, para o aumento da produtividade do género humano, o extermínio de doenças, o incremento da investigação científica, o aumento do nível de saúde, o nítido aperfeiçoamento do cérebro humano, a exploração de desprezados e insuspeitos recursos do planeta, o prolongamento da vida humana, e mais do que qualquer outro movimento pode estimular o intelecto, a moral, a vida espiritual de toda a raça humana.

Um sistema federal mundial, regendo todo o Planeta e exercendo uma autoridade inquestionável sobre os seus inimagináveis e vastos recursos, combinando e incorporando os ideais do Oriente e Ocidente, liberto da maldição da guerra e suas misérias, e as fontes de energia disponíveis na superfície do Planeta, um sistema em que a Força está submetida à Justiça, cuja vida é sustentada pelo reconhecimento universal de um só Deus e pela sua fidelidade a uma Revelação comum - tal é o objectivo destinado para a humanidade, que impulsionada pelas forças unificadoras da vida, vai-se deixando conduzir.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Prémio Nobel da Física

O Prêmio Nobel de Física 2008 foi atribuído ao americano Yoichiro Nambu (na fotografia) de 87 anos e nascido em 1921 no Japão trabalhando actualmente no Instituto Enrico Fermi de Chicago e aos japoneses Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa por trabalhos sobre a física de partículas elementares da matéria, os quarks, anunciou hoje (07-10-2008) o Comité Nobel da Real Academia Sueca. Kobayashi, 64 anos, é professor honorário do Centro de Pesquisas de Tsukuba (Japão) e Maskawa, 68 anos, é professor honorário no Instituto de Física Teórica de Yukawa (Japão).

Nambu , receberá metade do prémio pela "descoberta do mecanismo de ruptura espontânea de simetria em física subatómica", segundo o júri do Comité Nobel.

Os seus trabalhos alimentam a teoria do "Modelo Standard", que tenta descrever as partículas elementares que ajudam a explicar a natureza da matéria e as origens do Universo, criado no "Big Bang" há 14 bilhões de anos.

Os dois cientistas japoneses foram premiados pela "descoberta da origem da ruptura espontânea de simetria que supõe a existência de pelo menos três famílias de quarks na natureza", acrescenta o Comité.

O quark é uma partícula subaquática fundamental de carga eléctrica fraccionário (2/3 ou 1/3 da carga do electrão) e de spin + 1/2, considerada um dos constituintes fundamentais da matéria.

A questão da simetria faz parte dos grandes enigmas da Física. Durante a formação do Universo, no momento do Big Bang, foram produzidas quantidades iguais de matéria e de antimatéria que deveriam ter se anulado mutuamente.

"No entanto, não foi isto que aconteceu", destaca o comunicado do Comité Nobel. "Houve um desvio minúsculo de uma partícula suplementar de matéria por cada 10 bilhões de partículas de antimatéria. É esta ruptura de simetria que parece ter permitido a sobrevivência de nosso Universo", acrescenta a Academia.

Até hoje boa parte do que realmente aconteceu em nosso Universo não foi explicado. O superacelerador de partículas que foi colocado em funcionamento em Genebra, mas foi desligado por problemas de vazamento, tentava encontrar respostas, lembram os membros do júri.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Stephen Hawking não é da minha opinião

Falando esta 4.ª feira aos jornalistas na Universidade de Santiago de Compostela, na Galiza, Stephen Hawking, professor de Física Teórica da Universidade de Cambridge considerou que as leis em que se baseia a Ciência para explicar a origem do Universo "não deixam muito espaço nem para os milagres nem para Deus".

Citando a edição online do diário espanhol "El País", ele entede que o desenvolvimento da Ciência permitirá um dia "dar uma resposta definitiva sobre a origem do Universo".

Referindo-se às experiências que vão ser levadas a cabo no LHC - o gigantesco acelerador de partículas do CERN, em Genebra, que agora está parado devido a uma avaria - Stephen Hawking acha que "seria muito mais interessante" para a Ciência se o LHC não encontrasse o bosão de Higgs, a partícula elementar que falta descobrir para completar o actual modelo de explicação da matéria, da sua composição e origem.

Com efeito, se o Higgs não fosse encontrado, os cientistas chegariam à conclusão "que algo está mal e que precisam de voltar a pensar sobre o assunto", isto é, a ciência teria de encontrar um novo modelo-padrão para explicar a matéria.

Sobre a evolução da espécie humana, Hawking defende que "o futuro a longo prazo da raça humana está no espaço" e fez um prognóstico muito pessimista: "Será muito difícil evitar um desastre no planeta Terra nos próximos cem anos".

Em todo o caso, tal como ele, entendo que por fim nos safaremos.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Em breve cá estaremos

Ausentar-me-ei por uns tempos....

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Emancipação da mulher

Um dos princípios Bahá’is reside na igualdade de direitos entre homens e mulheres, pois não é justo mais de metade da Humanidade estar subjugada. Este princípio é defendido por várias organizações não governamentais, como foi notório nas conferencias promovidas pela O.N.U., sobre desenvolvimento e direitos da Mulher que se realizaram no Cairo, Copenhaga, Pequim e Ancara.

Há cerca de 150 anos Tahireh, discípula do Báb, tirou o véu perante uma assembleia de distintos sacerdotes muçulmanos persas, o que teve como consequência a sua condenação à morte. Pela primeira vez na história das religiões um Profeta escolheu uma mulher como Sua discípula.

Em Portugal, no seu quadro político-constitucional está inequivocamente afirmado o princípio da não discriminação. Manuela Silva no Seminário “As Mulheres e os Direitos Económicos e Sociais” aludindo a situação em Portugal refere que: “as mulheres encontram-se maioritariamente em ramos produtivos, profissões e postos de trabalho menos valorizados; em igualdade de circunstâncias de sector, profissão e nível, as remunerações médias das mulheres são significativamente inferiores aos dos seu colegas masculinos; é entre as mulheres que se verificam as maiores diferenças entre a qualificação do posto de trabalho e a qualificação académica pessoal de quem o desempenha; a incidência do desemprego e do trabalho precário é superior no caso das mulheres; a percentagem relativa de mulheres em cargos de chefia e direcção é notoriamente mais baixa do que aquela que se verifica entre os seus colegas masculinos”. Face ao quadro acima referido. Manuela Silva deixou a seguinte questão: “Que seria da sociedade e da própria economia se, num único dia do ano, as mulheres suspendessem o cuidado com os seus filhos, a sua parte no desempenho das tarefas domésticas, o serviço de assistência aos doentes e idosos, se deixassem de cozinhar e, de modo geral, suspendessem as mil e uma tarefa gratuitas do seu dia a dia?”.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Marte e possibilidade de vida no seu seio

A nave de prospecção Phoenix confirmou a existência de gelo na superfície de Marte em 20 de Junho do mês transacto, os cientistas estudam a sua composição química de forma a confirmar se há material orgânico.

"É muito emocionante que tenhamos encontrado gelo em baixo do lugar onde desceu" a cápsula Phoenix, afirmou, em entrevista colectiva, Peter Smith, da Universidade do Arizona, que dirige a vertente científica da missão.

"Temos certeza que encontramos uma superfície com gelo", acrescentou. A escavadora da Phoenix abriu um pequeno buraco no qual, aparecia um material branco e brilhante. Imagem à esquerda foi tirada no dia 15 de junho, e a da direita, no dia 18

terça-feira, 22 de julho de 2008

A Beleza como valor

A religião Bahá’i é a religião da Beleza. O mundo futuro dever-se-á apresentar bastante diferente das imagens que nos vão sendo oferecidas. De forma alguma se assemelhará ao género de filmes de ficção científica em que tudo surge feito de material sintético. As Escrituras Bahá’is estão imbuídas de imagens encontradas na Natureza e os Seus lugares Sagrados são embelezados por jardins.

Bahá’u’lláh refere-se a Si Próprio como:

“A Primavera Divina”[i],“O Rouxinol do paraíso que canta sobre a Árvore da Eternidade com santas e suaves melodias”[ii], “Sou Eu o Sol da Sabedoria do Oceano do Conhecimento. Dou alento aos esmorecidos e revivifico os mortos. Sou a Luz que guia, que ilumina o caminho. Sou o Falcão real, no braço do Omnipotente. De cada ave desfalecida, desdobro as asas caídas e impulsiono-lhe o vôo”.[iii]

A beleza é um ornamento que é intrísseco à própria Revelação Bahá’i.

No início do Livro Sacratíssimo Bahá’u’lláh diz: “Observai os Meus Mandamentos por Amor à Minha beleza.”[iv]

Nas Palavras Ocultas Ele diz:

”Velado em Meu Ser imemorial e na eternidade antiga de Minha Essência, conheci Meu amor por ti e assim te criei, gravando em ti Minha imagem e revelando-te Minha beleza.”[v]


[i] Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh página 29

[ii] Orações Bahá’is, página 29, Epístola de Ahmad

[iii] Epístolas de Bahá’u’lláh, página

[iv] Kitab-i-Aqdas, página 18

[v] Palavras Ocultas, página

sábado, 19 de julho de 2008

Ainda a Energia Nuclear

A indústria nuclear parece estar numa nova era de desenvolvimento sem precedentes, motivada sobretudo pela prevista escassez de combustíveis fósseis e pela necessidade de controle da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, que causa o aquecimento global.

Mesmo alguns antigos e ardentes opositores da energia nuclear, como Patrick Moore, co-fundador do Movimento Greenpeace, mudaram de opinião e agora defendem seu uso, "porque a energia nuclear é a única fonte de potência que não emite gases do efeito estufa e que pode substituir os combustíveis fósseis eficazmente, atendendo a crescente busca energética mundial”. De facto, as 443 Centrais Nucleares hoje em operação no mundo evitam a emissão de 3 mil milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera, caso fossem centrais termoeléctricas convencionais, o que equivale ao emitido pela exaustão de mais de 430 milhões de automóveis, aproximadamente.

O director- geral da AIEA A Agência Internacional de Energia Atómica, Mohamed El Baradei considera: "A margem de segurança, dentro do atual regime de não-proliferação, ficou muito estreita para ser confortável; é hora de limitar o processamento de materiais utilizáveis para armamentos (plutónio e urânio enriquecido) em programas nucleares civis..."

Continuo um pouco céptico em relação ao nuclear, até porque a escassez com que nos debatemos perante o petróleo também poderá ocorrer face ao urânio, caso se recorra ao U235 ou U238, mas sobre este assunto se alguém quiser fazer um cometário será bem-vindo.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Bons e Maus

Quando há confrontos entre povos sabemos que cada um tem a sua verdade. Não me esqueço de ouvir persas, enquanto eu descrevia as nossas gloriosas façanhas de descobridores cantadas nos Lusíadas, a considerar os nossos antepassados como piratas.
Também na fundação do Estado de Israel o lado do confronto determinará a verdade de cada um.
É um assunto delicado e melhor faria se não escrevesse sobre ele. Vou-me referir à troca de prisioneiros e cadáveres entre o Hezbollah e Israel. Reparemos como cada uma das partes do confronto valoriza a pessoa humana - não só dos seus mas também a dos outros.
Não, não sou imparcial nesta situação.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Energia Nuclear em Portugal?

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, defendeu terça-feira que "a alteração estrutural dos preços da energia está para ficar e tudo tem de ser discutido, incluindo o nuclear".

O antigo secretário de estado do Ambiente Eduardo de Oliveira Fernandes considera "inoportuno" relançar a questão da energia nuclear, considerando que as declarações do governador do Banco de Portugal sobre o assunto só podem ser "um lapso", por se estar a propor "a discussão quando não existe documento para discutir e porque este Governo disse que a energia nuclear não seria tema a debater neste mandato".

A Quercus, a associação ambientalista da qual já fui membro, já acusou Vítor Constâncio de «ingenuidade e desconhecimento». Fico com a ideia que primeira se apresenta a conclusão, refutar o nuclear, e depois vamos procura os factos que sustentem essa mesma conclusão.

As novas gerações de centrais nucleares decompõem os resíduos nucleares de acordo com um processo denominado fissão assistida. Os defensores da utilização da energia nuclear como fonte energética consideram que estes processos são, actualmente, as únicas alternativas viáveis para suprir o crescente escassez mundial de energia perante as suas necessidades, e alternativa real aos combustíveis fósseis. Muitos consideram a utilização da energia nuclear como a mais limpa das alternativas existentes.

Da minha parte, não veja inconveniente em que os assuntos sejam discutidos, embora não queira viver com nenhuma Central Nuclear por perto.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Perspectiva para o Futuro

‘Abdu’l-Bahá faz um esboço do seguinte quadro do futuro estado da vida na Terra: ”O Senhor de toda a humanidade moldou este reino humano para ser o Jardim do Éden, o paraíso terreno. Se, como lhe cumpre, ele encontrar o caminho da harmonia e da paz, do amor e da confiança mútua, este domínio tornar-se-á uma verdadeira morada de bem-aventurança, um lugar de múltiplas bênçãos e deleitessem fim onde a excelência da humanidade far-se-á manifesta e os raios do Sol da Verdade resplandecerão sobre todas as regiões.

A humanidade necessita de ser justa com os seus congéneres, com os outros seres vivos e sobretudo com as gerações vindouras: “A luz dos homens” declara Bahá’u’lláh, “é a Justiça. Não a apagueis com os ventos adversos da opressão e da tirania. O propósito da Justiça é o aparecimento da unidade entre os homens. O oceano da Divina Sabedoria encapela-se nesta palavra Excelsa, embora os livros do mundo não possam conter o Seu significado interior."



terça-feira, 8 de julho de 2008

Departamento sobre Meio Ambiente

Casa Universal de Justiça, no que diz respeito à preservação da “vida selvagem e da condição natural do mundo[i], dá as seguintes linhas de conduta: "As comunidades Bahá’is são chamadas para fazer da conservação do meio-ambiente uma parte integral das suas actividades correntes para: “Ajudando nos esforços para conservar o ambiente de forma a que combine com o ritmo de vida da nossa comunidade.”[ii]

O endereço do Departamento sobre Meio Ambiente é:

Bahá’i International Community Office of the Environment, New York 866 United Nations Plaza, Suite 120 New York, NY 10017, USA

ou

Escritório Bahá’i de Meio Ambiente no Brasil Caixa Postal 7035 - 71619 Brasília, DF



[i] Conservação dos recursos da Terra, página 29

[ii] Conservação dos recursos da Terra, página 30

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Mensagens da Casa Universal de Justiça

Em 23 de Agosto de 1993 a Casa Universal de Justiça, instituição máxima da estrutura organizativa Bahá’i, respondeu a uma carta de um crente que se referia à possibilidade de um desastre ecológico, tendo apontado algumas linhas gerais:

”Até que venha a época em que as nações do mundo entendam e sigam os ensinamentos de Bahá’u’lláh de forma a trabalharem em conjunto, procurando de todo o seu coração servir os melhores interesses da Humanidade, e a unidade na procura de soluções que possam resolver os vastos problemas ambientais que afectam o nosso planeta, a Casa de Justiça sente que pouco progresso poderá ser feito em direcção à sua resolução. A situação salientada na sua carta é um exemplo da urgente necessidade para uma cooperação global na procura de medidas e adoptando formas para preservar o equilíbrio ecológico da Terra que lhe foi dada por Seu Criador.

Naturalmente, um esforço de cooperação nesta área diz respeito a um aspecto no dia-a-dia da Humanidade, e há inúmeras outras áreas que clamam por uma atenção conjunta de governos e líderes de pensamento.

Assim que as instituições e os Bahá’is individualmente, por toda a parte do mundo estejam envolvidos de forma activa, e mesmo que os seus limitados recursos possam permitir a realização de projectos ambientais de diferentes géneros, o seu principal objectivo neste recente período da Dispensação de Bahá’u’lláh deve ser, no entanto, o de promulgar os ensinamentos da Causa e de levantar as Suas instituições, as quais irão ser como luzes de guia para a humanidade desesperada na necessidade do remédio para as suas doenças.

Deste modo, logo que os princípios Bahá’is de unidade estejam estabelecidos no mundo, os nossos semelhantes serão despertados para o verdadeiro propósito da vida humana e serão encorajados a promover o que os guiará ao supremo bem de todos. Evidentemente que os Bahá’is de forma individual, em especial aqueles em profissões relevantes, deverão estar sempre à procura de caminhos para utilizarem os seus conhecimentos de forma a melhorar a situação ambiental e esforçarem-se por influenciar as várias organizações com que tenham entrado em contacto. Por conseguinte, o amigo é encorajado a prosseguir os seus esforços individuais neste assunto. Além disso, se desejar, pode entrar em contacto com o Departamento Bahá’i sobre meio ambiente, sediado em Nova Iorque, que pode ajudá-lo, ao permitir-lhe contactos com Bahá’is interessados em assuntos desta natureza em outras partes do mundo.”[i]



[i] carta da Casa Universal de Justiça em tradução não oficial, feita pelo próprio.