A Paz Universal

No presente, estabeleceremos algumas considerações sobre a relação entre a Fé Bahá'í e o Cristianismo, anteriormente fizémo-lo relativamente ao Islão e Ambiente. Focalizaremos também outros temas. Trata-se de um blog pessoal, não representado alguma posição da Comunidade Bahá'í.

Sábado, Junho 20, 2009

Considera aqueles que rejeitaram o Espírito quando Ele lhes veio com domínio manifesto.


“Considera aqueles que rejeitaram o Espírito quando Ele lhes veio com domínio manifesto.”

O termo Espírito é utilizado muitas vezes na cultura Islâmica para designar Jesus. Embora no cristianismo seja menos recorrente.
Paulo refere-se a Espírito para designar Jesus e Deus (Carta aos Romanos 8:9).

Maomé refere-se a Jesus como o “Espírito de Deus” no Alcorão.
Bahá’u’lláh inicia esta Epístola questionando os cristãos sobre as objecções feitas à Sua pessoa. Agora estabelece um paralelo com as objecções com aqueles que rejeitaram Jesus.

No Evangelho é referido que foram os notáveis que mais se opuseram a Jesus, em particular os fariseus. Então a Beleza Antiga (um dos muitos títulos de Bahá’u’lláh) afirma que Jesus veio com “domínio manifesto”. Naturalmente que se coloca a questão se a soberania de Jesus era evidente porque razão não foi reconhecida? A que correspondia então o “domínio manifesto”? Jesus foi bastante explícito quando afirmou “o Meu Reino não é deste mundo”.

Bahá’u’lláh enfatiza que a soberania real é Espiritual e que este mundo é apenas um lugar de passagem.

Este argumento surge frequentemente nos Escritos Bahá’ís, demonstrando a soberania espiritual de Jesus. O que veio a colidir com as expectativas que os Judeus tinham para com o “seu” Messias que deveria ser governante (Mateus 2:3 -6 e João 12:12 – 13), com um trono (Isaías 9:6 – 7) e uma espada (66:16) tal como profetizado. É comummente aceite que estavam à espera de um Messias que os libertasse do jugo romano. Desta forma os fariseus não O viram sentado em nenhum trono, não governava o povo, não empunhava a espada. Então no seu humano julgamento, Ele não poderia ser o Messias.

No entanto, poderemos verificar passagens em que a Sua soberania é confirmada. Pedro em Actos dos Apóstolos (10:36) afirma ser Jesus “O Senhor de Todos”. João (18:37) afirma que Ele veio como um Rei, para Mateus a Sua espada eram os Seus ensinamentos (Mateus 10:34; carta aos Efésios 6:17,2; Coríntios 10:3-5) e sentou-se no trono de David (Lucas 1:32; Actos 7:49). Jesus veio para “libertar os cativos” (Lucas 4:18). Conforme a História confirma Jesus não libertou os Judeus do poderio romana, na realidade até vieram a sofrer o esmagamento de forma impiedosa durante os períodos correspondentes a Tito e Adriano.

A libertação correspondia à libertação do pecado e ao entendimento restritivo da Lei.

Assim, Bahá’u’lláh vai buscar exemplos históricos para contrapor às objecções dos cristãos, para que estes se coloquem na presença de Jesus aquando da Sua estada neste mundo contingente.

Sábado, Junho 06, 2009

65.º Aniversário do Dia-D


Venho escrever a propósito da comemoração do 65.º aniversário do “Dia-D”. Um dia que veio abreviar o maior conflito presenciado pela História, onde pereceram mais de cinquenta milhões de seres humanos.
Esta tragédia que se abateu sobre a humanidade foi profetizada por Bahá’u’lláh, fundador da Fé Bahá’í, e considerado pelos Seus seguidores como o prometido de todas as relações anteriores.
No Seu Livro Sacratíssimo, revelado por volta de 1873, enviou um aviso ao Kaiser Guilherme I, sétimo rei da Prússia, foi aclamado imperador da Alemanha em Janeiro de 1871, em Versalhes, na França, logo após a vitória da Alemanha sobre a França na Guerra Franco-Prussiana:
Ó margens do Reno! Nos vos vimos cobertas de sangue, pois as espadas da represália desembainharam-se contra vós; e haverá ainda outra vez. E ouvimos os lamentos de Berlim, embora hoje esteja em glória conspícua.”
Os intérpretes autorizados de Bahá’u’lláh explicaram este texto considerando “cobertas de sangue”, como referentes à Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), e indicava que mais sofrimento estava por vir. O tratado opressivamente severo imposto à Alemanha após a sua derrota na Primeira Guerra Mundial “provocou os lamentos de Berlim”, que meio século antes, haviam sido objecto de tão poderosa profecia.
Gostava de chamar a atenção para “haverá ainda outra vez” parecendo-me uma referência inequívoca à Segunda Guerra Mundial – não tendo esta opinião pessoal qualquer valor vinculativo.
Neste mesmo Livro Sacratíssimo é referido aos “Governantes da América e Presidente das suas Repúblicas” o seguinte “Reuni vós os alquebrados com as mãos da justiça e esmagai o opressor que viceja, com o bastão dos mandamentos de vosso Senhor”.
Toda esta tragédia que ocorreu no Dia-D, tal como naqueles dias que o precederam ou antecederam, poderia ter sido evitada se os reis e governantes contemporâneos de Bahá’u’lláh, o “Espírito da Verdade” profetizado nos Evangelhos, Lhe tivessem dado ouvidos.

Domingo, Maio 31, 2009

Tendes vós excluído de Mim por causa de Meu Nome?

Tendes vós excluído de Mim por causa de Meu Nome? Por que razão não ponderais isto em vossos corações? Dia e noite tendes estado invocando vosso Senhor, o Omnipotente, mas quando veio o céu da eternidade em Sua grande glória, d’Ele vos apartaste, permanecendo submersos na negligência.

A exclusão pelo nome é um tema já debatido no Novo Testamento entre Jesus e os fariseus. Altura que Ele clamou contra os julgamentos superficiais dos homens.
O nome ou título dos Profetas ou Mensageiros Divinos expressam a sua divindade como é o caso de “Cristo” que em grego significa “ungido”.

Assim, Bahá’u’lláh em árabe significa “Glória de Deus”. Sendo que nos Evangelhos é referido que o “Filho do Homem” virá na “Glória do Pai”.

Há várias referências no Antigo e Novo Testamento ao título “Glória de Deus”.
Poderá haver outras razões para os cristãos fazerem do título um “véu”.
Desde o facto de Pedro se referir que não poderá haver salvação sob o céu sem ser com Cristo.

No entanto no Apocalipse (19:13) há a referência a “Palavra de Deus”, o que encerra um significado mais abrangente.

Aquele que será o maior Profeta (sem almejar o título de Manifestante) do Antigo Testamento Isaías refere-se ao Messias com as seguintes palavras “e o seu será chamado de Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6).

Havendo no capítulo 7:14 a designação de “Emanuel”, que traduzido significa “Deus connosco”. Sabemos que esta profecia se refere à Pessoa de Jesus porque assim é testemunhado em Mateus (1:23).

Assim, é justo considerar que Bahá’u’lláh é uma referência a Jesus.
No livro do Apocalipse de São João (3:12) está referido: “…e escreverei sobre ele o Meu novo nome.” Ou (2:17 Dar-lhe-ei uma rocha branca e sobre a pedra um novo nome que ninguém conhece exceptuando quem a recebe.”

Bahá’u’lláh identifica-se a Ele próprio como Quem cumpre as profecias do Novo Testamento na continuação da Epístola.

Segue “Por que razão não ponderais isto em vossos corações?” clamando que a aceitação da Fé resulta da iluminação pelo Espírito Santo mais do que pela razão, como é o caso de quando Jesus perguntou aos Seus discípulos (ver onde está) “Quem dizeis que Eu Sou? ” ao que Pedro “Tu és o Cristo Filho do Deus Vivo” e Jesus disse que a resposta vinha do alto.

Prosseguindo com este parágrafo “Dia e noite tendes estado invocando vosso Senhor, o Omnipotente, mas quando veio o céu da eternidade em Sua grande glória, d’Ele vos apartaste, permanecendo submersos na negligência.”

Ao referir-se a “Dia e Noite” poderá significar a totalidade do tempo, isto é correspondendo às 24 horas ou também poderá significar as épocas áureas simbolizadas por “dia” e as menos gloriosas ou sombrias por “noite”. “O céu da eternidade em Sua grande glória” poderá ser entendido como uma referência directa a o “Filho do Homem” virá “sobre as nuvens com grande poder e glória” (Mateus 24:30). Posteriormente nesta Epístola Bahá’u’lláh afirmará vir investido de grande poder e glória nos versos VI:2 e XVIII: 5.

No Livro da Certeza (Kitabi-I-Qan) é explicada o significado desta passagem, esclarecendo o significado de “céu” e “nuvens”.

O Termo "Céu" tem um significado espiritual no Livro do Apocalipse.

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Dize tu: Ó seguidores do Filho!

III . Dize tu: Ó seguidores do Filho!
A referência a “Seguidores do Filho” é uma referência inequívoca aos cristãos, no sentido holístico sem discriminar alguma das suas inúmeras divisões.

Terça-feira, Maio 19, 2009

O Senhor de todas as eras


II.
Esta é uma Epístola, oriunda de Nossa presença, dirigida àquele que os véus dos nomes não puderam impedir de Deus, o Criador da terra e do Céu, a fim de que seus olhos se alegrem nos dias de Seu Senhor, o Amparo no perigo, O que subsiste por Si Próprio.


Esta Epístola encoraja os crentes a suportarem as dificuldades no reconhecimento de Sua Divindade. Dirige-se-lhes como sendo o “Senhor” – o Prometido por Jesus e Isaías. A referência a “véus” significa todos os factores que impedem os seres humanos de reconhecerem o “Senhor” tais como ignorância, vaidade ou o receio de perderam uma posição reconhecida.
O Amparo no perigo, o que subsiste por si próprio” confirma ser Ele o mediador enviado por Deus. Estando nós perante uma mediação material e espiritual.
Apesar de a Epístola ser dirigida a um crente (“àquele) deveremos entender como sendo dirigida a toda a humanidade – e em particular aos cristãos.
A referência a “seus olhos se alegrem” é um estímulo para as privações que um crente poderá sofrer ao seguir os ensinamentos de Bahá’u’lláh, aqueles que regerão a humanidade durante a Sua Dispensação. Os “dias de Seu Senhor” confirmam isso mesmo.
Bahá’u’lláh identifica-se como sendo “todos os Profetas” e assim o Senhor de todas as eras.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Esta é a Mais Sagrada Epístola

Esta é a Mais Sagrada Epístola, a qual se fez descer do santo Reino àquele que volveu a face para o Objecto de adoração do mundo, para o Ser que veio do céu da eternidade, investido de glória transcendente.

Em nome do Senhor, o Senhor de grande glória.


Na abertura da Epístola Bahá’u’lláh refere-se à pessoa a quem esta Epístola é escrita, ao mesmo tempo que Ele se identifica como Quem é investido com autoridade por Deus.

A expressão “Objecto de adoração do mundo” é utilizada variadíssimas vezes por Bahá’u’lláh, reforçando a Sua Divina autoridade e como sendo o “Quibla”. É de referir que na Revelação Maometana O Profeta transferiu o “Quibla” de Jerusalém para Meca na Grande Mesquita em que o Ponto Central é Kaaba. Maomé sempre evitou ser Ele visto como o próprio “Quibla”, possivelmente como reacção à adoração que os cristãos faziam a Jesus colocando-o como igual a Deus. Nesta Revelação, e considerando o estado de maturidade do género humano, o Quibla para os Bahá’ís é o local em que Bahá’u’lláh está sepultado, neste caso Akka, no norte de Israel.

Expressões como “veio do Céu da eternidade” são claras associações às palavras de Jesus gravadas nos Evangelhos. Uma vez mais uma linguagem alegórica para reforçar a autoridade divina com que foi investido.

A palavra “Céu” é possuidora de vários significados tal como explicado no Kitab-i-Qan. Tendo sido utilizado no Antigo e Novo Testamento.

Ao afirmar “investido de glória transcendente” invoca Jesus e assegura a vitória da Sua Causa.

Domingo, Maio 03, 2009

Epístola de Bahá'u'lláh aos Cristãos - Introdução


Não há a certeza a quem foi dedicada esta Epístola. Sendo possível que tivesse sido revelada a um cristão sírio, Faris Effendi, que veio a aceitar a Fé Bahá’i.

A Epístola foi escrita em árabe. Tendo sido publicada na íntegra em inglês em “Epístolas de Bahá’u’lláh” (1978).

Lawh-i-Aqdas é uma reafirmação das “certezas” já proclamadas por Bahá’u’lláh. Pudemos mesmo encontrar algumas semelhanças entre esta Epístola e o “Kitáb-i-Iqan”.

No entanto, esta Epístola faz uma proclamação directa aos cristãos – marginalizando mesmo os muçulmanos na proclamação da Causa.

O título de “Epístola Sacratíssima” faz-nos crer que terá um significado glorioso.

Mesmo estando perante um caso especulativo podemos considerá-lo como representando o papel primordial que os cristãos terão na disseminação da Causa. O cumprimento das profecias cristãs têm-se mantido vivas e chegou a época da “colheita”, do cumprir das profecias. A receptividade à Fé Bahá’í na Sua terra natal, em particular, e no mundo islâmico em geral teve muitas semelhanças com aquela que ocorreu com Jesus de entre o Seu povo.

A própria forma como as Religiões se disseminaram e desenvolveram tem grandes semelhanças. O cristianismo teve os seus primeiros aderentes de entre os poucos judeus que aceitaram Jesus como Messias, logo estes transmitiram a nova Religião aos gregos – língua em que está preservada o Evangelho de São João. Paulo levou a Religião para a então longínqua Roma. Ou seja o cristianismo veio a “brilhar” essencialmente no Ocidente. Algo de semelhante pudemos entender que vai ocorrer que já está a ocorrer neste Nova Revelação.

Bahá’u’lláh nesta Epístola exorta os cristãos para não cometerem com Ele os mesmos erros que os fariseus cometeram com Jesus. Confirma ser o mesmo Espírito que veio outrora e que com Ele chegou a época da “colheita”, do cumprimento das profecias.
Conforme considerado na bibliografia por nós consultada é referido que Bahá’u’lláh utiliza muitas vezes uma linguagem que reflectem a Sua aparente herança cultural. Nesta Epístola são usados muitos termos comuns aos cristãos que poderão resultar de no próprio Alcorão serem várias as referências ao Novo e Antigo Testamentos e às pessoas do Messias e Moisés.

Logicamente que a Mensagem Bahá’í é universalista por natureza, dirige-se a toda a humanidade mas esta tem um carácter específico para os seguidores de Cristo até porque Bahá’u’lláh contrapõe-os aos muçulmanos.