A Paz Universal

No presente, estabeleceremos algumas considerações sobre a relação entre a Fé Bahá'í com diferentes temáticas. Trata-se de um blog pessoal, não representado alguma posição da Comunidade Bahá'í.

Sábado, Fevereiro 06, 2010

O Absoluto


Este meu blog tem andado pouco activo, tendo-o aberto mais para consulta do "Povo de Bahá" ou "Herdeiro de Aécio".
Resolvi então volver com as Máximas e interlúdios de Frederico Nietzche:

"A objecção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia."

Acredito haver algo aqui de profundamente sábio.
Quando somos ardentes seguidores de uma ideologia (que pode ser religiosa, como é o meu caso) podemos facilmente cair no excesso de zelo e considerar que o outro não é digno de nós por levar as coisas sagradas de forma ligeira - quando as considera.
Assim penso que o absoluto, o óptimo são sempre conceitos a ter alguma reserva.
Se "o óptimo é inimigo do bom", então prefiro ser apenas bom.
Perdoem a imodéstia, um bom Bahá'í.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

A Cimeira de Copenhaga

No Jornal "Público" em 07.12.2009 vem escrito "ONU prevê cimeira histórica em Copenhaga"

E cito.

"A cimeira de Copenhaga, que discutirá o próximo passo internacional contra o aquecimento global, começa hoje já com uma conclusão prévia: nunca o mundo esteve tão ligado à causa climática como agora. Nas próximas duas semanas, a capital dinamarquesa estará transformada numa arena política sem precedentes em torno de um só tema ambiental.

Copenhaga poderá ficar marcada como a conferência ambiental da ONU que reuniu mais líderes mundiais. Até sábado passado, estava confirmada a presença de 105 chefes de Estado e de governo, representando 89 por cento da riqueza mundial e 80 por cento das emissões de gases com efeito de estufa, segundo dados divulgados pelo primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.

Poucas confirmações faltam para Copenhaga ultrapassar a Cimeira da Terra, que reuniu 108 líderes no Rio de Janeiro, em 1992. A presença dos responsáveis máximos de tantos países - incluindo os mais importantes na questão climática - está a ser vista como um sinal histórico.

"Estou muito optimista", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, numa entrevista ao diário dinamarquês Berlingske Tidende. "Vamos chegar a um acordo, e acredito que este acordo será assinado por todos os membros da Nações Unidas, o que é histórico", afirmou.

A conferência climática de Copenhaga poderá adoptar o esqueleto de um novo tratado para suceder ao Protocolo de Quioto, que obriga os países desenvolvidos a reduzirem ligeiramente as suas emissões de gases com efeito de estufa só até 2012.

Um painel científico da ONU estima que, até 2050, as emissões de todos os países do mundo, somadas, precisam de cair metade do que eram em 1990, de modo a evitar um aquecimento global com dimensões incomportáveis."

Se as negociações correrem bem, o novo tratado será concluído ao longo de 2010. "Com tantos chefes de Estado e de governo juntos, vamos obviamente chegar a um acordo, primeiro um acordo político e, imediatamente depois, um documento legalmente vinculativo
", disse Ban Ki-moon.

Confesso não estar particularmente optimista quanto às tomadas de decisão das potências potências poluidoras: os EUA e a China. Este é um dos caso em que, nós europeus, podemos ser um farol para o mundo.

De entre as questões mais problemáticas continuo a pensar que a "libertação" do petróleo tem de estar cada vez mais nas nossas agendas.

Sábado, Dezembro 05, 2009

A Água nas Religiões

A Água nas Religiões

Nas Religiões, o uso ritual da água segue um ritmo de envolvimento crescente: vai desde a simples aspersão, até a total imersão. Outro ritmo a considerar é o da interioridade, que vai da sensibilidade exterior àquela interior, com a ingestão de águas sagradas ou abençoadas. Gestos culturais desse tipo são notórios.
Para se livrarem do ciclo de reencarnações, os hindus mergulham no Ganges, Yamuna e Godavàri, considerados rios sagrados.

Os judeus purificam-se pela mikvá, banho ritual. Os muçulmanos lavam os pés, os
braços e o rosto antes da oração. Nos templos subterrâneos dedicados a Mithra
havia uma pia para a iniciação. Na Gália céltica centenas de lagoas e fontes eram consideradas miraculosas: beber a sua água assegurava saúde, fertilidade e boa-sorte.
Quando João Baptista voltou do deserto anunciando o tempo messiânico, usou o banho (baptismo) como sinal público de conversão (cf. Mc 1,4-5).
Jesus de Nazaré ordenou este rito quando enviou seus apóstolos a pregarem a boa-notícia do Reino de Deus (cf. Mt 28,19).

No nosso inconsciente a imersão equivale, no plano humano, à morte; e no plano cósmico, à catástrofe (o dilúvio) que dissolve periodicamente o mundo no oceano primordial. Desintegrando toda forma e abolindo toda a história, as águas possuem esta virtude de purificação, regeneração e nascimento; porque aquilo que é mergulhado nela “morre” e, erguendo-se das águas, é semelhante a uma criança sem pecados e sem história, capaz de receber uma nova revelação e de começar uma nova vida “limpa”.
O simbolismo das águas é o produto da intuição do cosmos como unidade e do ser humano como um modo específico de existência, que se realiza através da “história”.
Para os cristãos, o Messias Jesus está no centro da história, tornada por ele mesmo uma história de salvação. Mergulhar nas águas baptismais é mergulhar no mistério de Cristo: a pessoa morrendo para a iniqüidade e ressurge redimida.
É, agora, uma nova criatura (cf. Rm 6,3-5). Esta teologia regenerativa é solenemente proclamada no baptismo.
Rituais que no ponto de vista Bahá'í não se ajustam no tempo contemporâneo, como o do baptismo mas as ablações antes das orações obrigatórias mantém-se.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

A nossa água investigada pelo INPE


A escola mais numerosa de planetólogos acredita que a maior parte da água chegou
aqui com asteróides formados além da linha do gelo. O ponto positivo dessa
teoria é que a razão D/H dos asteróides é bem parecida com a da nossa água. O
número de impactos de asteróides com a Terra, porém, precisaria ter sido tão grande
que é improvável.
Outros defendem que os grãos de poeira do disco antes da linha do gelo fundiram-se e originaram a Terra. Uma nova pesquisa lança uma nova teoria para o surgimento do líquido na Terra, unificando modelos diferentes.

Ao assumir que as duas teorias podem estar em parte correctas, Karla Torres conseguiu explicar no seu doutoramento no INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)não só a quantidade de água na Terra (o que outros modelos já explicavam), mas também obteve o que parece a melhor explicação até agora para o valor da razão D/H dos oceanos. O astrónomo Othon Winter, da Unesp de Guaratinguetá, que orientou a tese defendida em 2008, apresentou os resultados na Assembleia Geral da União Astronómica Internacional, que aconteceu entre 3 e 14 de agosto, no Rio de
Janeiro. O trabalho foi submetido à revista Monthly Notices of the Royal Astronomical
Society (MNRAS).

Astrobiologia
Karla Torres especialista em Astrobiologia – disciplina que procura entender a origem da vida na Terra e onde no Universo será possível encontrar
vida extraterrestre. Descobriu um ponto de partida nos trabalhos do astrobiólogo irlando-americano Sean Raymond, da Universidade do Colorado (EUA). Ele investiga como a mecânica celeste produz as condições para que ao redor de uma estrela se formem planetas rochosos com água líquida na superfície – condição para que haja vida
como a conhecemos. Ele simulou em computador a dinâmica dos últimos estágios
da formação de um sistema planetário baseado no que sabemos sobre a origem
do Sistema Solar.

A chave parece estar no último estágio, quando os gigantes gasosos Júpiter e Saturno
já existiam, mais ou menos em suas posições actuais. Naquela época o cinturão de asteróides próximo a Júpiter tinha muito mais corpos do que tem hoje, mais de cem
mil milhões deles. Onde hoje estão Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, vagavam centenas
de embriões planetários, ou protoplanetas, sendo os menores do tamanho da Lua
(um centésimo da Terra) e os maiores, de Marte (um décimo da Terra).
Tanto Raymond quanto Karla estudaram essa última etapa da formação dos planetas
rochosos, criando no computador um modelo simplificado desse cenário. Mas
enquanto ele assumia que apenas os asteróides além da linha do gelo possuem
água, a cientista considerou que os embriões planetários também já a possuíam.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

O Deutério


A abundância natural do deutério na natureza é muito pequena embora ela tenha importante significado cosmológico.

O deutério participa facilmente em reacções nucleares. Como resultado nenhum deutério poderia ter permanecido nas estrelas. Qualquer deutério que existisse no interior das estrelas teria sido "queimado". Por conseguinte é impossível
para a teoria da nucleossintese estrelar explicar porque há algum deutério na natureza uma vez que sua abundância é sempre tão pequena.

Na água do mar a razão numérica entre o hidrogénio e o deutério é 6600 para 1 que é muito diferente da razão na crosta da Terra.

Para o Sistema Solar as descobertas feitas durante a série de voos tripulados Apollo são importantes. O pouso lunar da Apollo trouxe de volta uma folha de alumínio com iões do vento solar capturados na Lua. A partir do hélio-3 (3He) capturado podemos estimar a abundância do deutério. De acordo com estudos recentes a maior parte do deutério na nebulosa solar primitiva se tornou 3He. A razão hidrogénio/deutério da formação do Sistema Solar obtida desse modo é 40000/1. Também o resultado desta observação de Júpiter é 48000/1.

O deutério no gás intergaláctico pode ser medido por métodos de radioastronomia pois ele tem uma linha espectral característica comum comprimento de onda de 92 centímetros. Essa linha foi de fato observada em 1972 na direcção do centro da nossa galáxia e a razão estimada então entre 3000/1 e 50000/1.

A medição mais precisa foi feita nos anos recentes pelo satélite Copernicus. Este satélite pode observar linhas espectrais na parte ultravioleta do espectro. Em particular usando linhas ultravioleta podemos distinguir entre cianeto de hidrogénio e cianeto de deutério, os dois diferem somente na substituição de um átomo de hidrogênio por um átomo de deutério. A razão medida deste modo está entre 5000/1 e 500000/1.

Domingo, Novembro 01, 2009

A origem da "nossa" àgua


A História de como a Terra ganhou a água de seus oceanos é um mistério. Embora 70% de sua superfície seja coberta pelos oceanos, a região do Sistema Solar onde o planeta se formou e se encontra é um deserto no espaço. Pesquisadores que investigam o assunto divergem. De um lado, a maioria propõe que a água veio de asteróides;
de outro, que as rochas que formaram o planeta já tinham água em sua composição.

A estrela e seus planetas surgiram do material de uma nuvem interestelar de gás
e poeira há mais de 4,5 biliões de anos.

Depois que o Sol nasceu, o que restou da nuvem formou um disco em seu entorno, que é
de onde surgiram os planetas e sua água.

Na faixa do disco entre o Sol até uma distância de 2,5 UA (unidade astronómica
– uma UA tem 150 milhões de quilómetros ,que é a distância da Terra ao Sol),
a água permaneceu na forma de vapor, que tendia a escapar para a parte mais
externa do disco. A partir desse ponto, a temperatura já era baixa o suficiente para
a água condensar em cristais de gelo.

Essa fronteira é conhecida como a linha do gelo. Enquanto a proporção de rocha
para água na Terra é de 0,02%, os corpos que se formaram além de 2,5 UA possuem
mais água em sua composição, como os cometas, que são feitos de 80% de gelo.

Daí supunha-se que a água teria vindo dos cometas que caíram aqui. Isso mudou
no final da década de 1990, quando astrónomos observaram que a composição da água dos cometas não correspondia com a da Terra. Essa comparação é feita com a chamada
“água pesada”, que leva esse nome porque é composta por um tipo de hidrogénio
mais “gorducho” que o tradicional.

Conhecido como deutério (D),tem no seu núcleo um protão e um neutrão, enquanto
o hidrogénio (H) só tem um protão.

Astrónomos descobriram que a proporção entre água pesada e normal (razão D/H)dos cometas era diferente da terrestre. Assim, poderiam ter contribuído no
máximo com 10% de nossa água.

A razão D/H indica onde no Sistema Solar a água se formou. Observações sugerem
que quanto mais distante do Sol, mais deutério a água tem. A água dos cometas
tem uma razão D/H duas vezes maior que a terrestre, que é de 149 átomos de deutério
para um milhão de átomos de hidrogénio normais. A proporção daqui, no entanto,
parece ser grande demais para a distância de 1UA, o que sugere que nossa água
seja uma mistura de águas formadas em diferentes regiões do Sistema Solar. De
onde reside a questão.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

O que é um Planeta?


O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de
Lisboa (Vários, 2001) define “planeta” como “astro sem luz própria que gira em torno do Sol ou de outro planeta, descrevendo uma órbita de pequena excentricidade”. Note-se que esta definição exclui os cometas (porque têm órbitas muito excêntricas) e os planetas extra-solares (já catalogados umas dezenas, mas que não orbitam à volta do Sol) mas inclui um número imenso de asteróides (e todas as partículas dos anéis de Saturno, Úrano e Neptuno).

Vamos limitar um pouco esta definição, considerando que só é planeta um corpo de massa suficientemente grande para ter tomado uma forma “aproximadamente” esférica por acção da gravidade, o que tem outra consequência: uma estrutura interna concêntrica e descontínua por efeito de segregação gravitacional. Isto deixa-nos com:
- os oito planetas principais, Mercúrio, Vénus, a Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano, e Neptuno - os planetas anões, Plutão, Ceres e Eris (e Orcus, e Cedna, e Quaoar) e os maiores satélites destes planetas
- a Lua (da Terra)
- Io, Europa, Ganimedes e Calisto (de Júpiter)
- Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã, Jápeto e Fébe (de Saturno)
- Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon (de Úrano)
- Tritão (de Neptuno)
- Caronte (de Plutão).

Destes vinte e nove planetas, apenas quatro são inacessíveis aos geólogos: os gigantes gasosos Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno – os planetas jovianos. Todos os outros são planetas telúricos, o que nos deixa interessantíssimas perspectivas de trabalho para os próximos séculos.

Veremos se são habitáveis ou não. Por nós ou outros seres vivos - funcionando o não a carbono como estrutura prima.