quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

9. Pequenos gestos que poderão ajudar a preservação ambiental - a reciclagem de Materiais

O Clube de Roma, fundado em 1968, publicou um artigo “Os Limites do Cres cimento”, em que alertava para a o facto de um modelo de crescimento que não levasse em consideração o desperdício e o consumo massivo de recursos naturais poder vir a ser catastrófico. O Planeta não poderia suportar tal comportamento.

É necessário caminhar-se para o desenvolvimento sustentável. Os recursos naturais são limitados sendo a reciclagem de materiais uma forma de ajuda na sua preservação.

A reciclagem de materiais permite a fabricação dos mesmos produtos com matérias-primas mais baratas. A redução e reutilização em termos ambientais ainda serão mais proveitosas.

O custo da lavagem para a reutilização de uma embalagem de vidro é muito menor do que se a embalagem fosse dirigida para a reciclagem. Mais difícil é a reciclagem de plástico. No caso particular da reciclagem de embalagens de alumínio, esta é bastante poluente.

Mas talvez o pior problema resida na falta de consciência ambiental que faz com que variadas embalagens de vidro ou alumínio tenham por destino o lixo comum quando há contentores próprios para este género de embalagens com o objectivo da reciclagem.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

8. O Problema Automóvel (2)

Continua-se a encarar o crescimento de forma macrocéfala, e é junto das cinturas das grandes cidades que se faz sentir o esforço rodoviário.

Em muitas zonas votadas ao ostracismo as estradas são encaradas como um factor de desenvolvimento, mas estudos realizados no Reino Unido provaram que a construção de estradas não é tão eficaz para a promoção do desenvolvimento regional como acções consertadas com as populações. Estes estudos consideraram o caminho de ferro como uma boa alternativa e que a construção de uma nova estrada induz um aumento de 10% de tráfego logo a seguir à sua abertura. Se por um lado as auto-estradas facilitam o descongestionamento do tráfego existente por outro aumentam-no francamente.

Um caminho de ferro com duas vias pode transportar o mesmo número de pessoas do que 16 pistas de automóveis numa hora. O que não tem evitado que a grande aposta se faca sentir nas auto-estradas. Nas duas últimas décadas estas duplicaram na Europa e a rede de caminhos de ferro praticamente estagnou, em Portugal tem mesmo vindo a diminuir.

O automóvel é entendido como o zénite da liberdade individual mas sendo conhecidos os malefícios que traz à colectividade torna-se um caso em que o direito do indivíduo entra em confronto com a defesa da colectividade e das gerações vindouras.

O lobby da construção de automóveis, como de estradas, é poderosíssimo e poucos estarão dispostos a abdicar dos seus direitos individuais. Urge procurar medidas alternativas, dever-se-ia investir cada vez mais em fontes de energia não poluentes.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

8. O Problema Automóvel

Por exemplo, no que diz respeito aos automóveis, nos anos 50, a população mundial era apenas de 2.6 mil milhões de habitantes e havia cerca de 50 milhões de automóveis no Planeta. Em 1996 havia 5.2 milhões de habitantes e 700 milhões de automóveis, enquanto a população duplicou o número de automóveis mais do que decuplicou, prsentemente já ultrapassámos os mil milhões. Um maior número de automóveis por habitante ainda é conotado como sinal de desenvolvimento, mas poucos se questionam qual o preço a pagar por esta correlação. Seria bom que, nós os portugueses, tivéssemos uma concepção do automóvel como uma forma inidvidual de deslocação quando não existe alternativa colectiva. Infelizmente, ainda é inequívoco um promotor de status.

A convicção de que o Planeta “aguenta” com a produção contínua de automóveis merece uma reflexão. O nível de vida que existe na Europa, América do Norte ou Japão vai sendo pretendido, e de uma forma legítima, por outros povos. Enquanto só alguns poluíam o problema não era tão grave como quando forem todos a fazê-lo.

Os países que possuem 81% dos veículos constituem apenas 16% da população.

Metade dos gastos do petróleo são dirigidos para veículos rodoviários. Geram 1\5 das emissões de gases de estufa, nomeadamente monóxido de carbono e óxidos de azoto, que têm a sua origem em escapes de automóveis. Nas grandes cidades é a principal fonte de poluição.
Segundo estudos feitos nos EUA, a poluição automóvel também se faz sentir na agricultura nomeadamente na perca de culturas de cereais. A posse de um automóvel supõe uma maior mobilidade para o seu possuidor, tal como prestígio. Mas os malefícios da sua utilização desregrada são bem visíveis nas grandes cidades com os seus custos sociais e ambientais. O dano mais evidente é o da poluição atmosférica. Depois de uma estimativa feita conclui-se que no concelho de Lisboa os automóveis libertam anualmente quase 100 quilogramas de chumbo para a atmosfera. Este metal é altamente tóxico e provoca danos irreversíveis no desenvolvimento intelectual das crianças.

Se por um lado as melhorias efectuadas nos automóveis diminuem a quantidade de poluentes e reduzem a utilização dos metais pesados empregues, o aumento de veículos em circulação impede a travagem ao aumento de poluição atmosférica. Metade da produção actual de petróleo é dirigida para veículos motorizados de transporte, na sua maioria particulares. Em termos energéticos o automóvel é bastante ineficiente, despende-se cerca de 50 vezes mais energia a percorrer determinada distância do que de bicicleta.

A poluição sonora é outra fonte de mal estar. As grandes cidades são muitas vezes construídas de forma imperfeita. Já não há o tradicional contacto humano nem o passeio descontraído a pé.
Se por um lado o nível de vida aumentou sob o ponto de vista quantitativo, sob o ponto de vista qualitativo poderá ter diminuido.

Em Portugal quando se planeia a construção de uma estrada e se faz o respectivo estudo de impacto ambiental aquilo que seria a alternativa zero, o de não construir, esta claramente posta de lado.

A Paz Universal

A Paz Universal

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

A Água (4)

Outro problema que ocorre em Portugal diz respeito à gestão dos ecossistemas ribeirinhos.

Estes ecossistemas asseguram a depuração das águas, reduzem os riscos naturais de secura ou inundação, são fonte de importantes recursos pesqueiros, asseguram a manutenção dos níveis freáticos dos terrenos adjacentes, são repositório de um património faunístico e florístico francamente diversificado e propor cionam uma bela paisagem. Para a depuração das águas será tanto ou mais importante a preservação da Natureza do que a implementação de sistemas de tecnologia avançada.

Mais de metade das disponibilidades hídricas são afectadas pela poluição, há que destacar os troços terminais dos rios Ave, Leça, Douro, Vouga, Tejo e Sado.

Diferentes razões terão contribuído para esta situação: desflorestação de áreas de cabeceira, lixiviação de fertilizantes e pesticidas utilizados na lavoura, extracção de inertes em locais inadequadas e lesivos para a fauna, descargas de lixos industriais, destruição de vegetação ripícola, etc.

A poluição das águas também não é a sua única ameaça. Uma outra diz respeito a sobre-exploração das águas subterrâneas, é o caso do Algarve. A exploração excessiva de água tem conduzido ao seu progressivo salgamento em zonas onde anteriormente só se extraía água potável. E não deixa de ser preocupante a aparente tendência para a progressiva desertificação climática a que Portugal tem estado sujeito.

A depauperação dos recursos pesqueiros está directamente relacionada com a degradação dos ecossistemas ribeirinhos. São eles que asseguram o habitat de aves aquáticas e são poiso para inúmeras aves migradoras. Eles são imprescindíveis para a vida na Terra, deverão ser preservados como suportes de biodiversidade e não apenas como fontes de captação de água ou se sua rejeição.

O próprio conceito de qualidade de água tem evoluído, já não pode ser apenas compreendido entre parâmetros físico-químicos, os biológicos também têm que ser tomados em conta.

A água potável poderá vir a ser num futuro próximo, e em parte já o é no presente, uma das matérias-primas mais cobiçadas.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

A Água (3)

Algo de bastante preocupante no aquecimento do Planeta diz respeito ao facto de não ser um aquecimento homogéneo, porque as zonas polares aquecem mais rapidamente do que as equatoriais.

A alteração das temperaturas entre os pólos e o equador poderá alterar as correntes oceânicas e o equilíbrio terreno. Um exemplo será a água das chuvas, poderá passar a chover em zonas que anteriormente não chovia e em zonas onde chovia deixar de chover.

Peter Schlosser, cientista do observatório geológico de Columbia, afirma perante o facto das águas do nordeste da Islândia se virem tornando progressivamente menos salgadas, “a causa é desconhecida, mas o que quer que seja, mostra o quanto delicado é o equilíbrio do sistema”.[i]

O funcionamento de sistemas agrícolas também está longe de ser o mais correcto. Apenas 15% da terra utilizada para a prática de agricultura é abastecida por água através da sistemas mecânicos criados pelo homem, esta terra é responsável pela produção de 33% das colheitas mundiais.

Muita desta água é transportada através de valas descobertas a céu aberto, o que permite a evaporação de mais de metade da água inicialmente transportada, provocando assim a sua salinização. Isto reflectir-se-á mais tarde aquando da acumulação de sais nas zonas irrigadas.

O Mar de Aral que era um dos locais de pesca mais produtivos da Ásia Central no início da década de 80, tem vindo a desaparecer por ter sofrido uma intervenção humana no seu equilíbrio ecológico, que é sempre dinâmico. A água doce que alimentava este Mar foi desviado para abastecer as culturas de algodão no deserto. Assim aquele que era um lago próspero veio a tornar-se num local desolado e quase estéril devido à sanilização a que ficou sujeito.


[i] Al Gore, A Terra à Procura de Equilíbrio página 117

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

A Água (2)

Os seres humanos são constituídos essencialmente por água. Na nossa composição entra 23% de carbono, 2.6% de azoto, 1.4% de cálcio, 1.1% de fósforo, e pouco mais de alguns outros elementos. Somos 61% constituídos por oxigénio e 10% por hidrogénio mas ambos estão combinados formando uma molécula de água, o que perfaz 71% do nosso corpo. O nosso sangue tem aproximadamente a mesma percentagem de sal que o Oceano, local onde terão surgido as primeiras formas de vida.

Estamos particularmente dependentes de água doce que é apenas 2.5% do total de água existente na Terra. A maior parte esta localizada em forma de gelo na Antárctida e em menor quantidade no Polo Norte, Groenlândia e glaciares; outra pequena porção, já no estado liquido e encontrada nas águas subterrâneas. Da água total existente no globo apenas 0.65% é água potável disponível para consumo humano. Poderá ser encontrada sob a forma de lagos, rios, nascentes, água das chuvas e águas subterrâneas a menos de 800 m de profundidade. Mas excluindo as águas subterrâneas apenas restará 0.01% de água. No entanto, esta limitação não tem impedido os mais variados ataques a este recurso primordial.

A civilização humana sempre esteve dependente da água desde tempos imemoriais. Desde as antigas civilizações egípcia e mesopotâmica, a romana e árabe que os focos civilizacionais sempre foram coincidentes com as disponibilidades de água doce. Qualquer variação na disponibilidade deste recurso será dramática.

Desde a revolução industrial que temos estado a provocar danos no sistema global da água.
Temperaturas mais elevadas aumentam a água evaporada dos oceanos que posteriormente é precipitada na terra e flui de novo para o oceano. O aumento de água evaporada agrava o efeito de estufa a que o Planeta tem estado sujeito, e o efeito de estufa acelera o processo do ciclo da água.

Os oceanos ajudam a manutenção do equilíbrio térmico terreno, transportando calor das zonas mais quentes, como a equatorial, para as mais frias, essencialmente as zonas polares.
O Oceano ao dirigir-se para os pólos vai-se evaporando e tornando-se mais salgado. No caso do hemisfério Norte o oceano, devido a evaporação, torna-se francamente salgado na Groenlândia e Islândia e, como tal, mais denso, o que faz com que esta água se afunde e provoque uma forte corrente, a corrente do Golfo. O Oceano transporta igualmente o frio das zonas polares para o Equador.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

A Água (1)

Significativo à escala mundial é a acumulação e transporte de poluição na água. As mesmas propriedades que fazem da água um solvente universal, e ideal para a vida, também a poderão transformar em fonte de materiais poluentes e nefastos para a existência de vida.

Há cerca de pouco mais de um século não haveria grande problema, no que diz respeito a médio e longo prazo, na descarga de resíduos, pois estes eram na sua maioria orgânicos.

Actualmente muitos dos resíduos são constituídos por materiais químicos inorgânicos, sendo descarregados nos rios, ou de uma forma mais insidiosa, nos cursos de água subterrâneos, as quais mais tarde irão desaguar nos oceanos. Ao longo do tempo, antes da água chegar aos oceanos, ia sendo progres sivamente purificada através de processos naturais, essencialmente no que respeita a matéria orgânica.

No entanto, actualmente, são enviados directamente para os rios vários compostos químicos não existentes na natureza como compostos de cloro, metais pesados, hidrocarbonetos provenientes dos escapes de automóveis e muitos outros compostos feitos pelo Homem; outros poluentes são lavados na atmosfera pela água das chuvas, é o caso das chuvas ácidas que tanto têm danificado a Floresta Negra na Europa Central.

As chuvas ácidas são um sério problema. Resultam da combustão de fósseis e libertação para a atmosfera de óxidos nítrico e sulfurosos.

A acção de poluentes orgânicos em grande escala e fertilizantes lixiviados na agricultura alteram o balanço natural dos ecossistemas favorecendo francamente umas espécies em detrimento de outras. Serão exemplos as marés vermelhas de agentes tóxicos provocadas pela proliferação de algas microscópicas; tem-se tornado comum em muitas zonas costeiras, aquilo que anteriormente seria um caso pontual. Uma explosão populacional de algas ao longo da costa da Escandinávia libertou uma grande quantidade de toxinas que provocaram a morte de vários géneros de peixes e algas afectando as pescas e a aquacultura.

Demasiadas facilidades na vida moderna, como um duche diário, impedem-nos de entender o quanto importante e imprescindível é este recurso.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

7.O problema da água

O ar não é a única parte da biosfera a sofrer os efeitos da civilização industrial, num mundo cada vez mais inter depen dente.

A água, tanto no que diz respeito aos oceanos como aos pequenos cursos de água, está sendo seriamente afectada. A água é essencial para a vida, sendo constantemente reciclada na biosfera.

Existindo na forma liquida, solida e gasosa. É líquida nos oceanos, rios e lagos; sólida em forma de gelo nos pólos ou glaciar ou neve; gasosa na forma de vapor de água na atmosfera.

Por vezes actua-se directamente no ciclo da água. Quando se destrói uma floresta reduz-se a quantidade de água emanada para a atmosfera, o que modificará o clima nessa região, a diminuição de vapor de água diminuirá a quantidade de chuva. O desbravamento de um bosque para preparar um terreno para a prática de agricultura intensiva poderá ter claramente um efeito nefasto, particularmente em zonas de clima mediterrânico onde a chuva, escasseando durante largos períodos de tempo, quando ocorre é por vezes de forma torrencial, arrastando consigo uma grande quantidade de solo. A quantidade de água está dependente da chuva, a menos que seja transportada de um outro local como rios ou suplementos fósseis.

Uma das razões da seca em África, e outras zonas do globo, poderá estar relacionada com os esgotamento dos suplementos fósseis de água, porque não é renovada sazonalmente.

Se por um lado é difícil provocar a queda de chuva, a reciclagem de água já é uma tarefa bastante mais fácil. Se a água é correctamente purificada, poderá ser utilizada e reutilizada várias vezes antes de regressar ao mar. Muitas cidades utilizam água que já foi utilizada várias vezes. A combinação do processo de purificação natural com a filtragem e tratamento químico permitem que água imprópria passe a potável.

Ontem o Elfo falou da água, assim inspirei-me...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

6. Três grandes ameaças

Al Gore, no seu livro “A Terra à procura de equilíbrio” Fala de três grandes ameaças: destruição da camada de ozono, diminuição da capacidade de oxidação da atmosfera e o efeito de estufa.

As moléculas do ar existem em equilíbrio dinâmico, desde há 3 biliões de anos com a introdução do O2 na atmosfera. Os compostos de cloros, tal como os clorofluorcarbonetos (CFC’s) não afectam directamente a saúde humana mas destroem a camada de ozono.

A destruição desta camada reduz a capacidade da atmosfera para se proteger da radiação ultravioleta. Há sempre uma ínfima quantidade que penetra na atmosfera mas não causa dano de monta.

Quando as moléculas de CFC’s se quebram libertam as moléculas de compostos de cloro que destroem as moléculas de ozono sem que aquelas sejam seriamente afectadas.

Os cientistas referiram-se ao perigo da destruição da camada de ozono durante 25 anos mas a pressão da indústria química fez com que os governos só actuassem perante uma prova concreta, o “buraco” na camada de ozono é um facto consumado.

Outro aspecto diz respeito ao facto de muitas das espécies que são vulneráveis ao aumento de radiação serem plantas. Estando elas sob o efeito de radiação ultravioleta não exercem a função fotossintética convenientemente.

Os seres humanos, e em particular aqueles de tez mais clara, têm sofrido com o aumento do número de casos de cancro, na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Argentina e Chile.

É verdade que ainda ontem soubemos de mais um atentado em Bagdade com setenta mortos e, sendo o terrorismo uma ameaça imediata, a questão ambiental poderá ser secundarizada mas é a sobrevivência de toda a humanidade que está em causa, em particular das próximas gerações.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Aplicação de Produtos Químicos (2)

O livro que Rachel Carlson escreveu em 1962 “A Primavera Silenciosa” (The Silent Spring) foi um alerta.

Rachel Carlson (1907-1964) foi uma cientista de biologia marinha norte-americana autora de três best-sellers literários: “The Sea Around”, “The Edge of the Sea” e “The Silent Spring”.

Este último livro “The Silent Spring” (A Primavera Silenciosa), a mais conhecida de todas as suas obras, iniciado em 1958 e publicado em 1962, tornou-se um marco na defesa ambiental.

Com esta obra Rachel Carlson contribuiu de forma decisiva para a modificação de comportamento, tanto da comunidade científica como da opinião pública, perante a Natureza. Esta é íntegra e o conceito de “controle da Natureza” teria de ser radicalmente modificado.

Rachel Carlson escreveu:

A nossa alarmante infelicidade reside no facto de uma ciência tão primitiva se ter armado a si própria com as armas mais modernas e terríveis, e que ao dirigi-las contra os insectos ela as tenha voltado, igualmente contra a Terra.”[i]

Rachel Carlson nos últimos dois anos alvo de uma forte campanha difamatória por se ter levantado contra grandes interesses económicos estabel ecidos.

O DDT foi banido em 1972.

A defesa ambiental dever-se-á sempre basear no bom senso entre a produção e a salvaguarda do equilíbrio ambiental.

Norman Borlaug (1914 - ), Agro-cientista, Nobel da Paz afirma:

É elogiável o esforço dos ecologistas para proteger algumas dezenas de espécies de pássaros ameaçados de extinção, mas o crescimento da produtividade agrícola salvou milhões de seres humanos da morte pela fome[ii].

[i] Teixo, Viriato Marques, Junho 96 pág30
[ii] Exame, Setembro 1997 pág. 130

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

O World Resources Institute (WRI), Associação Norte Americana de Investigação Ambiental, após aturada pesquisa, concluiu que os produtos químicos usados na agricultura dos países desenvolvidos afectam o sistema imunitário e tornam os seres humanos mais vulneráveis a doenças que de outra forma não o atacariam. Este estudo conclui que o número de mortes provocado pelo emprego de pesticidas está a ser escamoteado sendo a sua causa referida como doenças infecciosas, cancros ou outras. Robert Repetto aquando da divulgação do documento referiu que “Ninguém consegue dizer até que ponto é importante o enfraquecimento do sistema imunitário humano. As causas da morte estão mascaradas”.

Estes estudos incidiram sobre animais e pessoas fortemente expostas a pesticidas, como os esquimós do Canadá que se alimentam de peixes muito contaminados com pesticidas, ou populações das zonas rurais da ex-União Soviética. Em ambos os casos as populações apresentavam um sistema imunitário enfraquecido e probabilidade de sofrerem doenças infecciosas superiores à população comum.

Outra conclusão do WRI, sendo coincidente com a de outras organizações ambientalistas, é a de que 90% dos pesticidas empregues na agricultura são desperdiçados.

O uso desenfreado de fertilizantes minerais na agricultura tem conduzido a eutrofização das águas, significa que a água perdeu muito do oxigénio que transportava devido a um crescimento
excessivo da flora aquática, o que tem conduzido ao desaparecimento de peixes em muitos rios.

O emprego de pesticidas, sem se pretender negar o seu contributo positivo para ajudar a erradicar a fome de várias zonas do mundo, pode conduzir a um extermínio daquilo que é conhecido como “fauna útil” e ao surgimento de pragas cada vez mais resistentes a pesticidas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

5. Aplicação de Produtos Químicos

De entre os grandes avanços da ciência nas últimas décadas está a Química. É estimado que todos os anos haja uma produção de 10,000 novas substâncias químicas. Muitas delas nunca existiram na Natureza, de forma que não há mecanismos biológicos para as desintegrar ou reciclar no mundo natural. Se estas moléculas não são decompostas por organismos, vão-se acumulando no ambiente estando a sua deterioração dependente exclusivamente de processos físicos. A ciência química foi largamente empregue na agricultura, nomeadamente na fabricação de insecticidas. É o caso dos organocloratos, nos quais está incluído o célebre DDT.

Há muitos produtos químicos que são lançados na atmosfera sem serem previamente estudados.

O DDT foi um dos primeiros insecticidas a ser usado e que nas décadas de quarenta e cinquenta terá salvo muitas colheitas e com isso muitas vidas. Só que posteriormente ao seu vasto emprego veio-se a descobrir que se acumulava na cadeia alimentar, interferia na regulação hormonal de certos pássaros, provocando o enfraquecimento da casca do ovo e comprometendo a reprodução da espécie.
O DDT era lixiviado dos campos para os cursos de água e posteriormente para zonas costeiras, não só os peixes eram afectados como também os seus predadores, caso do pelicano castanho nos Estados Unidos que esteve quase em vias de extinção até o DDT ser eliminado da agricultura. As aves de rapina estando no topo da cadeia alimentar são bastante sensíveis, caso do falcão peregrino, outra vítima do DDT.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Salvaguarda do equilíbrio (3)

O trigo tem como centro de origem o noroeste do Iraque, sudeste da Turquia e nordeste da Síria, é nesta região que se encontram as plantas ancestrais do trigo, é aqui que se encontra a grande variedade genética desta cultura, mesmo com os bancos de sementes disseminados por diferentes países. O botânico Norman Myers considera que mais de dois terços da variedade genética do trigo é encontrada no seu centro de origem.
No caso da batata, o seu centro de origem são os Andes, no Peru e Chile, poderá ser mesmo que esta cultura tenha esses dois centros de origem.
O milho encontra o seu centro de origem nas zonas altas do México.

Estas zonas têm estado protegidas devido à sua difícil acessibilidade e pouca atractibilidade.
Esta protecção foi preciosa mas com o desenvolvimento das tecnologias e explosão demográfica, algumas destas zonas poderão estar em perigo.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

The Corporation e o vir-a-ser humano


Fiz um copy de um artigo de Washigton Araújo, que considerei vir muito a propósito da temática debatida neste blog.

Assisti ao filme “The Corporation/A Corporação”. Poucos são os filmes que mexem com nossas convicções mais profundas sobre os tempos turbulentos nos quais vem tropeçando a nossa dita civlização. O filme inclui quarenta entrevistas com pessoas de dentro das grandes corporações (companhias, empresas) e também seus mais contumazes críticos, como Milton Friedman, Noam Chomsky, Naomi Klein e Michael Moore. O diretor e produtor é o Mark Achbar, com a ajuda de Jennifer Abbot. É um retrato profundo do que existe por trás das grandes empresas, nem todas, é claro, mas os jogos de interesses, a necessidade de se criar através de publicidade e ações espetaculares de marketing necessidades que as pessoas em geral não têm, o incentivo maior é sempre a busca febril pelo lucro, deixando-se ao largo quaisquer preocupações meramente éticas, morais ou espirituais. Todos os entrevistados parecem falar com uma sinceridade pouco usual nos filmes, afinal, alguns são ex-presidentes de corporações multinacionais aposentados, outros, foram CEO (o big boss) de empresas com filiais em dezenas de países e, obviamente, há que se atentar para o conteúdo crítico de pensadores contemporâneos como Friedman e Chomski. Questões como aumentar a produção de um determinado produto, seja uma jaqueta jeans, sejam um tênis, que utilizam mão-de-oibra barata em países asiáticos, africanos e latino-americanos são mostrados à exaustão. Algo como, uma camisa de marca internacional é produzida por meror U$ 1,78 e vendidas por US$ 89,00. Situações como a de operários que recebem por hora a bagatela de US$ 0,03 e ainda são extremamente gratos por terem um emprego é também dissecado ao longo do filme. Confesso que terminei de ver a primeira parte - são dois DVDs - o primeiro deles, já com uma ponta de indignação ao ver como o homem pode ser o seu pior e mais terrível predador. Senti que quando os valores humanos são desprezados vivemos em um novo tipo de selva, uma selva sem árvores, mas como muitos sinais de trânsito, sem trilhas, mas com muitas estradas free-way, sem animais exóticos e perigosos, mas muitos seres humanos desprovidos de qualquer sentimento de solidariedade com o sofrimento, a dor alheia. Outra vertente trata da degradação do meio ambiente pelas Corporations. É de fechar os olhos para os crimes que são cometidos a cada segundo em algum lugar do planeta, pois sempre existe alguma “corporação” desovando seus dejetos químicos em rios, nascentes. E aí, a coisa fica feia. São mostrados inúmeros exemplos de mutações biológicas de animais aquáticos, rãs com 6 ou 7 patas, peixes com 3 ou 4 olhos. Um espetáculo triste, muito triste, de um mundo que poderia ser um Éden, um paraíso para todos, independente de sua classe social, sua etnia/raça, seu grau de instrução ou volume de riquezas acumuladas. Estamos deixando passar uma grandeza que poderia ser nossa se tão somente investíssemos em nós mesmos, para sermos humanos, dotados de uma compreensão mais abrangente do significado da vida. Na verdade existe uma longa travessia a ser percorrida para que alguém venha a se tornar humano. E o único caminho é “ter as mudanças que queremos ver”. Voltano ao filme, o mesmo ganhou 24 prêmios internacionais, inclusive o do prestigioso Sundanced Festival. Sinal que a mensagem vem encontrando eco nos mass-media. Aliás, um bom sinal mesmo.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Salvaguarda do equilíbrio (2)

Quando o Homem intervém na selecção genética é, regra geral, para produzir uma cultura de maior rendimento e uniformidade, enquanto que os predadores vão evoluindo naturalmente. Sendo as pragas e fungos possuidores de grande variedade genética tem muita facilidade em escolherem um novo alvo.

Uma planta para a sua sobrevivência como espécie depende da variedade dos seus recursos genéticos.

Anteriormente à Revolução Industrial, era a habilidade natural da planta para utilizar o seu material genético que as fazia resistentes a pragas que anteriormente as tinham destruído em grande escala. Na sociedade contemporânea as melhorias genéticas, para o combate das principais pragas ou doenças deverão ser realizadas num curto espaço de tempo, ao mesmo tempo que é exigido uma grande uniformidade na cultura.

Quando não há a possibilidade de se criar uma resistência natural recorre-se ao emprego de grandes doses de pesticidas. Por outro lado, quando se cria uma resistência natural esta é válida por pouco tempo porque as pragas e fungos, com toda a sua mobilidade genética, encontram um novo ponto fraco na cultura.

Deve-se procurar culturas que tenham resistência a diferentes géneros de doenças, a resistência horizontal, que é mais difícil de alcançar do que apenas a uma determinada doença, resistência vertical.

O problema da erosão genética parece ser cada vez mais importante, com o contínuo aumento populacional e exigência na apresentação dos produtos por parte do público consumidor.

Para a defesa da cultura contra determinada doença ou praga já não é suficiente a procura dos genes necessários nas plantas da mesma espécie que se encontram domesticadas. É necessário ir-se aos centros de origem das espécies, procurar-se nas plantas selvagens, que lhes são próximas ou que lhes deram origem. Estas plantas silvestres adquiriram resistências naturalmente.
Os centros de origem foram descritos pela primeira vez por Nikolai Vavilov, geneticista russo.
Haverá apenas doze centros de origem para a globalidade das principais culturas utilizadas pela humanidade. A nossa alimentação está dependente de 130 espécies de plantas que começaram a ser cultivadas na Idade da Pedra.

Os centros de origem seguem conforme a direcção das grandes cordilheiras. No Hemisfério Norte seguem junto dos vales de acordo com a latitude e no Hemisfério Sul de acordo com a longitude.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

4 . Salvaguarda do equilíbrio

As inovações na ciência agrícola deitaram por terra as previsões do economista Thomas Malthus no início do século XIX, ele considerou que se a população cresce de forma geométrica a quantidade de alimento cresce de forma aritmética.

As melhorias no campo agrícola, nomeadamente a engenharia genética, possibilitaram um aumento exponencial na quantidade de alimentos disponíveis. No entanto, a utilização da engenharia genética, com objectivos apenas de curto prazo poderá ter um efeito perverso.

A preocupação contemporânea dever-se-á reflectir não tanto na quantidade de alimento disponível mas mais na sua qualidade, o que se reflecte na sua fonte genética.

Todas as sementes trazem consigo aquilo que é conhecido como o germoplasma, que contem o material genético que define a hereditariedade. O germoplasma é a peça-chave para o melhoramento das culturas com o objectivo de se tornarem mais resistentes a ataques de pragas ou fungos, ou mesmo mudanças de clima. Este germoplasma é encontrado em zonas remotas que durante muito tempo estiveram protegidas, zonas abandonadas à Natureza, talvez por estarem desprezadas. Só recentemente se começou a dar valor a este item.

As culturas na natureza tem uma variedade incontável, sendo esta variedade uma fonte de resistência para a espécie tanto no que diz respeito a competição com outras plantas como na defesa contra a enorme variedade de fungos e pragas que a ameaçam. Assim se uma variedade de planta, dentro da mesma espécie, e vulnerável ao ataque de determinada praga, já não o será a outra variedade.

Há sempre um equilíbrio dinâmico entre o predador e a presa, procurando as espécies obter sucesso através da introdução de novo material genético.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

3. Diversidade

‘Abdul-Bahá descreve a diversidade como “A essência da perfeição e a causa do aparecimento de dádivas[i] de Deus, e afirma: “Considerai as flores dum jardim: diferem em espécie, côr, forma e aspecto. Não obstante, são refrescadas pelas águas da mesma fonte, revivificadas pelos sopros de um só vento e revigoradas pelos raios de um único Sol, essa diversidade aumenta o seu encanto e realça a sua beleza. Assim quando a força unificadora que é a influência penetrante do Verbo de Deus, faz efeito, a variedade de costumes, procedimentos, hábitos, ideias, opiniões e temperamentos embeleza o mundo da humanidade. Tal diversidade, tal diferença é análoga à diferente e variada natural dos membros e órgãos do corpo humano, pois cada qual contribui para a beleza, eficiência e perfeição do todo.

Quão pouco nos agradaria aos olhos se todas as plantas e árvores deste jardim, com seus ramos, suas folhas, flores e frutos fossem da mesma forma e cor! Diversidade de cores, formato e aparência, enriquece e adorna o jardim, e aviva-lhe a aparência
...”[ii]

O alcance da diversidade do “mundo dos seres criados[iii] é enfatizado na seguinte passagem:

“...As formas e organismos dos seres e existência fenomenais em cada um dos reinos do universo são miríades e infinitas. O plano ou reino vegetal, por exemplo, tem sua variedade infinita de tipos formas e estruturas materiais de vida vegetal - cada um distinto e diferente por si, não havendo dois exactamente iguais em composição e detalhes - pois não há repetição na Natureza, e a virtude aumentativa não pode ser confinada a qualquer imagem ou forma. Cada folha tem a sua identidade particular - por assim dizer, sua própria individualidade como folha...[iv]

[i] Conservação dos recursos da Terra, página 12
[ii] Conservação dos recursos da Terra, página 12
[iii] Conservação dos recursos da Terra, página 12
[iv] Conservação dos recursos da Terra, página 13

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Biodiversidade (7)

As antigas sociedades que viviam em harmonia com a floresta, algumas mesmo na Idade da Pedra, vão progressivamente desaparecendo. A destruição da floresta tem permitido a expansão do deserto, a erosão do solo, a degradação e contaminação da terra arável.

Alguns exemplos de acção humana desregrada são: a extinção de metade das aves da Polinésia; no século passado a Ilha de Santa Helena foi quase completamente desflorestada e muitas das espécies lenhosas endémicas desapareceram para sempre, muitas destas espécies eram como “museus” botânicos devido às condições de selecção natural a que estiveram sujeitas, diferentes das plantas do Continente Africano. No Lago Victória (África Oriental) várias das espécies de peixe, que eram a base da alimentação das populações estão a desaparecer devido à introdução da Carpa do Nilo.

Em Portugal tem havido ao longo dos tempos uma alteração nos ecossistema florestais autóctones, alguns deles têm inclusivamente sofrido alterações que se poderão considerar como irreversíveis. O declínio das formações florestais têm início com os primeiros povoamentos humanos, desde a domesticação de animais até aos primórdios da agricultura. Era uma época em que apesar da lenta destruição de alguns ecossistemas, quando o Homem abandonava o local que tinha explorado outrora, havia a possibilidade de que eles voltassem a um estado semelhante ao inicial. Mesmo quando o fogo era utilizado para a desbravação de terras de forma alguma se aproximava da dimensão apocalíptica com que hoje devasta em muitas regiões.

Por exemplo, em Portugal o grande declínio dos ecossistemas florestais iniciou-se com a expansão dos Descobrimentos devido à exploração florestal que tinha por objectivo a construção naval.

Até aos nossos dias tem-se assistido a uma quase extinção das grandes manchas de Sobreiro e de Azinheira, com a respectiva biodiversidade que estas manchas albergavam.

O desenvolvimento ainda é encarado por muita gente como sinónimo de construção de estradas, aberturas de clareiras no meio de florestas de modo a conseguirem acesso aos produtos indicativos da “civilização”.

As populações que sofrem este desequilíbrio biológico são igualmente vítimas de outro desequilíbrio, o social. Este poderá ser proveniente de diferentes causas como grande disparidade de riqueza ou explosão populacional, agravadas pela iliteracia das populações. Este assunto será retomado num capítulo posterior.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Biodiversidade (6) - Amazónia

A destruição da Selva Amazónica é um exemplo flagrante de como toda a Humanidade sofre com a destruição de um recurso planetário desde as queimadas com as resultantes emissões de CO2, a destruição do património genético de flora e fauna, grande parte ainda será desconhecido, que uma vez destruído jamais poderá ser recuperado, este património será de uma grande riqueza para a produção de produtos farmacêuticos e outros fins ainda não identificados.
Infelizmente os solos tropicais são pobres e poucos anos após serem explorados, ficam exaustos e a terra é abandonada. A possibilidade de um ecossistema semelhante voltar ao mesmo espaço de terra é muito remota.

Calcula-se que o ritmo actual de devastação das florestas tropicais têm como consequência a extinção anual de entre 0.2% a 0.3% das espécies.

Estudos indicam há um maior número de diferentes espécies de pássaros em cada milha quadrada na Amazónia do que existem em toda a América do Norte - o que significa que estamos destruindo silenciosamente sons que nunca ouvimos antes.

Nas zonas tropicais apenas 5% dos nutrientes se encontram no solo e 95% na própria floresta. Nas zonas gélidas, como os Alpes ou Himalaia, é o inverso. Esta será um das razões de tão abundante biodiversidade.

Assim, aquando do desbravamento de uma floresta tropical, 95% dos seus nutrientes são lixiviados, sendo uma ilusão que estes solos são férteis para a prática agrícola. As chuvas tropicais são abundantes e fortíssimas, desta forma os solos sem a protecção das árvores são destruídos e arrastados, tornando impossível a prática agrícola intensiva.

Cerca de 90% das espécies vegetais e animais viverão sob as chuvas tropicais. Estes valores significam que a velocidade de extinção de seres é 10 mil vezes superior à que ocorreria naturalmente sem a acção da espécie humana.

Caso se extermine grande parte deste potencial genético serão necessários 100 milhões de anos para se recuperar as espécies desaparecidas.

Segundo o grupo ambientalista Conservation International mais de dois terços da biodiversidade do Planeta encontram-se em 17 países. O critério de classificação baseou-se no número de espécies de mamíferos, répteis anfíbios, aves e plantas que existem nesses países e o número de espécies que apenas existem nesse determinado país. O Brasil é o líder incontestado, ai vivem 20 por cento das espécies mundiais de plantas, das quais um terço não existe em nenhum outro local do mundo.

O Conservation International, referindo-se à conservação da biodiversidade nesses países, afirma que: “Isto representa não apenas uma grande responsabilidade, mas também uma enorme oportunidade em termos económicos”.

Edward Wilson, especialista em biodiversidade e professor na Universidade de Harvard alerta:
Ao actual ritmo estamos condenados a perder 20 por cento de todas as espécies actuais nos próximos 30 anos. Temos de fazer qualquer coisa para o evitar. Caso contrário sofreremos a maior extinção de vida que ocorreu no planeta desde que um meteorito chocou com a Terra há 65 milhões de anos, terminando com a era dos dinossauros”.

Os 17 países mais ricos do mundo em termos de biodiversidade são, por ordem decrescente: Brasil, Colômbia, Indonésia, China, México, África do Sul, Venezuela, Equador, Peru, Estados Unidos, Papua-Nova Guiné, Índia, Austrália, Malásia, Madagáscar, Congo e Filipinas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Biodiversidade (5)



As coberturas vegetais homogéneas são muito mais sensíveis a ataques de pragas ou de epidemias do que cobertos vegetais heterogéneos. A redução da diversidade genética poderá ser causa de catástrofes económicas e humanas, ao diminuir a potencialidade dos recursos agrícolas, e conduzir a situações de fome, um problema que ainda hoje afecta largas faixas da humanidade e que, de forma alguma, se pensa que venha a ser definitivamente erradicado a curto prazo.

As práticas monoculturais tendem a eliminar sistema ecológicos diversificados, os quais mesmo depois de abandonados, não poderão recuperar a sua diversidade inicial. O desenvolvimento da monocultura tem conduzido a redução da diversidade biológica, a biodiversidade, o que provoca a eliminação das plantas e animais que não tem um interesse imediato para o Homem, mas que no futuro poderão vir a mostrar terem uma utilidade ainda não provada.

Os produtores de sementes e os fabricantes de pesticidas proclamam as benefícios da uniformidade das culturas que também facilitam o emprego de tecnologia mecânica, mas na realidade existe um claro efeito perverso desta evolução.

A grande fome que devastou a vida de milhões de pessoas na Irlanda em 1845, e a epidemia que em 1972 destruiu um quinto da produção de milho nos EUA, tiveram uma origem comum, a uniformidade genética das culturas em questão.


Mas a fome da Irlanda em 1845 tem outros aspectos a salientar. O agente causador da doença e o fungo Phytophthora infestans, que geralmente surge em regiões húmidas, e que em 1950 destruiu mais de metade da cultura do tomate nos Estados Unidos. Durante cerca de 300 anos a população irlandesa esteve dependente de uma só variedade de batata.

Como a batata é uma planta originária dos Andes, à sua chegada à Europa encontrou um espaço livre para crescer sem os seus inimigos naturais. Provavelmente os primeiros poros de Phytophora i. terão acompanhado as novas variedades de batatas vindas do Peru. Em 1843 surgiu no Nordeste do Estados Unidos. No Verão de 1845 os esporos tinham-se espalhado pela Irlanda. A Phytophtora i. necessita de, pelo menos, um período de 90% de temperaturas de 10ºC ou mais elevadas, e a água deverá permanecer nas folhas da batateira pelo menos durante um período de 4 horas cada dia. Até 1840 as temperaturas na Irlanda eram relativamente baixas.

O ano de 1845 foi um dos mais quentes do século na Irlanda, o Inverno não foi suficientemente frio e a Primavera e o Verão foram anormalmente quentes, criando as condições necessárias para a disseminação da doença.

As variações de temperaturas descritas decorreram por acção natural, mas com o efeito de estufa estamos a aquecer progressivamente a atmosfera e a aumentar o teor de água.

A actividade humana tem tido efeitos devastadores na biodiversidade e tem acelerado o ritmo de extinções.