terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A Ideia Egoísta


A IDÉIA EGOÍSTA
Em "The meme machine", publicado nos EUA em 1999, Susan Blackmore defendeu que a história evolutiva do homem tem sido perversamente guiada pela lógica de unidades culturais de imitação chamadas mimos (meme em inglês).
Basicamente,mimos são ideias, informações, que se reproduzem de mente para mente, de ser humano para ser humano: mimos são “instruções para realizar comportamentos, construídos no cérebro ou por imitação” (Blackmore, 1999, p. 43). Na verdade, segundo a autora, nós, seres humanos, e nossos cérebros, seríamos máquinas de reprodução de ideias. O mecanismo para essa reprodução de ideias seria a imitação mais especificamente a aprendizagem.
Não era a primeira vez que o mundo dos conceitos e de sua multiplicação procuravam insidiosamente tomar as rédeas da história do homem. O filósofo Daniel Dennett já afirmara anteriormente que a evolução biológica de todos os seres vivos, incluindo o homem, poderia ser interpretada como um processo algorítmico, no qual os elementos fundamentais seriam a hereditariedade (genes), a variação (mutação) e a selecção natural (reprodução diferencial) (Dennett, 1990, 1998; Runcinan, 1998).
Para Dennett, os genes são replicadores genéticos que existem há biliões de anos e nós, criaturas feitas basicamente de proteínas, somos suas máquinas de sobrevivência, formas pelasquais os genes mantêm íntegro o significado de suas mensagens por um tempo, não raro, milhares de vezes maior do que a duração de uma vida humana e mesmo de toda uma espécie e a humanidade. Entretanto, no caso específicodo Homo sapiens, um segundo tipo de replicador, os mimos, teriam sido co-responsáveis não só pelo crescimento do cérebro e pela indústria de ferramentas, mas também fundamentalmente pelo que chamamos de cultura e sociedade. Exemplos de mimos ou “unidades memoráveis distintas” são: arco, roda, vestir roupas, vingança, triângulo rectângulo, alfabeto, a Odisseia, cálculo,xadrez, desenho em perspectiva, evolução pela selecção natural, impressionismo,(Dennett, 1998, p. 358).
Como os genes, os mimos poderiam ser compreendidos se prestarmos atenção:
1) ao processo hereditário pela qual as informações culturais se reproduzem em populações de cérebros humanos (horizontal e verticalmente),
2) ao processo que faz com que as informações culturais variem, e
3) ao processo de selecção de informações culturais.

1 comentário:

alexbr82 disse...

No seu livro "A Desilusão de Deus" Richard Dawkins fala claramente sobre esses mimos (por estranho que pareça a tradução para o portugues foi memes). E dá um exemplo muito interessante. Uma mentira dita vezes suficientes torna-se verdade.