segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quando e como começou a vida na Terra?

Quando e como começou a vida na Terra?

Fred Hoyle apoiou a teoria de um "Universo Estacionário", tentou explicar como o universo poderia ser eterno e essencialmente imutável mesmo que as galáxias se afastassem umas das outras. A teoria apoiava-se na formação de matéria entre as galáxias de tempos em tempos, de modo que mesmo que as galáxias se afastassem umas das outras, novas galáxias que se desenvolviam entre elas enchiam o espaço que elas deixavam vago. O universo resultante está em um "estado estacionário" da mesma maneira que um rio que flui - as moléculas individuais de água movem-se, mas novas aparecem e o rio parece ser imutável.

No entanto pretendo citá-lo na explicação da origem da vida no planeta Azul. Segundo este autor a vida surgiu no espaço, espalhando-se pelo universo via panspermia, e que a evolução na Terra é dirigida por um fluxo constante de vírus que chegam via cometas.

No seu livro de 1981/4 "Evolution from Space", calculou que a probabilidade de se obter o conjunto de enzimas necessárias para a mais ínfima célula era de uma em 10 40.000 [está em forma de potência] . Como o número de átomos no universo conhecido é infinitamente menor em comparação (1080), ele argumentou que mesmo um universo inteiro cheio de "sopa primordial" não teria nenhuma chance. Ele disse:

The notion that not only the biopolymer but the operating program of a living cell could be arrived at by chance in a primordial organic soup here on the Earth is evidently nonsense of a high order.

A noção de que não somente o biopolímero, mas também o programa operativo de uma célula viva possa ter surgido por acaso em uma sopa orgânica primordial aqui na Terra é e evidentemente um absurdo de ordem superior.

Hoyle comparou o surgimento aleatório da mais simples célula à probabilidade de que "um tornado varrendo um depósito de lixo possa fabricar um Boeing 747 a partir dos materiais lá disponíveis.


Eu: Independentemente de concordar ou não com algumas das suas teses, é sempre gratificante para um crente no Divino ver defendida a noção de que a vida surgir por um acaso é um absurdo.

3 comentários:

A.Teixeira disse...

É coragem sua, João Moutinho, avançar para um tema complexo como este num blogue (é um poste candidato natural aos 0 comentários…) e percebe-se que estudou a argumentação de Fred Hoyle em defesa da panespermia.

Contudo, a teoria da panespermia contém em si contradições internas: os argumentos apresentados por Hoyle em relação à dificuldade para que a vida tivesse aparecido casualmente na Terra aplicam-se rigorosamente da mesma forma à vida que sabemos que acabou por aparecer no Universo – então como apareceu a vida no Universo?

Quer dizer: se alargarmos o período de tempo até à idade do Universo sempre existe a possibilidade de que o tal tornado transforme o monte de sucata no tal Boeing 747?

Por outro lado, as probabilidades apresentadas por Hoyle (o tal 10 elevado a 40.000) partiam do pressuposto que os compostos se agregavam completamente ao acaso. Hoje, 25 anos depois de “O Universo Inteligente”, e depois de já se ter feito o mapeamento do genoma humano já se sabe que pode não ser assim. Há fases da evolução na direcção da complexidade biológica em que os modelos em que isso pode acontecer são finitos e até muito limitados.

Por curiosidade, uma revisão recente ao material original das Experiências de Miller-Urey, veio a revelar que, num dos casos, havia mais compostos orgânicos do que os que foram identificados na altura (1953).

Quanto à Teologia, não discuto.

João Moutinho disse...

Agradeço-lhe a visita e mas penso que designar a minha navegação pela Panspermia como "coragem" é demasiado bondosa.

Quanto à Teologia esse é o meu objectivo supremo deste blog e a convicção que a humanidade, o sistema solar, a galáxia, o universo tudo tem a origem nO Criador.

Este Domingo no Centro Nacional Bahá'í, em Telheiras, vai haver uma conferência denominada a "Revolução Coperniana" e garanto a sua qualidade.

...enfim um pouco de proselitismo...

A.Teixeira disse...

Não é bondade, era apenas bonomia, mas tem toda a razão João Moutinho: uma caixa de comentários não deixa ver a expressão de quem escreve, e por isso lhe peço desculpa. Tem a ver com uma piada privada, uma tese, por assim dizer, que só não é teorema porque “aguarda demonstração”, que estabelece que o número de comentários a um poste varia na razão inversa da seriedade e da profundidade do assunto que lá é tratado… É uma injustiça, mas creio que concordará que é assim… E por ser assim, e porque o assunto que tratava ser indiscutivelmente interessante, por percebê-lo seguro a tratar o tema e por ver a caixa de comentários do seu poste por estrear, com prognóstico que assim continuaria por muitos anos e bons, é que tive o atrevimento de a usar…

Quanto ao seu amável convite tenho que o declinar, por razões de oportunidade mas também por razões de fundo. Teologia e discussão científica não se devem misturar: é que houve, certa vez, umas palestras sobre o “Novo Testamento enquanto documento histórico”; só que o orador era Padre, e a tentativa de dar uma dimensão histórica a Cristo e aos apóstolos foi um fiasco porque toda a sua narrativa estava afectada pelo estatuto excepcional que ele conferia a Cristo. Ficou-me de emenda.