segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Salvaguarda do equilíbrio (2)

Quando o Homem intervém na selecção genética é, regra geral, para produzir uma cultura de maior rendimento e uniformidade, enquanto que os predadores vão evoluindo naturalmente. Sendo as pragas e fungos possuidores de grande variedade genética tem muita facilidade em escolherem um novo alvo.

Uma planta para a sua sobrevivência como espécie depende da variedade dos seus recursos genéticos.

Anteriormente à Revolução Industrial, era a habilidade natural da planta para utilizar o seu material genético que as fazia resistentes a pragas que anteriormente as tinham destruído em grande escala. Na sociedade contemporânea as melhorias genéticas, para o combate das principais pragas ou doenças deverão ser realizadas num curto espaço de tempo, ao mesmo tempo que é exigido uma grande uniformidade na cultura.

Quando não há a possibilidade de se criar uma resistência natural recorre-se ao emprego de grandes doses de pesticidas. Por outro lado, quando se cria uma resistência natural esta é válida por pouco tempo porque as pragas e fungos, com toda a sua mobilidade genética, encontram um novo ponto fraco na cultura.

Deve-se procurar culturas que tenham resistência a diferentes géneros de doenças, a resistência horizontal, que é mais difícil de alcançar do que apenas a uma determinada doença, resistência vertical.

O problema da erosão genética parece ser cada vez mais importante, com o contínuo aumento populacional e exigência na apresentação dos produtos por parte do público consumidor.

Para a defesa da cultura contra determinada doença ou praga já não é suficiente a procura dos genes necessários nas plantas da mesma espécie que se encontram domesticadas. É necessário ir-se aos centros de origem das espécies, procurar-se nas plantas selvagens, que lhes são próximas ou que lhes deram origem. Estas plantas silvestres adquiriram resistências naturalmente.
Os centros de origem foram descritos pela primeira vez por Nikolai Vavilov, geneticista russo.
Haverá apenas doze centros de origem para a globalidade das principais culturas utilizadas pela humanidade. A nossa alimentação está dependente de 130 espécies de plantas que começaram a ser cultivadas na Idade da Pedra.

Os centros de origem seguem conforme a direcção das grandes cordilheiras. No Hemisfério Norte seguem junto dos vales de acordo com a latitude e no Hemisfério Sul de acordo com a longitude.

2 comentários:

amadis / pintoribeiro disse...

Bom dia, boa semana.

Mikolik disse...

Bom dia e bom artigo, João gostei de ler este e os outros artigos sobre a biodiversidade.

Grande abraço,