quinta-feira, 30 de novembro de 2006

4 . Salvaguarda do equilíbrio

As inovações na ciência agrícola deitaram por terra as previsões do economista Thomas Malthus no início do século XIX, ele considerou que se a população cresce de forma geométrica a quantidade de alimento cresce de forma aritmética.

As melhorias no campo agrícola, nomeadamente a engenharia genética, possibilitaram um aumento exponencial na quantidade de alimentos disponíveis. No entanto, a utilização da engenharia genética, com objectivos apenas de curto prazo poderá ter um efeito perverso.

A preocupação contemporânea dever-se-á reflectir não tanto na quantidade de alimento disponível mas mais na sua qualidade, o que se reflecte na sua fonte genética.

Todas as sementes trazem consigo aquilo que é conhecido como o germoplasma, que contem o material genético que define a hereditariedade. O germoplasma é a peça-chave para o melhoramento das culturas com o objectivo de se tornarem mais resistentes a ataques de pragas ou fungos, ou mesmo mudanças de clima. Este germoplasma é encontrado em zonas remotas que durante muito tempo estiveram protegidas, zonas abandonadas à Natureza, talvez por estarem desprezadas. Só recentemente se começou a dar valor a este item.

As culturas na natureza tem uma variedade incontável, sendo esta variedade uma fonte de resistência para a espécie tanto no que diz respeito a competição com outras plantas como na defesa contra a enorme variedade de fungos e pragas que a ameaçam. Assim se uma variedade de planta, dentro da mesma espécie, e vulnerável ao ataque de determinada praga, já não o será a outra variedade.

Há sempre um equilíbrio dinâmico entre o predador e a presa, procurando as espécies obter sucesso através da introdução de novo material genético.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

3. Diversidade

‘Abdul-Bahá descreve a diversidade como “A essência da perfeição e a causa do aparecimento de dádivas[i] de Deus, e afirma: “Considerai as flores dum jardim: diferem em espécie, côr, forma e aspecto. Não obstante, são refrescadas pelas águas da mesma fonte, revivificadas pelos sopros de um só vento e revigoradas pelos raios de um único Sol, essa diversidade aumenta o seu encanto e realça a sua beleza. Assim quando a força unificadora que é a influência penetrante do Verbo de Deus, faz efeito, a variedade de costumes, procedimentos, hábitos, ideias, opiniões e temperamentos embeleza o mundo da humanidade. Tal diversidade, tal diferença é análoga à diferente e variada natural dos membros e órgãos do corpo humano, pois cada qual contribui para a beleza, eficiência e perfeição do todo.

Quão pouco nos agradaria aos olhos se todas as plantas e árvores deste jardim, com seus ramos, suas folhas, flores e frutos fossem da mesma forma e cor! Diversidade de cores, formato e aparência, enriquece e adorna o jardim, e aviva-lhe a aparência
...”[ii]

O alcance da diversidade do “mundo dos seres criados[iii] é enfatizado na seguinte passagem:

“...As formas e organismos dos seres e existência fenomenais em cada um dos reinos do universo são miríades e infinitas. O plano ou reino vegetal, por exemplo, tem sua variedade infinita de tipos formas e estruturas materiais de vida vegetal - cada um distinto e diferente por si, não havendo dois exactamente iguais em composição e detalhes - pois não há repetição na Natureza, e a virtude aumentativa não pode ser confinada a qualquer imagem ou forma. Cada folha tem a sua identidade particular - por assim dizer, sua própria individualidade como folha...[iv]

[i] Conservação dos recursos da Terra, página 12
[ii] Conservação dos recursos da Terra, página 12
[iii] Conservação dos recursos da Terra, página 12
[iv] Conservação dos recursos da Terra, página 13

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Biodiversidade (7)

As antigas sociedades que viviam em harmonia com a floresta, algumas mesmo na Idade da Pedra, vão progressivamente desaparecendo. A destruição da floresta tem permitido a expansão do deserto, a erosão do solo, a degradação e contaminação da terra arável.

Alguns exemplos de acção humana desregrada são: a extinção de metade das aves da Polinésia; no século passado a Ilha de Santa Helena foi quase completamente desflorestada e muitas das espécies lenhosas endémicas desapareceram para sempre, muitas destas espécies eram como “museus” botânicos devido às condições de selecção natural a que estiveram sujeitas, diferentes das plantas do Continente Africano. No Lago Victória (África Oriental) várias das espécies de peixe, que eram a base da alimentação das populações estão a desaparecer devido à introdução da Carpa do Nilo.

Em Portugal tem havido ao longo dos tempos uma alteração nos ecossistema florestais autóctones, alguns deles têm inclusivamente sofrido alterações que se poderão considerar como irreversíveis. O declínio das formações florestais têm início com os primeiros povoamentos humanos, desde a domesticação de animais até aos primórdios da agricultura. Era uma época em que apesar da lenta destruição de alguns ecossistemas, quando o Homem abandonava o local que tinha explorado outrora, havia a possibilidade de que eles voltassem a um estado semelhante ao inicial. Mesmo quando o fogo era utilizado para a desbravação de terras de forma alguma se aproximava da dimensão apocalíptica com que hoje devasta em muitas regiões.

Por exemplo, em Portugal o grande declínio dos ecossistemas florestais iniciou-se com a expansão dos Descobrimentos devido à exploração florestal que tinha por objectivo a construção naval.

Até aos nossos dias tem-se assistido a uma quase extinção das grandes manchas de Sobreiro e de Azinheira, com a respectiva biodiversidade que estas manchas albergavam.

O desenvolvimento ainda é encarado por muita gente como sinónimo de construção de estradas, aberturas de clareiras no meio de florestas de modo a conseguirem acesso aos produtos indicativos da “civilização”.

As populações que sofrem este desequilíbrio biológico são igualmente vítimas de outro desequilíbrio, o social. Este poderá ser proveniente de diferentes causas como grande disparidade de riqueza ou explosão populacional, agravadas pela iliteracia das populações. Este assunto será retomado num capítulo posterior.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Biodiversidade (6) - Amazónia

A destruição da Selva Amazónica é um exemplo flagrante de como toda a Humanidade sofre com a destruição de um recurso planetário desde as queimadas com as resultantes emissões de CO2, a destruição do património genético de flora e fauna, grande parte ainda será desconhecido, que uma vez destruído jamais poderá ser recuperado, este património será de uma grande riqueza para a produção de produtos farmacêuticos e outros fins ainda não identificados.
Infelizmente os solos tropicais são pobres e poucos anos após serem explorados, ficam exaustos e a terra é abandonada. A possibilidade de um ecossistema semelhante voltar ao mesmo espaço de terra é muito remota.

Calcula-se que o ritmo actual de devastação das florestas tropicais têm como consequência a extinção anual de entre 0.2% a 0.3% das espécies.

Estudos indicam há um maior número de diferentes espécies de pássaros em cada milha quadrada na Amazónia do que existem em toda a América do Norte - o que significa que estamos destruindo silenciosamente sons que nunca ouvimos antes.

Nas zonas tropicais apenas 5% dos nutrientes se encontram no solo e 95% na própria floresta. Nas zonas gélidas, como os Alpes ou Himalaia, é o inverso. Esta será um das razões de tão abundante biodiversidade.

Assim, aquando do desbravamento de uma floresta tropical, 95% dos seus nutrientes são lixiviados, sendo uma ilusão que estes solos são férteis para a prática agrícola. As chuvas tropicais são abundantes e fortíssimas, desta forma os solos sem a protecção das árvores são destruídos e arrastados, tornando impossível a prática agrícola intensiva.

Cerca de 90% das espécies vegetais e animais viverão sob as chuvas tropicais. Estes valores significam que a velocidade de extinção de seres é 10 mil vezes superior à que ocorreria naturalmente sem a acção da espécie humana.

Caso se extermine grande parte deste potencial genético serão necessários 100 milhões de anos para se recuperar as espécies desaparecidas.

Segundo o grupo ambientalista Conservation International mais de dois terços da biodiversidade do Planeta encontram-se em 17 países. O critério de classificação baseou-se no número de espécies de mamíferos, répteis anfíbios, aves e plantas que existem nesses países e o número de espécies que apenas existem nesse determinado país. O Brasil é o líder incontestado, ai vivem 20 por cento das espécies mundiais de plantas, das quais um terço não existe em nenhum outro local do mundo.

O Conservation International, referindo-se à conservação da biodiversidade nesses países, afirma que: “Isto representa não apenas uma grande responsabilidade, mas também uma enorme oportunidade em termos económicos”.

Edward Wilson, especialista em biodiversidade e professor na Universidade de Harvard alerta:
Ao actual ritmo estamos condenados a perder 20 por cento de todas as espécies actuais nos próximos 30 anos. Temos de fazer qualquer coisa para o evitar. Caso contrário sofreremos a maior extinção de vida que ocorreu no planeta desde que um meteorito chocou com a Terra há 65 milhões de anos, terminando com a era dos dinossauros”.

Os 17 países mais ricos do mundo em termos de biodiversidade são, por ordem decrescente: Brasil, Colômbia, Indonésia, China, México, África do Sul, Venezuela, Equador, Peru, Estados Unidos, Papua-Nova Guiné, Índia, Austrália, Malásia, Madagáscar, Congo e Filipinas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Biodiversidade (5)



As coberturas vegetais homogéneas são muito mais sensíveis a ataques de pragas ou de epidemias do que cobertos vegetais heterogéneos. A redução da diversidade genética poderá ser causa de catástrofes económicas e humanas, ao diminuir a potencialidade dos recursos agrícolas, e conduzir a situações de fome, um problema que ainda hoje afecta largas faixas da humanidade e que, de forma alguma, se pensa que venha a ser definitivamente erradicado a curto prazo.

As práticas monoculturais tendem a eliminar sistema ecológicos diversificados, os quais mesmo depois de abandonados, não poderão recuperar a sua diversidade inicial. O desenvolvimento da monocultura tem conduzido a redução da diversidade biológica, a biodiversidade, o que provoca a eliminação das plantas e animais que não tem um interesse imediato para o Homem, mas que no futuro poderão vir a mostrar terem uma utilidade ainda não provada.

Os produtores de sementes e os fabricantes de pesticidas proclamam as benefícios da uniformidade das culturas que também facilitam o emprego de tecnologia mecânica, mas na realidade existe um claro efeito perverso desta evolução.

A grande fome que devastou a vida de milhões de pessoas na Irlanda em 1845, e a epidemia que em 1972 destruiu um quinto da produção de milho nos EUA, tiveram uma origem comum, a uniformidade genética das culturas em questão.


Mas a fome da Irlanda em 1845 tem outros aspectos a salientar. O agente causador da doença e o fungo Phytophthora infestans, que geralmente surge em regiões húmidas, e que em 1950 destruiu mais de metade da cultura do tomate nos Estados Unidos. Durante cerca de 300 anos a população irlandesa esteve dependente de uma só variedade de batata.

Como a batata é uma planta originária dos Andes, à sua chegada à Europa encontrou um espaço livre para crescer sem os seus inimigos naturais. Provavelmente os primeiros poros de Phytophora i. terão acompanhado as novas variedades de batatas vindas do Peru. Em 1843 surgiu no Nordeste do Estados Unidos. No Verão de 1845 os esporos tinham-se espalhado pela Irlanda. A Phytophtora i. necessita de, pelo menos, um período de 90% de temperaturas de 10ºC ou mais elevadas, e a água deverá permanecer nas folhas da batateira pelo menos durante um período de 4 horas cada dia. Até 1840 as temperaturas na Irlanda eram relativamente baixas.

O ano de 1845 foi um dos mais quentes do século na Irlanda, o Inverno não foi suficientemente frio e a Primavera e o Verão foram anormalmente quentes, criando as condições necessárias para a disseminação da doença.

As variações de temperaturas descritas decorreram por acção natural, mas com o efeito de estufa estamos a aquecer progressivamente a atmosfera e a aumentar o teor de água.

A actividade humana tem tido efeitos devastadores na biodiversidade e tem acelerado o ritmo de extinções.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Biodiversidade (4)


Neste início de milénio é necessário um grande esforço comum para evitar que a crise biológica atinja proporções inimagináveis. É necessário aumentar e proteger os parques naturais; as plantas ancestrais, aquelas que foram domesticadas para a nossa agricultura, deverão ser altamente protegidas no seu centro de origem; a agricultura dever caminhar cada vez mais para a produção integrada.

As convenções internacionais deverão ser respeitadas; a actual mentalidade excessivamente economicista, em que a principal preocupação e produzir mais, com maior rapidez e mais barato, reflecte-se no consumo de produtos alimentares. Estes são cada vez menos diversificados, alguns casos de pior qualidade, apesar de mais atraentes, e poluídos.

A espécie humana explora cerca de 1% das espécies de plantas que existem na Natureza. A alimentação humana está dependente de cerca de 20 espécies de plantas. Há oito cereais de que a população mundial depende essencialmente: o arroz; trigo; milho; estes três cereais só por si perfazem, directa ou indirectamente, cerca de 50% das necessidades da nossa alimentação, a aveia; o milho miúdo; a cevada; o centeio e o sorgo. No entanto, há algo de perigoso com esta superprodução. As culturas estão altamente seleccionadas e uniformes sob o ponto de vista genético.

A bardana, o parsnipo, algumas variedades de feijão ou lentilha, já estão praticamente excluídos da alimentação corrente.

Outrora a alimentação humana baseava-se em 7 mil diferentes espécies de plantas, no mercado alimentar actual houve um desaparecimento de cerca de 95% das variedades de plantas.
No que diz respeito à produção animal, algo de semelhante ocorre com a pecuária intensiva, há uma excessiva selecção de animais, a diversidade genética tem sido progressivamente erodida, o que tem como consequência que os animais sejam muito mais sensíveis a doenças.

Na agricultura tradicional quem trabalha com a terra sabe quão importante são as estirpes selvagens, é a partir delas que se fazem os porta-enxertos ou o enriquecimento do solo para a cultura principal. Daí a razão da necessidade da preservação dos “Bancos de genes” e “Bancos de sementes”. O melhoramento genético de muitas espécies será inviável sem as estirpes selvagens.

As explorações agro-florestais recentes tem tendência a serem monoespecíficas, este tipo de explorações, além de conduzirem a uma redução da biodiversidade, tanto a nível de fauna como de flora, são constituídos por elementos de elevada homogeneidade genética.

Esta homogeneidade poderá trazer consequências nefastas; a redução de genes disponíveis poderá inviabilizar o melhoramento de espécies, podendo mesmo pôr em causa, a médio e longo prazo, a continuidade dessas mesmas espécies. Coberturas vegetais homogéneas são muito mais sensíveis a ataques de pragas ou de epidemias do que cobertos vegetais

terça-feira, 21 de novembro de 2006

A Biodiversidade (3)

Assim, para se controlar as pragas, recorre-se ao emprego de pesticidas em doses maciças. As pragas vão adquirindo resistências, que se transmitem de geração para geração, e apenas os mais resistentes sobrevivem e se reproduzem.

Entra-se num círculo vicioso quando para se combater as novas gerações já mais resistentes, são empregues diferentes químicos, mais potentes que os primeiros, ou de formulação diferente. São sistemas que não são sustentáveis a longo prazo. A própria estrutura do solo e sua fertilidade vão degradando com o seu uso intensivo.

O emprego de insectos predadores e parasitários contra pragas é uma solução em termos ambientais, e mesmo económicos, e a longo prazo, bastante mais equilibrada. Mas este método não tem um sucesso visível logo após a sua aplicação e deve ser usada em simultâneo numa vasta área. Desta forma será necessária a colaboração dos agricultores e de todos os outros elementos intervenientes na área em questão.

A agricultura intensiva requer o emprego de maquinaria e de químicos que para a sua fabricação necessitam de grandes subsídios energéticos que, muitas vezes, são retirados de combustíveis fósseis, que não são renováveis. Pode acontecer que seja empregue mais energia neste subsídios do que aquela que é retirada das culturas em valor alimentar.

De forma a satisfazer as necessidades da humanidade, em crescendo populacional, deve-se procurar uma solução em que haja o emprego de recursos renováveis na agricultura, silvicultura, aquacultura e biotecnologia.

A tendência que o mercado mundial tem de abrir-se cada vez mais permite o acesso a produtos de outras latitudes e, neste aspecto, há um enriquecimento na alimentação. O surgimento de novas culturas, como foi o caso do Quivi há cerca de uma dezena de anos também contribuem para o acesso a uma alimentação mais rica.

A biotecnologia parece ter como principal preocupação a produção daquilo que e mais
atraente, regra geral aquilo que e maior e mais uniforme. Requerendo estas culturas um maior emprego de produtos fitofármacos.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

O Problema da Biodiversidade (continuação 2)

Em algumas florestas tropicais, onde está a grande reserva genética do planeta, os pássaros locais que se alimentavam dos frutos, os pombos, foram alvo de uma caça absolutamente bárbara, o que conduziu quase à sua extinção. Assim, estas árvores têm a sua sobrevivência, como espécie seriamente ameaçada, porque o agente responsável pela sua disseminação foi posto em causa. As aves depois de se alimentaram do fruto, através dos seus dejectos onde a semente se apresenta intacta, semeavam novas árvores.

Estes são exemplos claros de como a intervenção humana pode, mesmo que de forma claramente involuntária, quebrar todo um ecossistema.

Outro problema diz respeito a inclusão de um elemento estranho no ecossistema inicial.
Ao nível vegetal, muitos deles são úteis. Com a “descoberta” da América a inclusão da batata, milho, tomate, pimento e outros produtos na lavoura e alimentação foi um grande salto qualitativo e quantitativo no nível de vida das populações.

Ao nível animal, a domesticação de vacas, ovelhas, cabras, em tempos remotos, representou um grande salto no domínio da Natureza, por parte do ser humano, e uma fonte segura de alimento. A domesticação do cão também foi de vital importância. Posteriormente a domesticação de porcos e gatos não representou nenhuma ruptura consideravelmente malévola. Mas a introdução do coelho na Austrália foi um completo desastre, pois é, actualmente uma praga devastadora sem solução à vista.

Está-se perante uma crise na conservação da Natureza. Os parques e reservas naturais apenas podem proteger uma pequena parte dos ecossistemas e suas espécies. No entanto, mesmo que protegidos legalmente, os ecossistemas estão sujeitos a chuvas ácidas, poluição acidental ou mesmo desastres naturais. Outrora, quando determinado habitat era alvo de alguma calamidade, as espécies sempre tinham a possibilidade de migrar para zonas vizinhas, algo que está cada vez mais limitado.

O mundo está em risco de perder grande parte do seu potencial genético. Muitos dos ecossistemas vão aos poucos empobrecendo e perdendo a sua produtividade. Felizmente que os sistemas naturais são dotados de uma grande inércia o que permite travar a constante erosão genética.

A agricultura moderna baseia-se em sistemas de monoculturas que requerem um grande emprego de pesticidas no combate a pragas, e de fertilizantes inorgânicos, de forma a haver um máximo de produtividade numa menor área em menor espaço de tempo.

A biotecnologia parece ter como principal preocupação a produção daquilo que é mais atraente, regra geral aquilo que é maior e mais uniforme. O que naturalmente também atrai as próprias pragas.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

O Problema da Biodiversidade (continuação)

A conservação da diversidade das plantas, Fitodi versidade, é preciosa para o equilíbrio terreno. A actual tendência para o declínio desta diversidade terá efeitos catastróficos na vitalidade do ecossistemas. Não apenas a sua manutenção mas também a evolução estão dependentes da Fitodiversidade. As plantas selvagens são imprescindíveis para o melhoramento genético das espécies e, em particular, para a criação de defesas naturais contra pragas. Está claramente comprovado que o recurso puro e simples a pesticidas não é a solução mais correcta. Os próprios animais selvagens são importantes como reservas genéticas.

Quanto mais os cientistas estudam a vida na Terra mais ficamos maravilhados com a inacreditável complexidade e beleza dos sistemas biológicos da biosfera.

Ao longo de milhares de milhões de anos a vida tem evoluído. No início novas espécies desenvolveram-se e “tomaram” os habitates inocupados, posteriormente estes territórios foram tomados por outras espécies já mais evoluídas tomando vantagem das condições criadas pelas anteriores, e assim sucessivamente. Relações entre espécies foram então desenvolvidas. Umas espécies adaptaram-se aos ecossistemas em que vivem, embora com alguma elasticidade, o que potencializa a sua hipótese de sobrevivência perante uma mudança brusca; outras são tão frágeis que a remoção de um só elo poderá ser suficiente para a sua extinção. É o exemplo de algumas orquídeas tropicais que tendo uma forma única estão dependentes de uma só espécie de abelha, que sucessivamente as fertiliza; caso esta espécie de abelha desapareça a orquídea terá o mesmo destino. A introdução da abelha africana na floresta amazónica poderá conduzir ao desaparecimento de algumas orquídeas naturais daquela região, pois a abelha africana tem uma capacidade competitiva muito maior que a das espécies nativas.

Frequentemente as espécies alóctones quando são introduzidas em novos habitates que lhes são favoráveis trazem consigo doenças e predadores para as quais estão adaptadas, ao invés das espécies autóctones.

Um exemplo clássico da necessidade de salvaguardar o equilíbrio ecológico e o que aconteceu numa pequena aldeia, em plena Ásia, que se debatia com o problema das moscas. Foi adquirido um pesticida com o objectivo de combater as moscas. Algumas, no entanto, eram suficientemente resistentes para sobreviverem e voarem apesar do emprego do veneno que lhes foi ministrado, estas moscas foram comidas por pequenos lagartos, seus naturais predadores, que se passeavam nos terraços das casas. Como os lagartos foram afectados pelo veneno ingerido através das moscas não se conseguiam segurar nas paredes e caíam ao chão de onde não conseguiam fugir dos gatos que os caçavam e comiam. Desta forma os gatos adquiriram uma dupla acumulação de veneno. Aqueles que não morriam envenenados já não tinham força suficiente para perseguir e apanhar os ratos e o resultado foi uma explosão populacional de ratos.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

2. O Problema da Biodiversidade

Desde tempos imemoriais que a beleza e diversidade das plantas impressionaram a espécie humana. Regra geral, é sempre um motivo de deleite poder apreciar uma paisagem campestre.
Por outro lado, a sobrevivência da humanidade depende da acção fotossintética das plantas, consomem o dióxido de carbono (CO2), que expulsamos do nosso corpo, e produzem oxigénio (02), gás que consumimos na respiração. Também na nossa alimentação as plantas tem um papel insubstituível, quase todas as refeições incluem produtos vegetais. Os próprios animais que fazem parte da alimentação humana dependem das plantas. De uma forma directa ou indirecta toda a vida na Terra está dependente das plantas.

Actualmente estão identificadas cerca de 2.5 milhões de espécies de animais e plantas mas há estimativas que apontam para a possibilidade da existência de 30 milhões de espécies de seres vivos.

Os medicamentos que actualmente são empregues na cura de doenças e elevação do nível de saúde são em grande parte extraídos a partir de elementos vegetais. Muitas das plantas que são utilizadas para a composição de especialidades farmacêuticas são silvestres, algumas crescem espontaneamente sem uma intervenção directa do homem. A dormideira (Papaver somniferum L.), uma planta silvestre, fornece substâncias químicas que são empregues em mais de 400 medicamentos. No entanto acredita-se que existe um grande potencial ainda não identificado de plantas que serão úteis para a fabricação de produtos farmacêuticos.

Exemplo de como ecossistemas inteiros deverão ser preservados diz respeito à salvaguarda de espécies de árvores em perigo de extinção, é o exemplo do Teixo (Taxus L.). Estas plantas necessitam de viver em comunidade com os carvalhos, isoladas nunca poderão sobreviver.
Investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego anunciaram publicamente ter descoberto um meio de extrair um taxol, produto químico extraído da taxina, alcalóide letal extraído das folhas e cascas dos teixos. O taxol em questão é um eficiente medicamento contra certas formas de cancro. Assim para assegurar a preservação desta droga é necessário proteger todo um ecossistema.

Apenas cerca de 5000 espécies de Espermatófitas (plantas que produzem sementes) foram estudadas exaustivamente. As plantas são igualmente fonte de matérias-primas como madeira para construção, lenho, cola, resina, fibras para papel, etc. O próprio petróleo bruto é resultante da acção vegetal. Os maiores produtores de biomassa no Planeta são as plantas, cerca de 89%; seguido de bactérias, fungos e algas, 7.5%; e animais, 3.5%. Os mamíferos, com a espécie humana incluída, representam apenas 0.15% da biomassa global.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Panorâmica geral (continuação)

É referida a previsão para um aumento de temperatura entre 0.8º C e 3.5 ºC no ano 2100. O nível do mar poderá aumentar de 0.1 a 0.8 metros. O IPCC refere: “Estas alterações podem ser atribuídas à actividade humana, especialmente ao uso de combustíveis fósseis, aos usos industriais, e à agricultura e destruição da floresta.”

A humanidade está perante mudanças muito rápidas, destacando-se de entre elas uma maior irregularidade das chuvas e consequente aumento da tendência para inundações e secas. Mudanças para as quais muitas formas de vida no Planeta não têm resposta. A biodiversidade da terra corre um grande risco, e com ela largas faixas da humanidade. O relatório do IPCC indica que “as estratégias que podem levar à adaptação dos sistemas, como a agricultura ou o abastecimento de água, baseiam-se geralmente nos avanços tecnológicos, mas este avanços não estão a disposição de muitos habitantes do globo”. O aquecimento deverá acentuar-se essencialmente nas altas latitudes a Norte, e no Inverno deverá ser maior sobre a terra do que sobre o oceano. Como consequência a chuva aumentará nos climas mais quentes, tal como a evaporação, o que irá acentuar as secas.

A saúde humana também será afectada. O aumento de calor associado a doenças transmitidas por mosquitos, moscas, outros insectos ou cobras de água, poderá resultar em algo de catastrófico. Os problemas respiratórios e as alergias deverão aumentar com o respectivo aumento de poluição atmosférica.

As catástrofes naturais resultantes do aquecimento global poderão conduzir à progressiva escassez da água potável. As florestas não deverão ter capacidade de resposta a estas mudanças bruscas.

Os ecossistemas costeiros, a junção dos rios com o mar, asseguram a reprodução de inúmeras espécies; o desaparecimento de pequenas ilhas e zonas de delta, poderão conduzir ao desaparecimento de algumas espécies.

O IPCC mostrou, de forma categórica e inequívoca, que a responsabilidade deste fenómeno deriva da acção humana. São sabidas as comodidades que os derivados petrolíferos introduziram na nossa vida quotidiana, mas o que está em jogo é o futuro da humanidade a médio prazo.
O Professor David Schlinder da Universidade de Alberta, Canadá, após estudos rigorosos, referindo-se na revista Nature aos efeitos do aquecimento global, o alastrar do buraco na camada de ozono e das chuvas ácidas concluiu que em Ontário as temperaturas dos lagos subiram em media de 1.6ºC a 2.6ºC e os níveis de carbono desceram de 15 a 20%, o que permite uma maior penetração dos raios solares ultravioletas, nocivos à vida aquática.

Os especialistas consideram que a Terra tem dois pulmões, as florestas e os oceanos. Três quartos da parte solida do nosso planeta estão a norte do equador. Quando o hemisfério norte se vira para o Sol, o teor de CO2 na atmosfera baixa de forma significativa, período que corresponde a sua Primavera e Verão e em que as plantas de uma forma global são mais activas no fenómeno da fotossíntese, fenómeno que permite a eliminação de CO2 e formação de O2. Durante o Outono e o Inverno deste hemisfério as suas plantas caducas perdem as folhas e param de absorver CO2, o que conduz ao aumento da concentração deste gás na atmosfera. Trata-se de um fenómeno cíclico. Mas todos os Invernos, o nível máximo de CO2 tem vindo gradualmente a aumentar.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

1. Panorâmica geral


A Terra é um dos mais pequenos planetas do sistema solar mas a sua distancia ao Sol, conjuntamente com a sua acção gravitacional, permitem que retenha alguns gases que constituem a nossa atmosfera; a sua temperatura está entre parâmetros que permitem que o vapor de água se condense em água líquida, que se torna sólida e gélida apenas nos pólos. Por outro lado o interior da Terra é bastante quente para a existência de vida tal como a conhecemos. Apenas uma ínfima camada exterior do Planeta onde existe solo e água e que, com a camada de ar, permitem a existência de vida tal como a conhecemos.

Essa camada e designada de “biosfera”, a esfera da vida. A “biosfera” tem características especiais que permitem a vida possível.

A atmosfera primitiva terá sido composta essencialmente por amoníaco e dióxido de carbono, uma combinação francamente hostil às actuais formas de vida.

Foi a acção das primeiras formas de vida que permitiram que a atmosfera se fosse gradualmente transformando. As plantas, durante muitos milhões de anos foram assimilando o dióxido de carbono e separando-o nos seus componentes; carbono que incorporavam e oxigénio que expulsavam para a atmosfera. A presença do oxigénio na atmosfera tornou possível a destruição do amoníaco e a sua substituição por azoto e água, assim terá sido criada a atmosfera tal como hoje a conhecemos. A combinação do relativamente inerte azoto com o suficiente oxigénio é aquilo de que precisamos para a nossa existência.

Mas a destruição do ambiente tem alterado insidiosamente não só a atmosfera como também a própria biosfera.

O Planeta que, durante bastante tempo, era considerado como um imenso mundo e fonte inesgotável de recursos tem vindo cada vez mais a mostrar as suas limitações.

O desbravamento de florestas em diferentes partes do mundo algo que ocorre tanto nos países ricos como nos pobres, apesar de, neste último caso os órgãos de informação darem uma maior ênfase é algo que afecta o Planeta na sua globalidade.

Estudos recentes indicam que o desaparecimento de muitas antigas civilizações mediterrânicas, poderá estar relacionado com a destruição do habitat que as circundava. Uma procura excessiva de madeira e área para cultivo terão levado a uma excessiva erosão do solo, o que conduziu a desertificação de terreno outrora cheio de vida e consequente final abrupto de brilhantes civilizações.

O IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), organismo criado em 1988, afirma que: “As actividades humanas estão a causar aumentos das concentrações atmosféricas de gases de estufa, particularmente de dióxido de carbono e metano, e de aerossóis. Os gases de estufa aquecem a atmosfera enquanto os aerossóis tendem a arrefecê-la”. Este Instituto fez projecções para um futuro próximo. As projecções foram elaboradas tendo como dados de base o maior ou menor crescimento populacional e económico, os diferentes usos da terra, as mudanças tecnológicas e as disponibilidades energéticas.

As projecções do IPCC apontam para que as emissões de dióxido de carbono no ano 2100 variem entre 6 e 36 gigatoneladas. O primeiro cenário corresponde a um baixo aumento populacional, portanto a emissão de dióxido de carbono será equivalente à actual (1995). As emissões acumuladas de dióxido de carbono entre 1990 e 2100 deverão variar entre as 700 e as 2080 gigatoneladas. Entre 1860 e 1994 as emissões acumuladas foram de 240 gigatoneladas.

Por outro lado, há muitas pessoas dispostas a fazerem sacrifícios mas que não sabem em que acreditar. Há cada vez mais produtos rotulados como “amigo do ambiente”, sendo esta rotulação mais de uma estratégia comercial do que parte integrante de uma concepção ambientalista.

Nos últimos anos a quantidade de produtos “verdes” tem aumentado em flecha. A questão que muitas vezes se coloca é saber até que ponto eles serão mesmo “verdes”. No entanto, isto poderá ser entendido como um indicador do atingir o estado de maturidade em certas franjas da sociedade humana e o reconhecimento da importância do nosso comportamento perante os outros seres humanos e as outras espécies de seres vivos existentes no Planeta.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Uma Perspectiva Ambiental


Um dos problemas que tem afligido a Humanidade nos tempos mais recentes, ou de que só pouco ela se consciencializou de tal, diz respeito ao Meio-Ambiente, levando o Homem a adquirir a consciência de que os recursos naturais são limitados e que a sua utilização de forma desregrada poderá ser catastrófica. Durante o período da então Guerra Fria muitas questões relacionadas com a protecção ambiental eram claramente secundarizadas, mas com o fim das barreiras entre Ocidente e Oriente e a ameaça de uma qualquer catástrofe ambiental à escala mundial, os líderes de pensamento e a opinião publica voltaram-se cada vez mais para a protecção do ambiente que nos rodeia. No entanto, a presente ameaça terrorista, que já se materializou de forma massiva em Nova Iorque, Madrid e Londres foi causa de revés na focalização deste problema.

No entanto, cada vez mais a Humanidade vai tendo consciência de que é necessário o cidadão comum ter discernimento sobre as questões que afectam o Planeta, ao mesmo tempo que também cada vez mais há a noção que os problemas ambientais mais graves só poderão ser resolvidos à escala mundial, e que as diferentes nações estão mais e mais dependentes umas das outras.

O buraco na camada de ozono e o efeito de estufa, são exemplos de colisão violenta entre a civilização humana e o mundo natural. Para enfrentar estas, e outras ameaças, a humanidade necessita de se unir pois de nada serve a um país ter uma conduta exemplar se o seu vizinho lhe polui o ar e os rios e de promover a educação para ter cientistas competentes que apontem soluções técnicas e de formar uma opinião pública que seja sensível a questões como estas.
Uma das formas que actualmente se usa para eliminar o lixo regional das fábricas é a utilização de chaminés cada vez mais altas, método este que permite, por exemplo, ao Reino Unido enviar muita da sua poluição para a Noruega. Exemplo notório de como os problemas ambientais não se podem resolver à escala regional ou nacional, é o que aconteceu em Chernobyl com a ruptura na Central Nuclear. As forças da Natureza não conhecem fronteiras e os ventos sopraram da Ucrânia para os outros países contaminando todo esse ambiente.

Os portugueses, e naturalmente que também os próprios espanhóis, tem a consciência de como são directamente influenciados pelo plano hidrológico espanhol, em que um dos itens deste projecto consiste na transferencia de água de uns rios para outros rios.

Já não somos meros consumidores, somos também agentes poluentes.

Corremos o risco de sermos condenados pelas gerações posteriores por “ecocídio”, isto é assassinato do ambiente.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Os judeus à espera do Messias


Muita da tensão reinante na presente situação mundial, tem origem, ou pelo menos para tal serve de pretexto, no confronto israelo-árabe.

E sobre este assunto gostaria de expressar a minha opinião sobre a expectativa do judeus, em particular, e dos outros povos, em geral, na vinda do Messias.

Algo que tem provocado uma certa perplexidade aos estudiosos de religião e aos leigos diz respeito ao facto de os judeus não terem reconhecido em Jesus Cristo o Messias que lhes tinha sido profetizado, tendo inclusivamente este povo sido sujeito a vastas provações devido a este facto.

Há profecias no Antigo Testamento que não dizem directamente respeito a Jesus Cristo, nomeadamente aquela que se refere ao “Senhor do Exércitos”, que irá reunir os judeus dispersos pelo Mundo. Esta profecia não poderia estar directamente relacionada com Jesus Cristo porque no Seu tempo ainda os judeus não tinham sido expulsos da Palestina e “dispersos entre as nações”. Houve a situação de exílio no Babilónia mas sem o significado da dispersão imposta pelos romanos e que se manteve até há pouco tempo.

Isaías que terá sido talvez o profeta do Antigo Testamento com maior eloquência, escreve:
Brotará uma vara do tronco de Jessé, e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor...A justiça será o cinto dos seus rins, e a lealdade circundará os seus flancos. Então o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá... A criancinha brincará na toca da ápide e o menino desmamado meterá a mão na caverna da serpente. Não haverá dano nem destruição em todo o meu Monte Santo, porque a terra está cheia de ciência do Senhor, tal como as águas que cobrem o mar”.

Desta profecia poder-se-á entender como um estado de maturidade da humanidade em que diferentes povos, etnias, grupos religiosos que outrora, ou ainda hoje, estavam em contenda venham a viver harmoniosamente. É o caso de palestinianos e judeus, na Terra Santa; tutsis e hutus no Ruanda; católicos e protestantes na Irlanda do Norte; hindus e muçulmanos na India; alemães e polacos; japoneses e coreanos; pretos e brancos na África do Sul; sunitas, xiitas e curdos no Iraque e outros casos idênticos como são o triste exemplo que ainda se passa nos Balcãs, onde ocorrem comportamentos que eram considerados como já banidos da Europa.

Ao mesmo tempo que “o lobo habitará com o carneiro” assistir-se-á ao retorno dos judeus à Terra Santa. São profecias que estão relacionadas directamente com Bahá‘u’lláh que em árabe quer dizer “Glória de Deus”.

Assim com Isaías também escreveu:

Naquele dia, o Senhor levantará de novo a Sua mão para resgatar o resto do Seu povo, os sobreviventes da Assíria e do Egipto, de Patros, da Etiópia, de Elam, de Senaar, de Hamat e das ilhas do mar. Levantará o Seu estandarte entre as nações, para juntar os exilados de Israel, e reunirá os dispersos de Judá dos quatro cantos da terra.”

Bahá’u’lláh, nascido na Pérsia em 1817, fundador da Fé Bahá’i, é considerado pelos Seus seguidores, o prometido de todas as religiões anteriores. Para o Judaísmo é o “Senhor dos Exécitos”; para o Cristianismo, o regresso de Cristo na “Glória do Pai”; para o Islão o “Grande Anúncio”; para o Budismo, o “Buda Maitreya” para o Hinduísmo, a nova encarnação de Krisna; para o Zoroastranismo, o advento do “Sháh-Bahrám”.

Bahá’u’lláh referindo-se ao facto das religiões do passado, e particularmente à de Jesus Cristo ter produzido os seus efeitos mais importantes no desenvolvimento da civilização no decorrer da sua expansão para o Ocidente, predisse que a mesma coisa ocorreria nesta nova era, mas numa escala muito maior: “No Oriente tinha irrompido a Luz de Sua Revelação; no Ocidente apareceram os sinais do Seu domínio. Ponderai sobre isto nos vossos corações, ó povo...”

A Fé Bahá’i nasceu no ano de 1844, ano em que o governo turco, por pressão de governos ocidentais, permitiu que os primeiros judeus regressassem à Terra Santa.

É na cidade de Haifa, norte de Israel, que se encontra o Santuário do Báb, precursor de Bahá’u’lláh e o Imám Mahdi profetizado no Islão, tal como a sede da Sua Ordem Administrativa, são locais belíssimos que mereciam outro tratamento por parte dos média na sua constante procura por escândalos e violência e menosprezando o que é belo. Vivi ano e meio em Israel e concluo que é triste a imagem que nos é dada daquele país, ela não corresponde à realidade. Não é raro assistira a um são convívio entre judeus e árabes, ou entre muçulmanos, cristãos, drusos, judeus e Bahá’ís.

Acredito que se os leitores deste blog investigarem este assunto jamais poderá saírão decepcionados.

Fui apanhado...em 5 manias


Fui panhado no seguinte:"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.

1. Quando estou muito interessado num assunto falo dele até nunca mais acabar, mesmo quando os ouvites já estão saturados de me ouvirem.
2. Dizer que ver telenovelas é uma perda de tempo e procura chegar a casa a tempo de ver a "Sinhá Moça".
3. Gostar de correr à chuva.

4. Ver o que os condutores fazem (sem se aperceberam) nos sinais vermelhos.

5. Começar a ler mais do que dois ou três livros ao mesmo tempo, e terminando metade deles...

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Índice

Vou deixar o índice dos assuntos inicialmente tratados neste blog, e que se referiram quase na sua totalidade às profecias Islâmicas anunciando a vinda de Bahá'u'lláh.
Em breve, centrar-me-ei na questão ambiental, tendo sempre em consideração a minha visão pessoal como crente em Bahá'u'lláh.

Bahá’u’lláh, O Grande Anúncio Profetizado no Alcorão
I. Introdução
Pequena descrição da vida de Maomé
O Islão após a morte de Maomé
O Alcorão

A Amplitude da Revelação Corânica
Razões para animosidade para com o Islão
II. A vinda de Maomé profetizada por Jesus
III. Ensinamentos Básicos do Alcorão
A Unidade de Deus e a Unidade dos Seus Apóstolos e Profetas
A origem divina de todas as Leis de Deus
A Função dos Apóstolos de Deus é Uma Só e a Mesma
Quando é que os Apóstolos são enviados?
IV. Interpretação do Alcorão
V. Islão um termo específico e geral
Unidade de Religião
O Significado de Muçulmano e de Islão
VI. Maomé “O Selo dos Profetas"
VII. Testemunha, Arauto de Boas Novas e Admoestador

VIII. O Advento de Duas Grandes Manifestações
IX. Jesus e João

A função das duas Manifestações divinas
X. A Revelação Progressiva
XI. Um Termo Certo Para Cada Nação
O Termo para a Nação Muçulmana
O Sêlo dos Profetas e a Lei Islâmica
Cada Nação tem a sua Própria Lei
O Desejo de Deus: A Humanidade como “Um Nação"
XII. A Ressurreição
A Hora
A Sura de Hud
Noé e o Seu Povo
Hud e o Povo de A’ad
Saléh e o Povo de Çamudes
O Povo de Abraão
O Povo de Lot
Xuaib e Povo de Madianitas
O Inevitável
XIII. Recompensa e Punição
O Julgamento e a Nova Manifestação
O Equilíbrio
Vida e Morte
O Sol, a Lua, as Estrelas, O Céu e a Terra
Recompensa e Punição
Julgamento e Nova Manifestação
A Balança
Vida e Morte
O Sol, a Lua, as Estrelas, Céu e Terra
XIV. A Questão dos Milagres
O Verdadeiro Milagre é o Livro
XV. Outras Provas
De onde virão as lamentações
XVI. O Dia que não será seguido pelas Trevas
XVII. O Martírio do Imame Husayn

XVII. Escrituras Sagradas de O Báb

XIX. Escrituras Sagradas de Bahá’u’lláh
Epílogo

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Epílogo

Há uma tradição que se encontra na obra de Shaykh Ibu’l-Arabí, e que é reconhecida como afirmação autêntica de Maomé: ‘Todos eles (Os companheiros do Qa’im) serão trucidados, salvo Um só – Aquele que alcançará a planície de ‘Akká, o Salão dos Banquetes de Deus’[1].

É em Akka (São João de Acre) que se encontra o Santuário de Bahá’u’lláh, o Grande Anúncio profetizado no Alcorão.

Na realidade, jamais Deus abandonou o Homem à sua mercê. As suas vãs fantasias é que o apartaram da Fonte Divina, conforme Bahá’u’lláh resume nas Palavras Ocultas todo o Convénio:
“Ó Filho do Ser!
Ama-me, a fim de que Eu te possa amar. Se não me amas de modo algum pode o Meu amor te atingir. Sabe disto , ó Servo!”
[2]

[1] Comunidade Bahá'í do Brasil http://www.bahai.org.br/, 2005
[2] Pg.20, Palavras Ocultas

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Escrituras Sagradas de Bahá’u’lláh (conclusão)


É certo que a aceitação seria imediata, mas jamais meritória. O Homem seria pouco mais de uma marioneta sem vontade própria, para quem a recompensa ou punição divina não fariam sentido.

A sua civilização não seria construída com o livro arbítrio, antes no assombramento de um poder imenso que não lhe tinha sido transmitido através do coração.

Assim, os líderes das diferentes religiões sempre se opuseram ao Prometido. No entanto, praticavam actos piedosos que há luz do julgamento dos homens eram louváveis. Mas eram actos aparentemente rectos porque a ignorância ou cobiça não lhes permitiu servir O seu Senhor quando Ele chegou. No lado oposto, homens simples como Pedro, foram capazes de reconhecê-Lo.[1]

Oxalá possamos ser dignos de Sua criação e merecedores do livro arbítrio com que fomos contemplados.

[1] É de referir que a capacitação intelectual de cada um é francamente estimulada na Fé Bahá’í.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

XIX. Escrituras Sagradas de Bahá’u’lláh (1.ª parte)


No que diz respeito às tribulações que os diferentes Mensageiros de Deus e Profetas têm sofrido desde Abraão até Si, Bahá’u’lláh afirma de forma inequívoca:

"Louvores a Ti, ó Senhor Meu Deus, pelas revelações maravilhosas de Teu inescrutável decreto e pelas múltiplas angústias e tribulações que a Mim destinaste. Em um tempo às mãos de Nimrod me entregaste, em outro, permitiste que a vara do Faraó Me perseguisse. Somente Tu podes estimar, através de Teus conhecimentos que tudo abrangem e da operação de Tua vontade, as incalculáveis aflições que sofri em suas mãos. Em outra ocasião, Tu Me relegaste à cela de prisão dos ímpios, não sendo por isso outra razão, senão porque Me senti impelido a sussurrar, nos ouvidos dos favorecidos habitantes de Teu Reino, uma leve sugestão da visão com que Tu, através de Teu conhecimento, Me inspiraras, cuja significação, mediante a grandeza de Teu poder, Me havias revelado. Em outra ocasião, decretaste fosse eu decapitado pela espada do infiel. E ainda outra vez, fui crucificado por haver desvelado ante os olhos dos homens as jóias ocultas de Tua gloriosas Unidade, por lhes ter mostrado os sinais maravilhosos de Teu soberano e sempiterno poder. Quão amargas as humilhações amontoadas sobre Mim, em uma era subsequente, na planície de Karbilá! Quanto me senti solitário entre Teu povo! A que estado de desamparo fui Eu reduzido naquela Terra! Não se contendo com tais indignidades, Meus perseguidores degolaram-Me e levaram exposta a Minha cabeça de terra em terra, exibindo-a ante os olhos da multidão incrédula e depositando-a nos assentos dos perversos e infiéis. Em era ulterior fui suspenso, fazendo-se meu peito o alvo dos dardos da crueldade maliciosa de Meus inimigos. Meus membros foram crivados de balas e Meu corpo despedaçado. E, finalmente, neste Dia, vê como Meus inimigos traiçoeiros se coligaram contra Mim e ainda conspiraram, sem cessar, para instalar o veneno do ódio e da malícia nas almas de Teus servos. Intrigam, com todas as forças, paras alcançar seu objectivo...Por lastimável que seja Minha situação, ó Deus, Meu Bem-Amado, agradeço-Te, e Meu Espírito é grato por tudo o que Me tem sobrevindo no caminho de Teu beneplácito. Bem contente estou com aquilo que me ordenaste; de bom grado aceito as dores e tristezas que tenho de sofrer, por calamitosas que sejam.”[1]

Poderemos questionarmo-nos, porque terá permitido Deus que tudo tivesse acontecido?

Na realidade os Seus Profetas jamais vieram com toda a Sua Majestade desvelada, antes mostraram as limitações dos outros seres humanos, conforme atestado por Maomé.

O que aconteceria se toda a Sua Majestade fosse visível? Se os milagres se cumprissem conforme vontade dos homens?

[1] Selecção dos escritos de Bahá’u’lláh, pg 64