quinta-feira, 2 de novembro de 2006

XIX. Escrituras Sagradas de Bahá’u’lláh (1.ª parte)


No que diz respeito às tribulações que os diferentes Mensageiros de Deus e Profetas têm sofrido desde Abraão até Si, Bahá’u’lláh afirma de forma inequívoca:

"Louvores a Ti, ó Senhor Meu Deus, pelas revelações maravilhosas de Teu inescrutável decreto e pelas múltiplas angústias e tribulações que a Mim destinaste. Em um tempo às mãos de Nimrod me entregaste, em outro, permitiste que a vara do Faraó Me perseguisse. Somente Tu podes estimar, através de Teus conhecimentos que tudo abrangem e da operação de Tua vontade, as incalculáveis aflições que sofri em suas mãos. Em outra ocasião, Tu Me relegaste à cela de prisão dos ímpios, não sendo por isso outra razão, senão porque Me senti impelido a sussurrar, nos ouvidos dos favorecidos habitantes de Teu Reino, uma leve sugestão da visão com que Tu, através de Teu conhecimento, Me inspiraras, cuja significação, mediante a grandeza de Teu poder, Me havias revelado. Em outra ocasião, decretaste fosse eu decapitado pela espada do infiel. E ainda outra vez, fui crucificado por haver desvelado ante os olhos dos homens as jóias ocultas de Tua gloriosas Unidade, por lhes ter mostrado os sinais maravilhosos de Teu soberano e sempiterno poder. Quão amargas as humilhações amontoadas sobre Mim, em uma era subsequente, na planície de Karbilá! Quanto me senti solitário entre Teu povo! A que estado de desamparo fui Eu reduzido naquela Terra! Não se contendo com tais indignidades, Meus perseguidores degolaram-Me e levaram exposta a Minha cabeça de terra em terra, exibindo-a ante os olhos da multidão incrédula e depositando-a nos assentos dos perversos e infiéis. Em era ulterior fui suspenso, fazendo-se meu peito o alvo dos dardos da crueldade maliciosa de Meus inimigos. Meus membros foram crivados de balas e Meu corpo despedaçado. E, finalmente, neste Dia, vê como Meus inimigos traiçoeiros se coligaram contra Mim e ainda conspiraram, sem cessar, para instalar o veneno do ódio e da malícia nas almas de Teus servos. Intrigam, com todas as forças, paras alcançar seu objectivo...Por lastimável que seja Minha situação, ó Deus, Meu Bem-Amado, agradeço-Te, e Meu Espírito é grato por tudo o que Me tem sobrevindo no caminho de Teu beneplácito. Bem contente estou com aquilo que me ordenaste; de bom grado aceito as dores e tristezas que tenho de sofrer, por calamitosas que sejam.”[1]

Poderemos questionarmo-nos, porque terá permitido Deus que tudo tivesse acontecido?

Na realidade os Seus Profetas jamais vieram com toda a Sua Majestade desvelada, antes mostraram as limitações dos outros seres humanos, conforme atestado por Maomé.

O que aconteceria se toda a Sua Majestade fosse visível? Se os milagres se cumprissem conforme vontade dos homens?

[1] Selecção dos escritos de Bahá’u’lláh, pg 64

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