
Por exemplo, no que diz respeito aos automóveis, nos anos 50, a população mundial era apenas de 2.6 mil milhões de habitantes e havia cerca de 50 milhões de automóveis no Planeta. Em 1996 havia 5.2 milhões de habitantes e 700 milhões de automóveis, enquanto a população duplicou o número de automóveis mais do que decuplicou, prsentemente já ultrapassámos os mil milhões. Um maior número de automóveis por habitante ainda é conotado como sinal de desenvolvimento, mas poucos se questionam qual o preço a pagar por esta correlação. Seria bom que, nós os portugueses, tivéssemos uma concepção do automóvel como uma forma inidvidual de deslocação quando não existe alternativa colectiva. Infelizmente, ainda é inequívoco um promotor de status.
A convicção de que o Planeta “aguenta” com a produção contínua de automóveis merece uma reflexão. O nível de vida que existe na Europa, América do Norte ou Japão vai sendo pretendido, e de uma forma legítima, por outros povos. Enquanto só alguns poluíam o problema não era tão grave como quando forem todos a fazê-lo.
Os países que possuem 81% dos veículos constituem apenas 16% da população.
Metade dos gastos do petróleo são dirigidos para veículos rodoviários. Geram 1\5 das emissões de gases de estufa, nomeadamente monóxido de carbono e óxidos de azoto, que têm a sua origem em escapes de automóveis. Nas grandes cidades é a principal fonte de poluição.
Segundo estudos feitos nos EUA, a poluição automóvel também se faz sentir na agricultura nomeadamente na perca de culturas de cereais. A posse de um automóvel supõe uma maior mobilidade para o seu possuidor, tal como prestígio.

Mas os malefícios da sua utilização desregrada são bem visíveis nas grandes cidades com os seus custos sociais e ambientais. O dano mais evidente é o da poluição atmosférica. Depois de uma estimativa feita conclui-se que no concelho de Lisboa os automóveis libertam anualmente quase 100 quilogramas de chumbo para a atmosfera. Este metal é altamente tóxico e provoca danos irreversíveis no desenvolvimento intelectual das crianças.
Se por um lado as melhorias efectuadas nos automóveis diminuem a quantidade de poluentes e reduzem a utilização dos metais pesados empregues, o aumento de veículos em circulação impede a travagem ao aumento de poluição atmosférica. Metade da produção actual de petróleo é dirigida para veículos motorizados de transporte, na sua maioria particulares. Em termos energéticos o automóvel é bastante ineficiente, despende-se cerca de 50 vezes mais energia a percorrer determinada distância do que de bicicleta.
A
poluição sonora é outra fonte de mal estar. As grandes cidades são muitas vezes construídas de forma imperfeita. Já não há o tradicional contacto humano nem o passeio descontraído a pé.
Se por um lado o nível de vida aumentou sob o ponto de vista quantitativo, sob o ponto de vista qualitativo poderá ter diminuido.
Em Portugal quando se planeia a construção de uma estrada e se faz o respectivo estudo de impacto ambiental aquilo que seria a alternativa zero, o de não construir, esta claramente posta de lado.