quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Julgamento e Nova Manifestação

Crentes e não-crentes” são atributos que ganham novo significado com a vinda de Novas Manifestações. O julgamento não é efectuado até os povos serem convocados a dirigirem-se à Nova Luz, e aí optarão por segui-La ou mantendo-se nas trevas ignorando as leis enviadas por Deus. Tal como o Alcorão refere:

Deus é a luz dos Céus e da Terra. A Sua Luz é semelhante à de um nicho em que há uma lamparina; a lamparina está num recipiente de vidro que parece um astro rutilante. Acende-se graças a uma árvore bendita, uma oliveira, nem oriental nem ocidental, cujo azeite quase reluz, ainda que não lhe toque o fogo. Luz sobre luz. Deus guia a quem quer para a Sua luz e Deus molda as Suas parábolas para os homens. Deus é omnisciente.”
- Sura “A Luz” (XXIV, v. 35)

Até que a Terra brilhe com a Luz do seu Senhor, a maior parte da humanidade viverá na escuridão até que um grupo reduzido de esteja pronta a abraçar a nova Luz. Relativamente a este assunto o Alcorão sustenta:

“Quem está no bom caminho conduz-se a si mesmo; quem está desencaminhado extravia-se também a si mesmo. Nenhum carregador levará o fardo do outro. Não atormentámos nenhuma comunidade senão depois de lhe havermos mandado um enviado.”
- Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 15)

Deus não pune as comunidades até enviar um apóstolo:

“Quando queremos aniquilar uma cidade, enviamos os Nossos versículos aos habitantes. Há os que espalham logo a corrupção pela cidade, pois não cumprem a Nossa Lei, e destruímo-la completamente.”
- Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 16)

Os injustos rejeitam o Apóstolo e os versos que traz de Deus. Uma punição dos “injustos” reflecte-se na discórdia e cisma que reina entre eles:

“Diz: “Ele é o Poderoso que pode mandar-vos um tormento por cima de vossas cabeças ou por baixo de vossos pés, que pode dividir-vos em seitas ou fazer saborear a uns o mal de outros.” Observai como prodigamos os nossos versículos. Talvez compreendam.”
- Sura “Os Rebanhos” (VI, v.65)

É óbvio que os seguidores das religiões passadas se dividiram em seitas e caíram no fogo do cisma, incluindo os muçulmanos, tal como profetizado por Maomé numa tradição:

“Os filhos de Israel dividiram-se em setenta e duas seitas, mas o meu povo dividir-se-á em setenta e três seitas, todas irão para o inferno excepto uma...aquela a que Eu e os Meus companheiros pertencemos[1]

[1] Página 53, Martin, Forward Muhammad: A Short Biography

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

XIII. Recompensa e Punição


Regresando ao estudo do Alcorão e ao "Dia Solene".

O Julgamento e a Nova Manifestação

O Equilíbrio

Vida e Morte

O Sol, a Lua, as Estrelas, O Céu e a Terra

Os temos debatidos neste capítulo não são exclusivos de profecias islâmicas, há mesmo um grande paralelismo com as crenças cristãs e judaicas. Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento fazem referência a esses assuntos.

Recompensa e Punição

No Alcorão é referido que aqueles que acreditarem e se mantiverem firmes serão recompensados com o Paraíso:

Com efeito, dos que dizem: “O nosso Senhor é Deus”, e depois se mantém no bom caminho, não há que temer: eles não serão entristecidos.
Estes serão os hóspedes do Paraíso: eternamente viverão nele, em recompensa do que hajam feito
.”
- Sura “As dunas” (XLVI, v.13-14)

O Inferno e o fogo é a recompensa para aqueles que desobedecem a Deus:

Os homens perguntam-te acerca da Hora do Juízo. Responde: “O seu conhecimento está junto de Deus.” Que te pode informar? Talvez a Hora esteja próxima.
Deus amaldiçoou os incrédulos e prepara-lhes um fogo em que permanecerão eternamente. Não encontrarão amigo nem defensor, no dia em que os seus rostos se dirijam para o fogo. Exclamarão: “Melhor seria que tivéssemos obedecido a Deus e tivéssemos obedecido ao Enviado!”
Acrescentarão: “Senhor nosso! Obedecemos aos nossos senhores e aos nossos grandes, mas fizeram-nos extraviar na senda.”
Os crentes dirão: “Dá-lhes duplo tormento e amaldiçoa-os com a pior maldição.”

- Sura “Os Partidos” (XXXIII, v. 63-68)

A punição também está relacionada com o destino das nações. O Alcorão refere-se a este facto com aquelas que rejeitaram Maomé:

“Não viram quantas gerações aniquilámos antes deles? Estabelecemo-las na Terra melhor do que vos estabelecemos, fizemo-lhes cair do Céu chuvas abundantes e pusemo-lhes rios que corressem pelos seus vales, mas aniquilámo-las pelos seus pecados e fizemos nascer, depois delas, outras gerações.”
- Sura “Os Rebanhos” (VI, v. 6)

Este é o destino para aqueles que se recusam a acreditar no Apóstolo de Deus. O Alcorão refere-se às gerações que foram destruídas devido aos seus pecados e substituídas por outras, fazendo-nos crer que não há razão para considerar que a nação islâmica é a última nação ou que outras não serão colocadas no lugar dela. Daí a razão de os muçulmanos serem designados de “comunidade moderada”- Sura “A Vaca” (II, v.143). Não deveremos esquecer o aviso dos Profeta para os eruditos que desviam os crentes.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

A vida de de Maomé (8.ª parte)

O facto de Maomé ter tido mais de doze mulheres tem sido objecto de crítica contínua no Ocidente, mas numa análise imparcial poderemos concluir que os Seus casamentos não resultaram de uma vontade de satisfazer as Suas vontades carnais ou de demonstração de estatuto. O Seu primeiro casamento ocorreu no auge da juventude com Khadija que já tinha atingido quarenta anos de idade e, durante os vinte e cinco anos que tiveram casados, Maomé nunca teve outra mulher.

Os Seus posteriores casamentos resultaram de razões humanitárias ou políticas. As Suas esposas eram viúvas de companheiros Seus que tinham ficado sem protector, ou eram membros de famílias importantes ou clãs a quem era necessário honrar de forma a garantir as alianças. Muitas das suas esposas já tinham idade avançada e apenas Aisha, filha do Seu companheiro, Abu Bacre, a quem o Profeta entendeu honrar, era virgem. De facto, do Seu primeiro casamento nasceram oito filhos, ao passo que dos casamentos posteriores apenas nasceu mais uma criança.

Fazemos aqui um pequeno aparte para nos referirmos aos direitos das mulheres. É provável que até hoje ninguém tenha feito tanto pela sua condição como o fez O Profeta outrora. Ele permitiu que elas herdassem, mesmo sendo metade dos varões, mas o que era delas, segundo a lei islâmica, seria administrado conforme elas entendessem. No mundo ocidental, apenas em 1873, segundo a lei britânica, foi-lhes permitido gerir as sua heranças e propriedades sem o controlo dos maridos.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

A vida de de Maomé (7.ª parte)

Voltarei a fazer uma breve referência sobre a vida do Fundador da Religião Islâmica.

Maomé após regressar a Medina no Verão de 632, ficou febril e após algumas semanas a debater-se com a doença veio a falecer.

No início de Seu ministério, ensinou uma ética muito centralizada na adoração a um só Deus e banimento do paganismo.

Houve três pontos-chave constantemente relembrados aos crentes:
1. Crença num só Deus e rejeição de todos os ídolos;
2. Crença em Maomé como Mensageiros de Deus;
3. Crença no dia do Julgamento.

A estes pontos foram acrescentados os seguintes rituais e regras:
1. Oração obrigatória, cinco vezes ao dia;
2. Jejum no mês do Ramadão;
3. Pagamento da esmola;
4. Peregrinação a Kaaba;
5. Jihád, ou guerra santa contra os idólatras.

Além destes foram sendo transmitidas um séria de leis para reger a vida social tais como casamento, divórcio, herança. Outras versavam um código de conduta moral e ética onde eram enfatizados o valor da castidade, honestidade, tolerância, solidariedade e perdão. Estes princípios vieram a tornara-se a base das fundações da comunidade islâmica.

Provavelmente o maior feito de Maomé, aos olhos dos homens, terá sido o de juntar uma série díspar de tribos, muitas vezes inimigas juradas, numa só nação. Esta viria a transformar a inimizade em união fraterna, tão forte que era que nem os orgulhosos e poderosos impérios persa e bizantino lhe conseguiram fazer frente. Tão poderoso foi este ímpeto dado à nação islâmica que no espaço de uma geração veio a conquistar o território desde a Tunísia até à fronteira com a Índia. No espaço de poucas gerações este povo ignorante de costumes bárbaros e primitivos veio a ser o farol da civilização ocidental por mais de quatro séculos.

Acerca da vida de Maomé, todas as fontes bibliográficas, indicam ter usufruído de um vida simples e mesmo austera. Apesar de nos últimos de Sua vida ser um governante poderoso sempre se satisfez com roupas modestas e comida frugal. Os Seus julgamentos eram reconhecidos pelos Seus seguidores e adversários, como sendo cheios de sabedoria. Em termos políticos nunca utilizou a força quando era possível recorrer a negociações e só iniciou as agressões após os adversários terem demonstrado as suas intenções hostis. As poucas execuções por Ele ordenadas foram dirigidas a homens que de forma continuada se opuseram à Sua posição e minavam a comunidade. A alguns dos inimigos recebia de forma tão magnânime que os Seus seguidores se queixavam de aqueles serem melhores tratados do que eles próprios.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Os dois toques de trombeta

A quarta imagem do Dia da Ressurreição é demonstrada nos “dois toques de trombeta”:

“Soprar-se-á na trombeta, e os que estejam nos Céus e os que estejam na Terra – com excepção daqueles que Deus quiser serão fulminados. Depois soará a trombeta outra vez, e então se porão de pé admirados.
A Terra iluminar-se-á com a luz do seu Senhor. Colocar-se-á o Livro e trar-se-á aos Profetas e aos mártires. Julgar-se-á entre os homens de acordo com a verdade; eles não serão confundidos.”
- Sura “Os Grupos” (XXXIX, v.68-69)
Estes acon tecimentos referem-se ao “Livro” que virá juntamente com os Profetas e os mártires.

Esta referência não poderá ser cor respon dente ao Alcorão, Novo ou Antigo Testamento, porque estes ou já existiam antes dos versículos serem revelados, ou eram o recipiente da Revelação.

Além disso, o “Livro” refere-se ao ressoar de duas trombetas no Dia do Julgamento, quando “A Terra iluminar-se-á com a luz do seu Senhor”. O “Livro” dever-se-á referir a outra Revelação porque não faz sentido uma promessa com um “Livro” já existente. Pensamos ser importante referir à imagem deste Dia:

“Os que hajam temido o seu Senhor serão conduzidos por grupos aos paraísos. Quando lá chegarem abrir-se-ão as suas portas e os seus guardiões exclamarão: “A paz seja sobre vós! Fostes bons! Entrai nele para a eternidade!”
Responderão: “Louvado seja Deus, que hoje cumpre para connosco a sua promessa, pois nos deu a Terra em herança! Instalámo-nos no lugar do Paraíso que queremos.” Que bela é a recompensa dos que procedem bem!”

- Sura “Os Grupos” (XXXIX, v.73-74)

Uma vez mais, o Alcorão promete o que nesse Dia o Paraíso reinará na Terra. Deste modo, a terra, os céus e as montanhas não desaparecerão da Terra, a menos que sigamos uma interpretação literal. Por outro lado o Alcorão sustente que o Paraíso e o Inferno continuarão a existir após esse Dia:

Assim ocupa o teu Senhor quando ocupa as cidades, se são injustas. A Sua ocupação é dolorosa, violenta.
Nisso há um sinal para quem teme o tormento da outra vida. Aquele será um dia em que serão reunidos os homens, e aquele será um dia testemunhado por todas as criaturas.
Não o adiaremos a não ser por um prazo determinado.
No dia em que Deus venha, não falará uma alma senão com a sua permissão; entre eles haverá desgraçados e felizes.
Os que sejam desgraçados estarão no fogo; nele exalarão soluços e suspiros.
Permanecerão nele eternamente enquanto durem os Céus e a Terra, a menos que o teu Senhor queira outra coisa. O teu Senhor faz o que quer.
Os felizes estarão no Paraíso. Viverão nele eternamente enquanto durem os Céus e a Terra, a menos que o teu Senhor queira outra coisa. O teu Senhor dá bens sem conta.”

- Sura “Húd” (XI, v102-108)

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

O Inevitável (6.ª parte)

Um outro exemplo relacionado com a identificação de Maomé com Deus e o Seu papel no desenvolvimento dos acontecimentos, diz respeito ao relato da batalha de Badre. Tendo de combater com poderosos oponentes, o Apóstolo orou e pegou numa cheia de areia e lançou-a na direcção dos inimigos. Os crentes saíram vitoriosos e o seguinte versículo foi revelado: “Crentes! Não os matastes: Deus matou-os. Não atiras quando atiras: Deus é quem atira, a fim de experimentar os crentes, pela sua parte, como uma bela prova. Deus tudo ouve é omnisciente.” - Sura “Os Despojos” (VIII, v.17)

Um terceiro ponto concerne a que o Alcorão mostra a chave para um entendimento mais aprofundado dos versículos, enquanto é altamente descritivo, mostra que não pode ser entendido através da sua interpretação literal.

Quantos sinais há nos Céus e na Terra! Os homens passam ao seu lado, mas afastam-se deles.
Na sua maioria não crêem em Deus, mas são idólatras.
Estão seguros de que não lhes chegará um véu do tormento de Deus ou do que não lhes chegará de repente a hora do juízo quando eles não a esperam?”

- Sura “José” (XII, v. 105-107)

Adverte-os, Muhammad acerca do dia da perdição, quando se decrete a Ordem enquanto eles estejam descuidados porque não crêem.” – Sura “Maria” (XIX, v.39)

Abraão exclamou: “Tomaste ídolos prescindindo de Deus pelo amos que, entre vós, desperta a vida mundana. Depois, no Dia da Ressurreição, renegar-vos-eis uns aos outros e amaldiçoar-vos-eis uns aos outros. O vosso refúgio será o fogo e não tereis defensores.” – Sura “A Aranha” (XXIX, v.25)

Com todos os acontecimentos a ocorrerem nesse dia, tanto na terra como no céu, as estrelas e as montanhas nesse Dia, e a vinda de Deus, o Senhor, os Profetas e os anjos, como pode alguém “não a esperar”, ser “descuidado” ou “idólatras”? Onde iria o povo sob essas circunstâncias encontrar o espaço temporal ou mental para a premeditação “renegar-vos-eis” ou “amaldiçoar-vos-eis”? É certo que os eventos antes de ocorrerem num Dia que não poderá ser entendido literalmente e que as tribulações sentidas pelos Homens deverão ser entendidas como afectando a sua alma. O seguinte versículo explica como os ímpios serão surpreendidos:

No dia em que chegue a Hora, os culpados jurarão que não permaneceram mais de um momento nos seus túmulos. Assim terão blasfemado na Terra.
Aqueles a quem se deu a Ciência e a Fé dirão: Permanecemos na Lei de Deus até ao Dia da Ressurreição. Este é o Dia da Ressurreição mas vós não sabíeis.”
– Sura “Os Bizantinos” (XXX, v.55-56)

Os desprevenidos assistirão aos eventos nesse Dia mas não entenderão a sua importância, enquanto que aqueles a quem é dado conhecimento e Fé para a aceitação da nova Manifestação Divina terão entendido o que é o “Dia da Ressurreição”.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

O Inevitável (5.ª parte)

Uma outra imagem dessa época promete a graça e privilégio de encontro com Deus e o aparecimento dos Apóstolos e Anjos. A Terra será iluminada pela Luz do seu Senhor.

“Esperarão que Deus e os anjos venham a eles nas sombras tempestuosas, para tudo resolver? Sabei, então que tudo voltará a Deus.”
- Sura “A Vaca” (II, v.210)

E chegar o teu Senhor com os anjos, em fileiras e fileiras,”
- Sura “A Aurora” (LXXXIX, v.22)

No dia em que o Espírito e os anjos estejam alinhados, ninguém falará a não ser quem o Clemente autorize.”
- Sura “O Anúncio” (LXXVIII, v.38)

Todo aquele que está sobre a Terra é mortal,
enquanto que a Face do teu Senhor, majestosa e nobre, é eterna.”

- Sura “O Beneficente” ( LV, v.26-27)

“Verás os anjos rodeando o perímetro do trono, cantando o louvor do seu Senhor. Entre eles se decretará de acordo com a Verdade e se dirá: “Louvado seja Deus, Senhor dos mundos.”
- Sura “Os Grupos” (v.75)

Acercados dos escolhidos o Alcorão afirma:

No dia em que vejas os crentes e as crentes a correr. Levarão a sua luz adiante, à sua direita. Nesse dia dir-se-á: “Abençoados sejais vós! Hoje tendes jardins pelos quais correrão eternamente os rios. Viverão eternamente neles. Esse é o êxito maior.” – Sura “O Ferro” (LVII, v.12)

É evidente que estes versículos deverão ser entendidos de uma forma simbólica. O versículo “Esperarão que Deus e os anjos venham a eles nas sombras tempestuosas” deverá ser associado a:

“Os olhos não O alcançam, mas Ele alcança todos os olhares. Ele é o Subtil, Ele é o sapientíssimo.”- Sura “Os Rebanhos” (VI, v.103).

Tal como na confirmação: “Enquanto a Face do teu Senhor, majestosa e nobre, é eterna.” - Sura “O Beneficente” (LV, v.27)

A vinda de Deus só pode ser cumprida através da Sua Manifestação na Glória do Criador: Bahá’u’lláh. Até porque em alguns eventos o Alcorão atribui as acções levados a cabo por Maomé com sendo decididas por Deus, intimando os muçulmanos a aceitarem os poderes e atributos das Manifestações Divinas, tal como explicado por Bahá’u’lláh no “Livro da Certeza”.

Um desses eventos ocorreu aquando das negociações numa localidade chamada Al-Hudaybíyyah quando um numeroso grupo de crentes jurou aliança ao Profeta colocando mão em cima de mão, como era costume na época, e a mão do Profeta ficou por cima de todas as outras. O seguinte versículo assinala este evento:

Os que te reconhecem, só a Deus reconhecem: a mão de Deus está acima das suas mãos. Quem viola o pacto, com efeito o quebra contra si; quem é fiel àquilo que pactuou com Deus receberá uma enorme recompensa.” – Sura “A Vitória” (XLVIII, 10).

A mão de Deus está acima das suas mãos”, era a mão de Maomé.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

"Guerra Santa"

Não tinha intenção de me desviar do estudo do Alcorão e de suas profecias quanto à vinda da "Revelação Gêmea" mas penso que este blog tornar-se-ia monótono e, por outro lado, também penso que não devo deixar de me referir a este assunto, já debatido no "Povo de Bahá", onde o autor do blog se refere a um "mau pressentimento" que também subscrevo.

Iremos consultar algumas passagens do discurso do papa Bento XVI, durante a viagem á Alemanha, na Universidade de Regensburg, provocaram grande indignação no mundo islâmico, em que parte dele exige um pedido de desculpas do Sumo Pontífice.

O título da palestra "Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões".

"É uma experiência emocionante para mim voltar novamente à universidade e poder novamente dar uma palestra nesta tribuna(...)Eu fui lembrado de tudo isso recentemente quando li (...) parte de um diálogo que aconteceu --talvez em 1391 nos quartéis de Inverno perto de Ancara-- pelo erudito imperador bizantino Manuel II Palaiologos e um persa educado nos assuntos do cristianismo e do islã, e as verdades de ambos. Na sétima conversa (...) o imperador toca no assunto da guerra santa. Sem entrar em detalhes, como a diferença entre aqueles que leram o "Livro" e os "infiéis", ele se dirigiu ao seu interlocutor com uma rispidez surpreendente na questão central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: "Mostre-me o que Maomé trouxe que era novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como o seu comando de espalhar pela espada a fé que ele pregava".O imperador, depois de se expressar tão fortemente, continuou explicando em detalhe os motivos pelos quais espalhar a fé através da violência são desarrazoados. Violência é incompatível com a natureza de Deus e com a natureza da alma. "Deus", ele disse, "não fica contente com sangue --e não agir razoavelmente é contrário à natureza de Deus. A fé nasce da alma, e não do corpo. (...) Religião ou ética não mais se ocupam disso."Conclusão"A intenção aqui não é de ser reducionista ou negativamente crítico, mas de aumentar nosso conceito de razão e suas aplicações. Só assim nós nos tornamos capazes daquele diálogo genuíno entre culturas e religiões que é tão urgentemente necessário hoje.No mundo ocidental é amplamente aceito que apenas a razão positivista e as formas de filosofia baseadas nela são universalmente válidas. Mesmo assim, as culturas religiosas profundas encaram isso como essa exclusão do divino da universalidade da razão como um ataque às suas convicções mais profundas. A razão que é surda ao divino e que relega a religião ao patamar das subculturas é incapaz de ingressar no diálogo das culturas."

É um dado adquirido que a a frase a negrito causou a ira de muitos muçulmanos. Poderia especular sobre as intenções do Papa ao ter proferido tal frase, mas não passaria de isso mesmo - especulações.

Da minha parte, como crente em Maomé, não encontro motivo de regozijo ou mesmo de indiferença para com aquela citação mas quanto ao "pedido de desculpas" e outras reacções violentas do mundo islâmico não as considero coerentes com outras atitudes de total falta de respeito por crenças e valores alheios. Além disso, devemos resistir a mecanismos de auto-censura quando estes são resultantes de chantagens baseadas na violência.

Como é óbvio o mundo islâmico não é todo igual, e acredito que os "nossos" jornalistas ajudem a acitar os ânimos sempre dispostos a mostrar imagens chocantes.

Sobre Bizâncio, herdeiro do império romano, e do qual Manuel II Palaiologos foi Imperador, farei algumas considerações.

Sobreviveu à pressão bárbara, ao contrário do Império do Ocidente, mantendo uma forte cultura urbana, mas a sua pouca latinidade foi rapidamente desaparecer, tornando-se um império helénico cristão. Na aurora do Islamismo, o embate com os árabes é brutal, que cortam ao império algumas das províncias mais importantes: Norte de Africa, Egipto, Síria, vingando assim os persas - que conquistados pelos árabes, não tardaram a impor-lhes a sua cultura. Sendo de referir que o patriarca cristão de Jerusalém recebeu Omar, segundo Califa, de braços abertas por preferir o domínio árabe ao bizantino - mais intolerante. Mas Bizâncio sobrevive, e teve mais tarde uma nova idade de ouro.

Em 1453, a sua capital, veio a ser definitivamente conquistado pelos turcos otomanos, que para derrubarem as muralhas de Constatinopla utilizaram canhões construídos no Império Sacro Romano Germânico.

O Inevitável (4.ª parte)

Desta forma a atenção dos muçulmanos dirigiu-se às nações que a precederam para que pudessem evitar o exemplo daquelas que recusaram os Enviados de Deus. Os muçulmanos, tal como outros povos, apresentaram argumentos semelhantes. Numa perspectiva Bahá’í a vinda do Imame Mihdí e da volta de Jesus se tornou uma realidade, os muçulmanos encontraram os mesmos testes.

Acerca do significado de “Ressurreição”, o que irá acontecer? O Alcorão estabelece algumas imagens desse acontecimento.

Os seguintes versículos referem-se a esse evento:

Então a Terra tremerá violentamente, Os montes arrancarão a correr E serão pó disperso.”- Sura “O Acontecimento” (LVI, v. 4-6)

Quando o Sol for encoberto,Quando os astros se embaciarem, Quando os montes forem deslocados.”- Sura “O Obscurecimento” (LXXXI, v. 1-3)

Quando o Céu se fender,Quando os astros se dispersarem,Quando os mares transbordarem”- Sura “A Fenda” (LXXXII, v. 1-3)

Quando o Céu se fenderE houver escutado o seu Senhor em seu temor,E quando a Terra for estendidaE atirar o que houver nela, ficando vazia”- Sura “O Rasgão” (LXXXIV, v. 1-4)

Quando a terra tremer fortemente,E soltar os corpos que nela se enterravam.”- Sura “O Tremor de Terra” (XCIX, v. 1-2)

Estas imagens antecipam os acontecimentos que ocorrerão no Dia da Ressurreição. O Alcorão descreve a condição da humanidade nessa época.

Homens! Temei o vosso Senhor! O terramoto da Hora do Juízo será algo de enorme.No dia em que toda a ama se esquecerá do menino que amamenta e toda a mulher prenha abortará, e nela verás todos os homens ébrios, mas não estarão ébrios, apenas aturdidos pelo terrível castigo de Deus.”- Sura “A Peregrinação” (XXII, v 1-2)

Quando chegar o ressoar da trombeta, O dia em que o homem fugir do seu irmão, Da sua mãe, do seu pai,Do seu amigo e de seus filhos,...”- Sura “O Austero” (LXXX, v.33-36)

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

O Inevitável (3.ª parte)

Parece-nos ser evidente que o facto de terem sido revelados estes acontecimentos em civilizações anteriores aquelas que estavam presentes, é uma admoestação dada à nação islâmica para quando a nova Revelação vier ter com ela não a repudiar. No entanto, toda a humanidade voltará a viver uma situação semelhante às de outrora:

Virá a Ordem de Deus. Não peçais que acelere a sua chegada. Louvado e exaltado seja por cima do que Lhe associam.”
- Sura “A Abelha” (XVI, v.1)

“Não peçais que acelere a sua chegada” significa que não há dúvidas acerca dela. O seguinte versículo da mesma sura explica:
“Envia os anjos com o Espírito da Sua Ordem sobre aquele que quer dos seus servidores, dizendo: “Admoestai! Não há deus senão Eu! Temei-me
!”
- Sura “A Abelha” (XVI, v.2)

A referência a anjos a descerem com o Espírito é idêntico ao versículo em que Deus se refere a Maomé tal como o seguinte:

Com ele desceu o Espírito fiel, sobre o teu coração para que estejas entre os admoestadores.”
- Sura “Os Poetas” (XXVI, v.193-194 )

O segundo versículo da sura “A Abelha” confirma que haverão Apóstolos a sucederem a Maomé.
Neste versículo também é referido “seus servidores” no plural, indicando que haverá mais Apóstolos a receberem o Espírito emanado por decreto divino. Além disso a sura “A Abelha” transmite um aviso aos muçulmanos:

“Mandámos a cada comunidade um enviado, dizendo: “Adorai a Deus! Pode de lado os que seduzem!” Deus guiou alguns deles, mas o extravio apoderou-se de outros. Percorrei a Terra e observai qual foi o fim dos que recusavam crer.”

- Sura “A Abelha” (XVI, v.36)

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

O Inevitável (2.ª parte)

O Alcorão indica que certas nações tiveram os seus dias de julgamento quando os Apóstolos Enviados por Deus as chamavam para aceitarem a nova Revelação e somente poucas pessoas a abraçaram. A nação islâmica também foi avisada que um dia, em todas as religiões há uma “volta”, O Dia do Julgamento:

Aproxima-se o momento de prestarem conta os homens, mas estes negligentes, estão afastados.
Não lhes chega nenhuma admoestação nova proveniente do seu Senhor sem que a escutem, mas tomam-na com leviandade
.”
- Sura “Os Profetas” (XXI, v.1-2)

Uma “mensagem” ou uma “admoestação” é uma Revelação, tal como especificado em muitos versículos no Alcorão:

Dizem: “Oh, este a quem foi revelada a Mensagem! Tu és um energúmeno?””
- Sura “Al-Hichr” (XV, v.6)

“Fazemos descer a admoestação e somos seus protectores.”
- Sura “Al-Hichr” (XV, v.9)

O Alcorão, o Evangelho e a Tora referem-se muitas vezes às “admoestações” (ou avisos) ou mensagens, avisando a humanidade da vinda de uma nova Revelação e o Dia da ressurreição que está perto.

Quantas cidades, que foram injustas, despedaçámos! Depois instalámos nelas outras gentes.”
- Sura “Os Profetas” (XXI, v.11)

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

O Inevitável

O Inevitável

O que ocorreu com o povo de A’ad e com os Çamudes também é explicado na Sura “O Inevitável” (LXIX), onde está escrito que essas nações foram destruídas por não acreditarem nos Enviados e terem desprezado as Suas admoestações.

É referida uma próxima calamidade:

“O inevitável.
O que é inevitável?
Que te fará saber o inevitável?
As gentes de Çamud e de A’ad recusaram-se a crer no que aterroriza.
O povo de Çamud foi aniquilado pelo fogo do Céu.
O povo de A’ad foi aniquilado pelo vento aquilão e impetuoso.
Devias ter visto as gentes derrubadas, como se fossem troncos de palmeira, ocos!”

- Sura “O Inevitável” (LXIX, v 1-7)

Na Sura “A Calamidade” (CI), os muçulmanos são avisados da vinda de uma calamidade perante a qual não deverão duvidar, correndo o risco de ocorrer algo de semelhante aos povos de Çamud e A’ad.

A calamidade!
Que é a calamidade?
Como a conheceremos?
No dia em que os homens esvoaçarem como borboletas livres e os montes parecerem de lã macia.”

- Sura “A Calamidade” (CI, v1-5)

As imagens transmitidas nestas duas suras transportam uma lembrança próxima. Na primeira é descrita como tendo o povo ficado “mortos de bruços”, enquanto na segunda são referidos como “troncos de palmeira”. Estas imagens significam que a arrogância dos incrédulos ser-lhes-á punida.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

A Sura de Hud


Votamos ao estudo do Sagrado Alcorão e de forma algo intensiva.

A Sura de Hud

“Alif, lam, ra. Este é o Livro que tem os seus versículos confirmados e elucidados pelo Sábio, pelo Omnisciente. Não adoreis senão a Deus! Eu sou, vindo da Sua parte, um admoestador e um anunciador para vós.” - Sura de Hud (XI, v.1-2)

Nos primeiros vinte e quatro versículos desta Sura é explicado o que aconteceu aqueles que não acreditaram na palavra de Deus. A Sura mostra um sério aviso de como outras nações sofreram provações porque se recusaram em acreditar no Apóstolo que lhes foi enviado.

Noé e o Seu Povo

Enviámos Noé ao seu povo. Disse-lhes: “Eu sou um admoestador explícito para vós. Não adoreis senão a Deus! Eu temo para vós o tormento de um dia doloroso.” Os grandes dos que, entre o seu povo, não acreditavam, responderam: “ não te vemos senão como um mortal semelhante a nós, e não vemos que te sigam, sem reflexão, a não ser aqueles que são inferiores a nós. Não vemos em vós nenhum favor que vos situe sobre nós; pelo contrário, consideramo-vos impostores.”” - Sura de Hud (XI, v.25-27)

“Até que quando chegou a Nossa Ordem e brotou a água do forno, dissemos: “carrega a arca com todas as parelhas de dois animais, macho e fêmea; a tua família, com excepção daqueles a quem precedentemente se lançou a palavra de maldição, e quem crê”; mas poucos eram os que acreditavam com Ele.” - Sura de Hud (XI, v.40)

Hud e o Povo de A’ad

“Enviamos às gentes de A’ad o homem da sua tribo, Hud. Disse: “Meu povo! Adorai a Deus; não tendes outro deus senão Ele. Não passais de impostores.” - Sura de Hud (XI, v.50)

“Responderam: “Hud! Não nos trouxeste uma prova. Não abandonamos os nossos deuses pelo que dizes. Nós não cremos em ti.” - Sura de Hud (XI, v.53)

“Quando veio a Nossa Ordem, salvámos a Hud e aqueles com que Ele criam, mediante misericórdia proveniente de Nós, e salvámo-los de um duro tormento. Esses, os de A’ad, negaram os versículos do seu Senhor, desobedeceram aos Seus Enviados e seguiram a ordem dos homens insensatos, de maneira pertinaz. Neste Dia e no Dia da Ressurreição perseguí-los-á a maldição. Os de A’ad não acreditaram no seu Senhor! Longe daqui, povo de A’ad, gentes de Hud!” - Sura de Hud (XI, v.58-60)

Saléh e o Povo de Çamudes

Enviámos aos Çamudes o homem da sua tribo, Saléh. Disse: “Meu povo! Adorai a Deus, não tendes outro deus senão Ele! Ele vos formou a partir da Terra e vo-la fez habitar. Pedi-Lhe perdão e voltai para Ele. Na verdade, o meu Senhor está próximo.” Responderam: “Saléh! Antes disto foste para nós motivo de esperança, e agora proíbes-nos que adoremos o que adoravam os nossos pais? Nós, realmente, estamos numa grande dúvida quanto a que nos propões.” - Sura de Hud (XI, v.61-62)

Quando veio a Nossa Ordem, salvámos a Saléh e aos que com ele acreditavam, mediante a misericórdia proveniente de Nós, da humilhação desse dia. Na verdade, o teu Senhor é o Forte, o Poderoso. O terramoto apoderou-se dos que forma injustos, e apareceram em suas casas, pela manhã, mortos de bruços.” - Sura de Hud (XI, v.66-67)

Acerca do que ocorreu com o povo de Çamud, o Alcorão indica que um terramoto os destruiu:

O terramoto apanhou-os e em suas casas amanheceram mortos de bruços.” - Sura “O Muro” (VII, v.78)

O Povo de Abraão

Mas respondemo-Lhe: “Abrãao! Deixa isto! Na verdade, veio a Ordem do Teu Senhor e chegar-lhes-á, sem remédio, um tomento.” - Sura de Hud (XI, v.76)

O Povo de Lot

Quando veio a Nossa Ordem, pusemos a cidade de baixo para cima e fizemos chover pedras de argila sem interrupção. Elas vinham marcadas pelo teu Senhor. Estas pedras não estão afastadas dos injustos.” - Sura de Hud (XI, v.82-83)

Xuaib e Povo de Madianitas

“Enviámos aos madianitas o homem da sua tribo, Xuaib. Disse: “Meu povo! Adorai a Deus. Não tendes outro Deus senão Ele.....Responderam: Xuaib! A tua oração manda-te que abandonemos o que os nossos pais adoravam ou que não façamos de nossos bens o que quisermos? Tu, realmente tu, és o Bondoso, o Recto?” - Sura de Hud (XI, v. 84-87)

Responderam: “Xuaib! Não compreendemos grande parte do que dizes. Vemos-te fraco entre nós e se não fosse pelo teu clã já te teríamos maltratado. Tu não tens poder sobre nós.” - Sura de Hud (XI, v.91)

Quando veio a Nossa Ordem, salvámos a Xuaib e aos que com ele acreditavam, mediante misericórdia proveniente de Nós. O terramoto apoderou-se dos que forma injustos, e apareceram em suas casas, pela manhã, mortos de bruços.” - Sura de Hud (XI, v.94)

O Povo de Noé foi avisado de que “de um dia doloroso” se abateria sobre eles. Ao de A’ad foi-lhe falado da “ maldição” que ocorreria no “Dia da Ressurreição”. O “terramoto” é o que ocorrerá ao povo de Çamudes. Da mesma forma o Alcorão fala da chuva de pedras que se abateu sobre Lot, e uma violente tempestade castigará o povo de madianitas. Também é relatada a história do faraó, tal como a história de como Moisés e Jesus foram rejeitados perante a quem apareceram.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Em nome de quê?


Faz hoje cinco anos sobre o ataque as Torres Gêmeas. Como é evidente, também neste blog é mencionada a data deste acto criminoso.
As implicações do "11 de Setembro" são óbvias. Desde a desconfiança com que as comunidades muçulmanas são vistas em países de "acolhimento" ou a autolegitimação com que a administração norte-americana intervem em diferentes zonas do Globo.
A "velha ordem" vai-se desmoronando.
Com que legitimação o acto foi praticado?
Para mim nada o pode justificar, nem tão pouco deveremos procurar atenuantes.
Acrecesce que, no Livro Sacratíssimo [Kitab-I-Aqdas] é referido aos “Governantes da América e Presidente das suas Repúblicas” o seguinte “Reuni vós os alquebrados com as mãos da justiça e esmagai o opressor que viceja, com o bastão dos mandamentos de vosso Senhor”.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

A Hora (2.ª Parte)

De acordo com os versículos expostos, é óbvio que a Hora surgirá de forma inesperada e surpreenderá os povos. As profecias serão cumpridas, os bons serão abençoados e os maus sofrerão perante a catástrofe. Também está subjacente que a Hora está próxima de acordo com os sinais que surgiram no tempo de Maomé.

Há uma questão que se poderá colocar:

Os sinais dizem respeito á nossa geração ou aquela que virá? Quais os sinais anunciados que surgirão, de acordo com o seguinte versículo do Alcorão

“...Nada descuidámos no Livro...” – Sura “Os Rebanhos” (VI, v.38)

Se eventos semelhantes aqueles ocorrido na “Hora” já ocorreram, poder-se-á concluir que através desses sinais ela poderá ser reconhecida.

A Sura de Hud é uma das que relembra aos muçulmanos que a “Hora” está determinada por Deus, tal como em anteriores Manifestações – uma hora em que haverá bênçãos e calamidades. Uma hora que virá, tal como ocorreu anteriormente, sobre as nações, sendo louvados os que acreditaram e repudiados os que negaram. Um outro sinal é que um novo Apóstolo pode surgir e cumprir a sua missão enquanto os descrentes olham com dúvida para a Sua missão. A sua punição predita pelo Apóstolo:

Se lhe adiamos um tormento até uma geração determinada dizem; “Que contém?” no dia em que lhes chegue o tormento, este não se afastará deles e lhes cercará aquilo que zombavam.”
- Sura de Hud (XI, v.8)

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

A Hora (1.ª parte)

O Alcorão refere-se ao Dia da Ressurreição como um dia abençoado e uma calamidade. “A Hora”, o Alcorão explica, é determinado somente por Deus – tal como em Mateus 24 : 36: “quanto a esse dia e a essa hora , ninguém sabe, nem os anjos do Céu, nem o Filho, mas somente o Pai.”

"Interroga-te acerca da Hora: “Quando será a sua chegada?” Responde: “O seu conhecimento está junto do meu Senhor. Ninguém o manifestará no seu momento senão Ele. Só vos chegará de imprevisto.”

Perguntam-te como se Tu a conhecesses. Responde: o seu conhecimento está junto de Deus, mas a maior parte dos homens não o sabe.” - Sura “O Muro” (VII, v.186-187)

Os homens perguntam-te acerca da Hora do Juízo. Responde: “O seu conhecimento está junto de Deus.” Que te pode informar? Talvez que a Hora esteja próxima.” - Sura “Os Partidos” (XXXIII, v.63)

Perguntam-Te acerca da Hora: “Quando será a sua chegada?

Que sabes dela?”

O seu prazo cabe ao Teu Senhor:

Tu não és mais que um admoestador dos que a temem.

No dia em que a vejam parecer-lhes-á que não permaneceram nos seus túmulos mais do que a véspera da madrugada.”

- Sura “Os que Arrastam” (LXXIX, v.42-46)

Os que não crêem dizem: “A Hora não nos chegará.” Responde: “Sim! Pelo Meu Senhor!
Chegar-vos-á! Juro-vos pelo meu Senhor, que conhece o oculto, a quem não escapa nem o peso de um átomo, nem tão-pouco o que é menor ou maior do que isso, do que há nos Céus e na Terra, em que esteja escrito num Livro explícito” - Sura “Os Habitantes de Sabá” (XXXIV, v. 3)

“Esperam que a Hora lhes chegue de súbito? Já chegaram as Suas condições. Como terão, quando lhes chegue, a Sua Instrução?” – Sura “Muhammad” (XLVII, v.18)

Os que não crêem não deixarão de estar em dúvida a respeito da Revelação, até que de súbito lhes chegue a Hora ou o tormento de um dia estéril.

O poderio então pertencerá a Deus, que julgará entre eles. Os que tenham acreditado e tenham praticado o bem serão introduzidos em jardins de sonho.

Mas os que não tenham acreditado e tenham recusado os Nossos versículos, esses terão um tormento desprezível.”

- Sura “A Peregrinação” (XXII, v. 55-57)

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

XII. A Ressurreição (2.ª parte)

Tal como no cristianismo, são esperados eventos tais como o céu e a terra a serem destruídos, as estrelas a caírem, a lua a não brilhar, o sol a cessar de dar a sua luz, resultando em completa escuridão, em que aqueles que vivem morrerão. É crença que Deus sentar-se-á no Seu trono, rodeado pelos Apóstolos, profetas e anjos. O equilíbrio do mundo será alterado e os mortos levantar-se-ão das suas sepulturas para passarem por um processo de julgamento. Os bons serão enviados para um paraíso como uma recompensa eterna e os maus serão enviados para o inferno como uma eterna punição. Muitos muçulmanos crêem que apenas aqueles que professam o Islão poderão esperar alcançar o Paraíso, estado de espírito enraizado em seguidores de outras religiões.

Estas são as expectativas comuns acerca dos eventos que ocorrerão no Dia da Ressurreição, o que é incompatível com os actuais conhecimentos científicos.

Parece-nos ser importante referir dois versículos no Alcorão que tratam da questão de quem entrará no Paraíso.

“Disseram: “não entrarão no Paraíso senão os que sejam judeus ou cristãos.” Esses são os seus desejos. Dizei-lhes: “Dai a vossa prova, se sois verdadeiros.”

Sem dúvida que os que se submetem a Deus e praticam o bem terão a recompensa junto ao seu Senhor. Não tendes pois que ter temor.” – Sura “A Vaca” (II, v. 111-112)

A ideia da entrada no paraíso ser limitada, de acordo com o ensinado pelos líderes religiosos, é contrária ao versículo corânico que ensina que a entrada no Paraíso está dependente da submissão à vontade de Deus.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

XII. A Ressurreição

Povos de todas as Religiões têm esperado o advento de um “Dia” de significado particular. A este “Dia” tem sido atribuídas várias designações no Alcorão, incluindo:

O Grande Dia
(Al – ‘Azim) 7:59 , 10:16*
O Dia da Ressurreição
(Al – Qíyáma) 2:85 , 2:174
O Dia da Decisão
(Al – Fasi) 44:40, 77:13 , 77:14
O Dia quando chegar a Hora
(Al – Sá’ah) 30:14 , 30:55
O Dia do Juízo
(Al – Din) 51:12
O Dia da Reunião
(Al – Taghábun) 64:9
O Dia do Juízo
(Al – Hísab) 38:16, 26, 53
*Dia Solene

(a numeração dos versículos correponde á Edicão do Alcorão da editora Europa-América)
Este evento é referido como indo ocorrer em determinado dia mas também:

Nesse dia se dará o acontecimento, e o céu se rasgará, e nesse dia carecerá de consciência.” Sura “O Inevitável” (LXIX, v. 15-16)

A calamidade. Que é a calamidade? Como a conheceremos?” Sura “A Calamidade” (CI, v. 1-3)

Não fica nada nem deixa nada sem consumir. Devora os humanos: acima de si há dezanove anjos.” Sura “O Enroupado” (LXXIV, v.28-30)

Chegou-te o relato do evento assolador’” - Sura “O Evento Assolador” (LXXXVIII, v.11)

O que acontecerá nesse dia assolador?

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

O Desejo de Deus: A Humanidade como “Um Nação”

Se Deus quisesse, ter-vos-ia reunido numa comunidade única...” Sura “A Mesa” (V, v.48).

Se Deus quisesse, teria feitos dos homens uma comunidade única. Mas eles não cessam de se opor.” Sura “Hud” (v.118).

Se Deus quisesse, faria deles uma comunidade única, mas introduz na Sua misericórdia a quem quer. Os injustos não terão amigos nem defensor.” Sura “O Conselho” (XLII, v.8).

Se Deus quisesse, teria feito de vós uma comunidade única, mas extravia a quem quer e conduz a quem quer. Perguntar-se-vos-á acerca do que tiverdes feito.” Sura “A Abelha” (XVI, v.93).

Se essa for a vontade de Deus, todos os povos da Terra tornar-se-ão uma só comunidade, um evento que ocorrerá num tempo somente conhecido por Deus e apontado previamente por Ele. Naquele Dia, todos serão esclarecidos sobre as diferenças que lhes sobrevêm e ser-lhes-ão explicadas e todos serão julgados segundo os seus actos.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Cada Nação tem a sua Própria Lei

Voltando ao tema de abertura deste blog.

O Alcorão explica que Deus revelou a cada povo um número determinado de leis a serem seguidas.

Sura “A Mesa” (V, v.48): “Fizemo-te revelar o Livro com a Verdade, confirmando os Livros que já tinham e vigiando a sua pureza. Julga entre eles segundo o que Deus revelou e não sigas as suas seduções afastando-te da verdade que te chegou.

Instituímos para cada um de vós uma norma, uma lei e um caminho.

Se Deus quisesse, ter-vos-ia reunido numa comunidade única, mas dividiu-vos com o fim de vos pôr à prova no que vos deu.

Nestes versículos, Maomé revelou novas leis que ab-rogaram as anteriores e ao mesmo tempo confirmou a origem divina das Revelações anteriores. A alteração das leis surge para benefício de toda a humanidade. Quando uma lei caduca, uma outra vem substitui-la. Não só uma nova Revelação inclui uma nova série de leis, como os rituais também estão sujeitos a mutação.

Demos aos membros de cada comunidade um rito que eles seguem. Que não discutam contigo acerca da Ordem! Invoca o Teu Senhor! Tu estás no bom caminho. Se discutem contigo diz: “Deus conhece o que fazeis. Deus julgará de entre vós no Dia da Ressurreição acerca daquilo em que divergis.” Sura “A Peregrinação” (XXII, v.67-69)

Enquanto Maomé trouxe a nova lei que Lhe foi revelada, Deus prometeu no Alcorão que Ele Próprio irá julgar os povos no Dia da Ressurreição naquilo que os diferencia.

Para aqueles que duvidam que Deus pode ab-rogar os versículos por Ele revelados, o Alcorão confirma-o:

Não abrorrogamos nenhum versículo, nem o fazemos esquecer da tua memória ou trocar por outro melhor ou parecido. Não sabeis que Deus tem poder sobre todas as coisas?” Sura “A Vaca” (II, v. 106).