terça-feira, 31 de outubro de 2006

XVII. Escrituras Sagradas de O Báb


Relativamente à violação do Convénio de Maomé O Báb escreve:

Ó povos do Oriente e do Ocidente! Temei a Deus no que concerne á Causa do verdadeiro José e não o troqueis por um preço desprezível, por vós mesmos estabelecido, nem por uma bagatela das vossas possessões terrenas, a fim de que vós em absoluta verdade, sejais por Ele louvados como incluídos entre os piedosos que estão próximos desta Porta. Em verdade, Deus privou de sua graça aquele que martirizou Husayn, Nosso Ascendente, solitário e abandonado que estava na terra de Taff (Karbilá). Yazíd, filho de Mu’ávíyih, incitado por um desejo corrupto, com o povo diabólico trocou a cabeça do José verdadeiro por um preço insignificante e uma ninharia de seus bens. Em verdade, repudiaram a Deus, cometendo um erro lastimável. Breve haverá Deus de lhes mostrar Sua vingança, no tempo de Nossa Volta, e Ele, em absoluta verdade, para eles preparou, no mundo vindouro, um tormento severo.”[1]

Quando O Báb se refere ao “José verdadeiro ” significa Aquele que é atraiçoado por aqueles Lhe estão mais próximos, como ensina o relato bíblico sobre José que veio a ser atraiçoado pelos seus próprios irmãos.

Quanto à unidade dos Profetas diz:

No tempo do primeiro Manifestante, a vontade Primaz apareceu em Adão; no dia de Noé; no dia de Abraão n’Ele; e assim no dia de Moisés, no dia de Jesus, no dia de Maomé, o Apóstolo de Deus, no dia do “Ponto do Bayán”, no dia d’Aquele que aparecerá depois d’Aquele que Deus haverá de tornar manifesto. Daí o significado interior das palavras pronunciadas pelo Apóstolo de Deus: “Eu sou todos os Profetas”, pois aquilo que em cada um deles resplandece tem sido e para sempre continuará a ser um só e o mesmo Sol.”[2]

O Báb várias vezes se referiu a Bahá’u’lláh como “Aquele que haverá de tornar Manifesto”.

A crença nO Manifestante que precede o Anterior honra o antecedente, jamais poderá negá-Lo.

Na realidade, a primeira vez que os seguidores de uma religião seguiram quase todos o próximo Manifestante deu-se na Religião Bábi, quando a grande maioria dos Bábis reconheceu em Bahá’u’lláh O Prometido.


[1] Selecção dos Escritos dO Báb, pg 55
[2] Selecção dos Escritos dO Báb, pg 130

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

O Martírio do Imame Husayn (conclusão)

Este episódio respeitante ao Imame Husayn foi aprofundado por tudo o que representa para os xiitas e posteriormente para os Bábis e Bahá’ís – o primeiro nome de Bahá’u’lláh era Husayn e Seu segundo nome ‘Ali.

Apesar da violação do Convénio se ter iniciado com a usurpação dos direitos de ‘Ali, e o seu assassinato ser um marco importante, o martírio do Imame Husayn corresponde á grande data dos eventos que marcaram o sacrifícios dos Imames. Muitos afirmam que a sua aparência física correspondia à de seu Augusto Avô.

Uma análise atenta, faz-nos crer que toda esta série de acontecimentos em Karbilá, foi entendida por Husayn como inevitável e mesmo imperiosa de ser cumprida.

Desde o início que ele poderia ter organizado um exército que o seguisse, de forma a ter uma estrutura militar organizada que lhe permitisse sair vencedor de uma qualquer batalha. Mas o seu comportamento demonstra que não tinha como objectivo a conquista do poder temporal. Na realidade, chegou a pedir aos seu companheiros que o deixassem só face ao inimigo.

Desde sempre, procurou uma revolução na consciência dos seguidores do Islão. Se conquistasse o poder terreno derrubaria aquele perversa dinastia, mas mais tarde outra poderia vir a substitui-la. Assim, procurou uma revolução de consciências, de forma a combater o mal instalado na comunidade muçulmana.

Poderemos materializar a sua atitude em termos de acção e reacção.

Quando Maomé iniciou o Seu ministério, no mundo árabe pré-islâmico, provocou uma acção que contrariava muitas práticas de então mas agora, passados trinta e seis anos, havia uma reacção aos Seus ensinamentos e práticas. Husayn procurou uma reactivação dos valores ensinados por seu Augusto Avô.

O confronto entre Husayn e Yazid, correspondia à acção contra uma reacção, que encarnava um estilo de vida profundamente reaccionário aos ensinamentos do Profeta. Era um confronto entre o representante da lei divina contra a casta bárbara que ia combatendo o Islão na sua própria sede temporal.

Para o sucesso do seu objectivo, o de reatar a acção, Husayn necessitava de abalar as consciências e isso não poderia ser alcançado sem sofrimentos e sacrifícios – o que explica ter trazido a família consigo.

Observando a brutal e crueldade das forças reaccionárias, Husayn sabia que após o matarem iriam tomar as suas mulheres e crianças como cativas até Damasco. Na realidade, esta caravana de cativos seria testemunha de Husayn e tocaria o coração dos muçulmanos, que ponderariam sobre toda a tragédia.

Desta forma, nunca poderemos saber qual o percurso da história do Islão e do mundo, caso Husayn não se tivesse sacrificado.

Conforme já dissemos para os Bahá’ís o regresso profetizado do Imame Husayn, e que os xiitas aguardam, realizou-se em Bahá’u’lláh – apesar da distinta posição de ambos.

Há uma tradiçã xiita em que Maomé diz: "Oh 'Ali, para ti tenho dois retornos, um antes de Mim e outro após Husayn". O primeiro é uma referência aO Báb e o segundo a Bahá'u'lláh.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

O Martírio do Imame Husayn (cont.)


No fatídico dia 10 de Muharram 61 DH (10 de Outubro 680 DC), Husayn deslocou-se ao campo dos homens a soldo de Yazíd e dirigiu-se-lhes com tal eloquência que alguns deles, como al-Hurr, passaram para o lado de Husayn, tendo sido dos primeiros a morrer na batalha sucedânea.

As fontes tradicionais indicam que entre os seguidores de Husayn havia setenta e dois homens armados, dezoito deles eram seus familiares, e um grupo de mulheres e crianças.

A desproporção de forças era enorme e os arqueiros dos Omíadas liquidaram o grupo de Husayn. No final apenas restava Husayn e o seu meio irmão Abbas, que foi morto quando procurava alcançar água para as mulheres e crianças. Assim, todo o exército inimigo convergiu para Husayn.

Levando o seu filho, nos braço Husayn suplicou água para o bebé, mas como resposta uma flecha lançada pelo inimigo trespassou a garganta de seu filho.

Já só restava Husayn, de entre os homens válidos para combate, e á medida que o exército o cercava, o Imame lutava de forma majestática, até que uma série de golpes o fizeram desfalecer e cair por terra, mesmo aí os soldados hesitaram em dar a estocada final no neto de Maomé. Segundo algumas fontes este infame acto foi executado por Shamir, um imediato de ‘Ubaydu’lláh.

O exército Omíada decapitou todos os corpos e colocou as cabeças na ponta das lanças, exibindo-as enquanto caminhava para Kufa. As mulheres e crianças forma levadas como prisioneiras, incluindo Ali, o único filho sobrevivente de Husayn, que estava demasiado enfermo para participar na batalha.

Em Kufa, ‘Ubaydu’lláh convocou uma assembleia e ordenou que lhe trouxessem a cabeça de Husayn numa bandeja, ao mesmo tempo que humilhava os prisioneiros diante de si. Quando a cabeça foi colocada à sua frente pegou numa cama e de forma jocosa brincou com os lábios da cabeça cadavérica.

Fontes xiitas referem que aquando do desenrolar deste vergonhoso episódio uma testemunha clamou: “retira a cana desses lábios, por Deus, quantas vezes não vi os lábios do Profeta de Deus nesses lábios”. [1]

Zaynab, a irmã de Husayn comportou-se de forma digníssima e respondeu altivamente a ‘Ubaydu’lláh quando pretendia matar ‘Ali: “Ó filho de Zíyad! Já derramaste o bastante do nosso sangue” e depois colocou Ali ao seu colo, rodeando-o com os seus braços e disse: “Por Deus, eu não o largo, se o quiseres matar, mata-me também.” A seguir ‘Ubaydu’lláh enviou os prisioneiros e a cabeça de Husayn para Damasco, capital da dinastia Omíada.

Aí, Yazíd troçou da cabeça de Husayn e insultou ‘Ali e Zaynab. No entanto, temendo um levantamento popular, poupou os cativos e permitiu o seu regresso a Medina.

Poderemos comparar a dinastia dos Omíadas como uma erva trepadeira, um cipó matador, que se apoderou de uma esplendorosa árvore, e que entende que a razão de existir dessa mesma árvore é a de lhe dar suporte e alimento, mesmo que possa conduzir à sua exaustão. Assim, um observador desatento verá esse cipó luxuriante e altivo, considerando-o como possuidor dos atributos que aprece transparecer, quando na realidade vai estrangulando a árvore que o suporta.

O contributo que o Islão trouxe ao mundo, mesmo que nessa época vergonhosa, deveu-se apesar dos Omíadas e nunca devido a estes, por mais aparentes que seja os seus feitos.

[1] Moojan Moomen, Introduction to Shi’i Islam página 31

A Imagem cooresponde ao Santuário de Husayn em Karbilá

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

XVII. O Martírio do Imame Husayn

Pensamos que seria importante fazermos uma referência ao Imame Husayn, descrito por Shoghi Effendi, intérprete autorizado das Escrituras Sagradas, como o maios ilustre de entre os Imames.

Ali e Fátima, a filha dilecta de Maomé, tiveram dois filhos varões Hasan e Husayn.

Diferentes referências bibliográficas falam do profundo amor que Maomé tinha pelos Seus netos, sendo várias as que apontam para a predilecção para com Husayn.

Após o assassinato do Imame Ali em Kufa, perpetrado pela família dos Omíadas, a besta descrita no Apocalipse de São João, o mundo islâmico ficou subjugado por essa vil dinastia, sendo Muavia o seu líder. Este antes de morrer preparou o caminho para que o seu filho Yazíd lhe sucedesse.

Nesta altura já Husayn era o chefe da casa de Ali, por falecimento e consequente herança de seu irmão.

O mundo islâmico estava em comoção, se o domínio de Muavia, filho do mais poderoso inimigo de Maomé em Meca, era uma ofensa para muitos muçulmanos, a ascensão de Yazíd, um consumidor de vinho inveterado e que abertamente ridicularizava as leis do Alcorão, era um ultraje.

Foi então que em Kufa, junto a Damasco, capital administrativa do Islão, muitos muçulmanos pediram a Husayn que viesse aí tomar a liderança do mundo islâmico.

O governador de Medina, receoso de Yazíd, declarou-lhe a sua aliança, e assim Husayn teve de se deslocar de Medina para Meca e daí enviou um emissário para se inteirar da situação em Kufa, onde grupos de crentes prometeram-lhe todo o seu apoio.

Apesar deste relatos entusiastas, Husayn estava avisado da vacilação com que esses crentes apoiaram o seu irmão Hassan. No entanto, Husayn decidiu deixar Meca na companhia de um pequeno número de homens armados e um número considerável de mulheres e crianças.

Mas a situação mudou rapidamente em Kufa, Yazíd inteirado da situação, instruiu o enérgico e cruel ‘Ubaydu’lláh ibn Zyád para controlar a situação. Imediatamente instalou um regime de terror, lidando de forma implacável contra qualquer manifestação de revolta. Estas medidas tiveram sucesso e permitiram a ‘Ubaydulláh organizar unidades militares e cobrir todos os caminhos que davam para Kufa, pretendendo assim interceptar o Imame Husayn.

O regime de terror ia sufocando Kufa, e alguns apoiantes de Husayn que conseguiram fugir avisaram-no do perigo iminente.

Al-Hurr, um jovem líder de um desta camento militar interceptou Husayn quando este se aproximou de Kufa. As suas instruções vinham no sentido de impedir o Imame de alcançar qualquer vila ou cidade no Iraque. Perante esta atitude, Husayn mostrou as inúmeras cartas que lhe foram enviadas pelos habitantes de Kufa. Vendo os homens de Al-Hurr sedentos Husayn, de forma magnânima, ofereceu-lhes água de suas reservas.

Após negociações Husayn concordou em deixar Kufa, enquanto Al-Hurr esperou por mais instruções. Husayn e o seu grupo viajaram escoltados pelo séquito de Al-Hurr até alcançaram a planície de Karbilá. Aí chegaram quatro mil homens chefiados por ‘Umar ibn Sa’d, mas instruídos por ‘Ubaydulláh, que não deveriam deixar Husayn partir até que ele assinasse um documento em que se submetia a Yazíd. Os homens de Ibn Sa’d cercaram o grupo de Husayn e cortaram-lhe o acesso ao rio, a sua única fonte de água.

Husayn iniciou conversações com Ibn Sa’d insistindo em que não tinha interesse algum em que houvesse derramamento de sangue e, se fosse necessário, regressaria à Arábia. Ibn Sa’d, por instigação de ‘Ubaydulláh, recusou qualquer trégua ao mesmo tempo que sentia os efeitos da escassez de água no grupo do Imame. Foi então que ao anoitecer do dia 9 de Muharram 61 D.H. (9 de outubro 680 D.C.) Ibn Sa’d ordenou aos seus militares para se prepararem para a batalha e ocupassem as posições chave no terreno. Nessa noite, Husayn pediu aos seus companheiros que o deixassem só frente ao inimigo mas eles recusaram-se a tal.

"Povo de Bahá"

Aconselho todos os leitores de "Paz Universal" a passarem por aqui.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

O Dia que não será seguido pelas Trevas (3.ª parte)

Relativamente ao versículo apontado, Bahá’u’lláh nessa mesma Epístola proclama de forma majestosa que neste Dia Ele retirou a negação e colocou a afirmação. Assim, na Sua Revelação o versículo corânico foi substituindo por “Ele é Deus”. Isto significa que o Autor desta Revelação segura nas Suas mão toda a autoridade, e ao contrário do que aconteceu nas Revelações anteriores nenhuma poder retirá-la-ia. Tal como está explícito nos Seus escritos este é “O Dia que não será seguido pelas trevas”.

Há outro dado importante na Epístola de Sálman referentes à exclusão da palavra da negação e substituição pela afirmação. Este significa que após a ascensão de Bahá’u’lláh todos aqueles que são firmes no Convénio consideram que a remoção da letra da negação corresponde ao Livro do Convénio, vontade e testamento de Bahá’u’lláh.

Assim, para um Bahá’í a Fé em Bahá’u’lláh não é suficiente. Deve-se voltar para os Seus representantes. Primeiro deverão aceitar ‘Abdu’l-Bahá, como Centro do Convénio, Shoghi Effendi, como Guardião da Fé, e a Casa Universal de Justiça, Instituição que dirige presentemente a comunidade Bahá’í.

Há uma tradição xiita em que Ali disse: "Verdadeiramente sou dois anos mais novo do que o meu Senhor."

Como é óbvio, Ali era bastante mais novo do que Maomé mas o Báb era dois anos mais novo do que Bahá'ulláh.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

O Dia que não será seguido pelas Trevas (2.ª parte)

Todas estas atrocidades cometidas durante a Dispensação islâmica se deveram, segundo ‘Abdu’l-Bahá à simples afirmação de Omar: “o Livro de Deus é suficiente”. Desta forma, a maior parte da nação islâmica ficou privada do conhecimento dos Imames, que tinham a capacidade de interpretar as passagens abstrusas do Alcorão, e as profecias acerca do advento de Qá’im, o prometido do Islão.

O curso da História Universal mudou como resultado da ambição de Omar e a sua recusa em submeter-se a Ali. Esta decisão resultou na violação do convénio de Maomé e, de acordo com ‘Abdu’l-Bahá, trouxe consequências graves a muitas nações e povos. Na epístola referida em cima é afirmado que se a nação islâmica tivesse seguido o legítimo sucessor de Maomé muitas das atrocidades e prepotências cometidas após a ascensão do Profeta poderiam ter sido minimizadas ou mesmo evitadas.

Poderemos fazer um paralelismo entre a traição perpetrada sobre Jesus e a aquela, já descrita, sobre Maomé. Quando Jesus entregou a Pedro a ascendência sobre o Seus outros apóstolos, Judas sentiu-se traído, pois considerava esse lugar como seu e a sua ambição desmedida teve as consequências já conhecidas, acabando por conduzir o seu Senhor à cruz. Mais tarde, muitos dos primeiros cristãos, como Estevão, Pedro ou Paulo, vieram a ser condenados à morte, mas sempre por pagãos ou judeus. Os Imames foram mortos por aqueles que lideravam o mundo islâmico. Pior, O Imame Mahdí, o décimo segundo dos Imames, veio a ser fuzilado por aqueles que imploravam pela Sua vinda.

No entanto, podemos questionar-mos por que terá Deus permitido que tudo isso ocorresse? Na realidade, a humanidade naquela tempo não estava preparada para se manter unida segundo os ditames de um Convénio, estabelecido entre os seguidores do Profeta e os Seus legítimos sucessores.

Se é crença dos Bahá’ís que desta vez todas as tentativas de violação do convénio saíram infrutíferas devem-se a o facto de Bahá’u’lláh ter trazido aos seus seguidores os instrumentos para que tal não possa ocorrer. Há dois livros que apontam o Seu Centro do Convénio como sendo ‘Abdu’l-Bahá, primeiro no Kitab-I-Aqdas, de forma implícita, e posteriormente, de forma explícita, o Livro do Convénio.

Por outro lado, há uma importante característica do Islão que convém entender. Maomé fez uma declaração oral de que Ali era o Seu legítimo sucessor mas conforme já descrevemos a maioria dos muçulmanos não o seguiram, e durante séculos aqueles que violaram o convénio (os sunitas) dominaram aqueles que o seguiam (os xiitas). Bahá’u’lláh explicou na Epistola a Sálman que a prevalência dos violadores do Convénio sobre os seguidores do Convénio é um fenómeno já predestinado no Alcorão. O versículo: “Não há outro Deus senão Deus” que todo o muçulmano piedoso profere contém a verdade fundamental em que se baseia o Islão. Bahá’u’lláh afirma que jazia um mistério oculto neste versículo e que ninguém o tinha identificado antes que Ele o revelasse no Seu Dia.

Nesta Epístola, Bahá’u’lláh diz que Deus através de Sua sabedoria, colocou nesta frase a palavra da negação (não) a preceder a da afirmação. Desta forma está atribuído o domínio dos infiéis sobre os fiéis na Dispensação islâmica. Esta misteriosa influência resultou da frase que se repete várias vezes ao longo do Alcorão. Todo o sofrimento que os Imames, os descendentes do Profeta e Seus sucessores, iriam sofrer já estava predestinado. O versículo “Não há outro Deus senão Deus” significa que os seguidores de Maomé seriam incapazes de manter a unidade após a Sua ascensão.

A fotografia representa o Santuário do Imame Ali

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

XVI. O Dia que não será seguido pelas Trevas

Conforme já vimos o Alcorão refere-se a uma comunidade una, algo que não surgiu na Dispensação de Maomé, mas que vai ocorrer na de Bahá’u’lláh.

Por outro lado vemos que se é crença dos Bahá’ís que os cristãos deveriam ter reconhecido em Maomé os sinais de Jesus e portanto aceite o Islão, como continuidade do cristianismo, também é verdade que se o Islão não se tornou uma religião verdadeiramente universal tal deveu-se à incompetência dos Seus seguidores.

Na história do Islão há um episódio largamente difundido de entre a comunidade xiita acerca dos últimos dias de vida terrena de Maomé. Quando estava já numa fase agonizante, quatro dos Seus companheiros estavam junto do Seu leito: Abú Bacre, Omar, Uthmán e Ali. Abu Bacre era Sogro e Ali Seu primo e genro. A história conta que Maomé pediu que Lhe trouxessem algum material para que Ele pudesse escrever a quem os Seus seguidores deveriam dirigir-se após a Sua morte. Mas Omar um estratega calculista e sem escrúpulos disse que como o Profeta estava às portas da morte a Sua mente encontrava-se transtornada e assim não Lhe deveria ser entregue qualquer material. Os xiitas consideram que o Profeta pretendia confirmar o já testemunho verbal de que Ali deveria liderar a comunidade após a Sua morte.

Assim, quando Maomé abandonou a vida terrena, Omar organizou uma reunião de muçulmanos distintos e instigou-os a seguirem Abú Bacre que gozava de grande prestígio junto da comunidade islâmica, tendo sido proclamado o primeiro califa. Dois anos mais tarde veio a falecer e então Omar tornou-se o segundo califa. A partir daí iniciaram-se as conquistas bélicas dos muçulmanos tendo a sua a maioria rejeitado o direito a Ali suceder a Maomé.

É crença fundamental para os Bahá’ís que o Imame Ali era o legítimo sucessor de Maomé, tal como os seus descendentes masculinos, também designados pelos “Santos Imames”. Estes lideraram a comunidade xiita até ao ano 260 D.H. Bahá’u’lláh lembra-os como os legítimos sucessores de Maomé: sábios e expositores do Alcorão, relembra muitas das suas citações ou Ahádíth (tradições), exalta a sua estação, em especial a do Imame Husayn, o terceiro Imame, a quem se refere como o “Príncipe dos Mártires” (Kitáb-i-Íqán, pg. 138).

Devido à hostilidade de Omar à posição legítima de Ali, as intenções de Maomé para a Sua sucessão na guia do mundo islâmico saíram frustradas. Quando Ali clamou pelo seu estatuto natural, referindo-se ao testamento verbal do Profeta, a resposta de Omar foi cortante: “O Livro de Deus é suficiente”. Esta brutal resposta veio a ecoar de forma trágica através dos séculos até que ‘Abdu’l-Bahá, filho de Bahá’u’lláh e Centro do Convénio, descreveu na Epístola dos Mil Versos as suas consequências. Aquela afirmação veio a tornar-se a arma que martirizou a próprio Imame Ali, que causou grandes divisões no seio do Islão e que transformou o espírito de amor de uma nação noutra de guerreiros armados com a espada. Como resultado daquele mesmo testemunho, a cabeça do Imame Husayn, o mais distinto de todos os Imames, foi decapitada em Karbilá, aos outros Imames foram infligidos sofrimentos atrozes, como a morte ou prisão, e um número incontável de almas inocentes forma penalizadas durante doze séculos.

‘Abdu’l-Bahá veio mais longe ao afirmar que a afirmação de Omar veio se a transformar nas centenas de balas que perfuraram o peito do Báb em Tábriz, e no grilhão que foi acorrentado ao abençoado pescoço de Bahá’u’lláh, e que Lhe proporcionou sofrimentos indescritíveis ao longo dos Seus sucessivos exílios.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

De onde virão as lamentações


Na Sura “Muhammad” (XLVII, v.38): “Vós estais sendo chamados a gastar na senda de Deus; entre vós estão os que são avaros. Quem é avaro, unicamente é avaro para consigo mesmo, pois Deus é Rico e vós os pobres. Se voltais costas, substituir-vos-á por outra gentes que não serão vossos iguais.”

Quando O Profeta foi questionado sobre as outras gentes que substituirão os árabes respondeu e, referindo-se a um Seu seguidor persa de nome Salmán: “Ele e o seu povo” e continuou: “Pelo Verdadeiro, em Cuja Mão está a Minha Vida, se a Fé de Deus for suspensa em Pleiades, certamente os homens da pérsia alcançá-la-ão[1]. Esta tradição é aceite tanto por Xiitas como Sunitas.

É de referir que tanto Bahá’u’lláh como o Báb eram persas.

Bahá’u’lláh descendia de Zoroastro e o Báb de Maomé, pertencendo ambos à linhagem de Abraão.

Coloquei uma fotografia representando uma colisão entre duas galáxias em que ambas se acabarão por fundir.

[1] Mustafá, Muhammad. Bahá’u’lláh, The Great Annoucement of the Qur’an .,Tradução do autor (não autorizada) directamente do inglês

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

XV. Outras Provas


Referência ao número oito:

“Quando se sopre uma só vez a trombeta,
quando a Terra e os montes sejam desintegrados, destruídos de um só golpe,
nesse dia se dará o acontecimento, e o céu se rasgará, e nesse dia carecerá de consciência.
Os anjos estarão postos nos seus confins, e oito transportarão então por cima de si o trono do seu Senhor”
- Sura o Inevitável (LXIX, v. 13 – 17)

O número oito tem um significado especial porque está relacionado com a excelsa posição do Báb. Na obra de Muhammad Mustafá[1] é referido que ‘Abdu’l-Bahá considera o Santuário do Báb como “o Trono do Senhor”. Neste livro também é referido que Shoghi Effendi disse “A mesquita de Medina tem sete minaretes, a do Sultão Ahmad em Constantinopla tem seis mas o Alcorão refere oito.” É também feita referência a uma Epístola de ‘Abdu’l- Bahá na qual Ele interpreta o seguinte versículo. M. Gail escreve: “As palavras do Mestre significam o seguinte: o trono é o templo do corpo da Manifestação Divina, e que a Manifestação é simbolizada pelo número um. E de acordo com o sistema utilizado por persas e árabes em que as letras têm um valor numérico, Bahá é oito mais um. B significa dois, a vogal curta não é escrita e portanto não tem valor, h é cinco, a vogal longa tem o valor de um e o apóstrofo também tem o valor de um".
Então o versículo significa “E Bahá transportará por cima de si o trono do Senhor".

De onde virão as lamentações

Aos Manifestantes de Deus são-lhes conferidos diversos atributos. Um deles corresponde ao de “Pregoeiro”, cuja pregação é um chamado para a Fé.

Senhor Nosso! Ouvimos um homem, chamando à fé, dizendo: “Crede no vosso Senhor!, e cremos.
Senhor nosso! Perdoa-nos os nossos pecados, apaga as nossas más acções e chama-nos a morrer com os piedosos.
Senhor nosso! Dá-nos o que nos prometeste pelos Teus Enviados e não nos envergonhes no Dia da Ressurreição. Tu não alteras a promessa
!”
- Sura III (A família de Imran, v. 193-194)

Tem paciência com o que dizem! Canta o louvor do teu Senhor antes de o Sol subir e depois do ocaso!
Durante parte da noite, depois das prostrações, louva-O.
Presta atenção ao dia em que o Pregoeiro chamará de um lugar próximo;
Ao dia em que ouçam o Grito segundo a Verdade; esse é o Dia da ressurreição
.”
Na Sura L (Caf, v. 39-42) Deus adverte através do Seu Apóstolo os crentes.

Na Sura de Jonas o Alcorão diz:

Aos que crêem e praticam o bem, o seu Senhor os guiará em recompensa da sua fé: a seus pés correrão rios nos jardins de sonho.
Neles a sua invocação será: “Glória a Ti, Deus meu!”, e a sua saudação será: “Paz!” e o final da sua invocação será: “Louvado seja Deus, Senhor dos Mundos!”
- Sura X (“Jonas, v. 9-10)

Deus chama para a morada da paz [Bagdade] e conduz a quem quer o caminho recto.”
- Sura X (“Jonas, v. 25)

Pensamos ser importante referir que Bagdade é a terceira cidade santa na Fé Bahá’í.

[1] página 102, Mustafá, Muhammad. Bahá’u’lláh, The Great Annoucement of the Qur’an

terça-feira, 17 de outubro de 2006

O Valor do Milagre


Se Deus criou as leis físicas que regem o universo também poderá alterá-las mas não deveremos esperar por estes fenómenos para crermos.

Há um episódio contado por ‘Abdu’l-Bahá em que durante o exílio de Bahá’u’lláh em Bagdade, um sábio chamado Hasan Amur alcançou a Sua presença e afirmou que os ulemás (doutores do Islão) reconheciam a Sua Sapiência mas que necessitavam de um milagre para O aceitar como O Prometido.

Bahá’u’lláh afirmou que a religião não é uma brincadeira de crianças e, como tal, os milagres não servem de entretenimento. No entanto, acedendo ao pedido feito, exigiu que os ulemás combinassem de entre si qual o milagre que queriam que Ele realizasse.

Assim, o milgare sugerido deveria estar indicado num documento selado de forma a que quando este fosse desselado e o milagre cumprido os ulemás reconhecê-Lo-iam.

Infelizmente, perante esta exigência, os ulemás desentenderam-se, acabando por não anuir à Sua condição.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

O Verdadeiro Milagre é o Livro


O verdadeiro milagre da Revelação de Deus é o Livro que Ele enviou e está lembrado nas Escrituras Sagradas. O Alcorão distingue entre fiéis e descrentes, que insistem na necessidade de demonstração de milagres por parte do Profeta. A propósito desta atitude, houve aqueles que acusaram Moisés de ser mágico ou feiticeiro. Tal como o Alcorão comprova:

“Quando lhes chegavam os nossos sinais diziam: “Isto é magia manifesta”.
- Sura “As Formigas” (XXVII, v. 13)

E mais além:

“Quando Moisés lhes levou os Nossos sinais manifestos exclamaram: “Não é mais do que magia artificial! Não ouvimos falar disto aos nossos primeiros pais!”
- Sura “O Relato” (XXVIII, v. 36)

Desta forma inequívoca o Alcorão demonstra que os milagres nunca são uma prova convincente para separar os crentes e os incrédulos, mas sim uma fonte de obstinação.

Quando Maomé iniciou a Sua Revelação e foi confrontada com essa questão, Deus revelou-Lhe:

Mas quando, proveniente de Nós, lhes chega a Verdade, dizem: “Porque se dá a Muhammad um milagre semelhante aos que deram a Moisés?” não foram incrédulos com o que anteriormente se deu a Moisés?” Disseram: “Moisés e Aarão são dois magos que se auxiliam mutuamente”, e acrescentaram: “Nós não acreditamos em nada disto”
- Sura “O Relato” (XXVIII, v. 48)

Mais tarde, perante esta insistência foi revelado no Alcorão:

“Diz: Trazei um Livro, proveniente de Deus, que seja melhor guia quer ambos! Segui-o se sois verdadeiros.”
- Sura “O Relato” (XXVIII, v. 49)

O verdadeiro milagre é o Livro. É a prova irrefutável. É a doença do espírito que insiste na realização de milagres.

Significa que aqueles que exigem milagres que possam ser confirmados pelos seus olhos é como se estivessem cegos.

Será que há algum milagre superior ao Livro Revelado?

“ …Ó Maomé, a estes manda-lhes cumprir o estabelecido e proíbe-lhes o reprovável; declara-lhes lícitos os bons manjares e proíbe-lhes os alimentos impuros; derroga-lhes as prescrições esmagadoras e suprime-lhes os grilhões que tinham. Os que crêem nele, que o honrem, o defendam e sigam a luz que lhe foi revelada, esses são os bem-aventurados.”
- Sura “O Muro” (VII, v. 157)

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

XIV. A Questão dos Milagres

Em termos enfáticos o Alcorão distingue entre crentes e não crentes, os de vista aguçada dos cegos, os de pureza de coração dos ímpios, os ouvintes dos surdos. Estas imagens representam uma vivência espiritual. Aqueles que não estão cegos – os que vêem – reconhecem o “Sol da Realidade”, não encontrando diferença fundamental entre as diferentes Revelações de Deus.

“Aqueles a quem demos o Livro antes deste Alcorão crêem nele.
E quando se lho recita, exclamam: “Cremos nele. É a verdade proveniente do nosso Senhor! Nós éramos submissos [muçulmanos] antes da sua chegada!”.”

- Sura “O Relato” (XXVIII, v.52-53)

Desta forma, a espiritualidade assinalada para aqueles que eram os depositários de um Livro revelado antes do Alcorão confirma que eles eram submissos (palavra que outros tradutores consideram como muçulmanos) antes de ser revelado, e continuaram a sê-lo à luz da sua Revelação.

O Alcorão descreve a cegueira espiritual da seguinte forma:

“Criámos para o Inferno muitos génios e muitos homens; têm corações que não compreendem, olhos que não vêem, ouvidos que não ouvem: são como os rebanhos, ou mais extraviados ainda, porque esses não compreendem.”
- Sura “O Muro” (VII, v.179)

O que pode convencer tais povos a abrir os seus olhos para a Luz da Verdade, limpar os ouvidos para o chilrear do Rouxinol da Verdade ou abrir os corações para as Copiosas Chuvas da Verdade?

“Se tivéssemos feito descer sobre eles os anjos, se os mortos lhes tivessem falado, se tivéssemos reunido diante deles todas as coisas, não teriam acreditado senão naquilo que Deus quisesse. Mas na sua maior parte são ignorantes.”
- Sura “Os Rebanhos” (VI, v.111)

Há um episódio em que os descrentes pedem um milagre:

“Dizem: “não acreditaremos em Ti antes de fazeres brotar uma fonte da terra.
Ou de teres um jardim de palmeiras e videiras através dos quais corram rios abundantemente.
Ou de fazeres caíres sobre nós, segundo afirmas o Céu aos pedaços, ou de trazeres manifestamente Deus e os anjos.
Ou de teres uma casa cheia de ornamentos, ou subires ao Céu. Não acreditaremos na Tua ascensão antes de fazeres um Livro que possamos ler.” Responde: “O meu Senhor seja louvado! Sou alguma coisa mais do que um mortal, do que um enviado?”
- Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 90-93)

O Alcorão confirma a revelação de milagres, como sendo parte integrante do poder dos Profetas, mas condena o povo que não acreditou Nestes.

“Impede-nos de enviar os sinais que solicitem aos habitantes de Meca o facto de os antigos os desmentirem. Por exemplo: demos a camela ao povo de Çamud como sinal manifesto, mas foram injustos com ela. Não enviámos os sinais a não ser com intimidação.”
- Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 59)

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

O Sol, a Lua, as Estrelas, Céu e Terra


“Quando o Sol for encoberto, quando os astros se embaciarem”
- Sura “O Obscureci men to” (LXXXI, v. 1-2)

“Quando os astros se extingam, quando o Céu se fenda.”
- Sura “Os Enviados” (LXXVII, v.8-9)

“Quando o céu se fender e houver escutado o seu Senhor em seu temor, e quando a Terra for estendida e atirar o que houver nela, ficando vazia, e houver escutado o seu Senhor em seu temor…”
- Sura “O Rasgão” (LXXXIV, v. 1-2)

“Quando o Céu se fender, quando os astros se dispersarem”
- Sura “A Fenda” (LXXXII, v. 1-2)

“Quando a vista fique deslumbrada, a Lua eclipsada e o Sol e a Lua estejam em conjugação…”
- Sura “A Ressurreição” (LXXV, v. 7-9)

Através destas imagens o Alcorão antecede os acontecimentos que hão de ocorrer no Dia de Deus quando tudo voltar para Ele. Parece-nos ser evidente que céu, terra, sol, lua e estrelas representam aspectos do mundo espiritual.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Vida e Morte (2.ª parte)

É lógico que os termos morte e vida referem-se à condição espiritual dos Israelitas e não à sua condição física. Deus enviou a seguinte admoestação aos Israelitas:

“Como ousais negar a Deus? Estáveis inertes e foi Ele quem vos deu a vida; depois vos fará morrer, ressuscitar e voltar para Si.”
- Sura “A vaca” (II, v. 28)

Quando terão estes acontecimentos ocorrido? Ter-lhes-á sido dado a vida senão através daqueles que aceitaram Jesus Cristo? E qual terá sido a causa de sua morte senão através da negação de Maomé? E como voltarão a Deus senão através do reconhecimento de Bahá’u’lláh?

Da mesma forma, luz e escuridão, visão e cegueira também significarão estados espirituais.

O cego e o vidente não se equiparam.
Tão pouco as trevas e a luz, a frescura da sombra e a canícula.
Não se equiparam os vivos aos mortos. Deus faz ouvir a quem quer. Tu não podes ouvir àqueles que estão nos túmulos.
Tu és apenas um admoestador
.”
- Sura “Os Anjos” (XXXV, v.19-23)

Estas palavras foram dirigidas ao Profeta Maomé por Deus. Surge-nos como evidente que “àqueles que estão nos túmulos” não é uma referência aos fisicamente mortos. Da mesma forma que “trevas”, “luz”, “frescura da sombra” e “canícula” significariam estados da natureza se não houvesse uma altura certa mencionada pela sua iniquidade.

Deus é amigo dos que crêem: tira-os das trevas para a luz. Os que descrêem têm por amigos os demónios, que os levam da luz para as trevas: esses serão os possuidores do fogo: viverão nele eternamente.”
- Sura “A Vaca” (II, v.257)

Estes versículos demonstram que aqueles que se afastam do caminho dos Manifestantes de Deus estão em pior condição do que aqueles corpos que estão sepultados. A morte espiritual corresponde a uma doença moral. No entanto, quando são convidados para aceitar a palavra de Deus, eles obstinam-se em rejeitá-la:

“Se tivéssemos feito descer sobre eles os anjos, se os mortos lhes tivessem falado, se tivéssemos reunido diante deles todas as coisas, não teriam acreditado senão naquilo que Deus quisesse. Mas na sua maior parte são ignorantes.”
- Sura “Os Rebanhos” (VI, v.111)

“Quando se lhes diz: “Não espalheis a corrupção sobre a Terra”, respondem: “Nós somos reformadores.”
Porventura não são perversos? Mas não o sabem.”

- Sura “A Vaca” (II, v.11-2)

O Alcorão refere-se a eles como as “piores bestas”:

As piores bestas, perante Deus, são as surdas e as mudas que não discorrem”.
- Sura “Os Despojos” (VIII, v. 22)
“As piores bestas diante de Deus são os descrentes, pois eles não crêem.”
- Sura “Os Despojos” (VIII, v. 55)

Para aqueles que têm “vista” mas não “vêem”, é posteriormente referido:

Tínhamo-los estabelecido onde não vos estabelecemos. Havíamos-lhes dado ouvido, vista e coração. Mas nem o seu ouvido, nem a sua vista nem o seu coração lhes serviu de nada. Quando negaram os versículos de Deus, aquilo de que haviam zombado os cercou.”
- Sura “As Dunas” (XLIV, v.26)

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Vida e Morte

O Alcorão tem um estilo próprio, considerado por muitos como único e imensuravelmente belo. Muitas vezes transmite verdades espirituais sob a forma de metáforas e alegorias, tal como Jesus Cristo que falou em parábolas que estão registadas nos Evangelhos, para que os Seus seguidores tenham capacidade para compreendê-las.

Vida e morte, num sentido espiritual, significa aceitação ou repúdio da Luz que Deus trouxe ao mundo através das Suas Manifestações. Um dos versículos mais óbvios que justifica esta interpretação é um que foi revelado aquando da declaração da Fé no Islão por parte de Hamzih, tio de Maomé:

Quem estava morto e o ressuscitámos e lhe demos uma luz com que anda entre os homens é igual a quem está nas trevas e não sai delas? Assim julgam os infiéis.”
- Sura “Os rebanhos” (VI, v.122)

Hamzih fisicamente não estava morto nem volveu à vida física, mas é considerado morte como a negação da Luz de Deus e morte como a sua negação. Quando aceitou a manifestação divina “ressuscitou”.

Aqueles a quem invocam, prescindindo de Deus, nada criaram: foram eles criados.
Estão mortos, não vivos, e não sabem quando serão ressuscitados.”

- Sura “A abelha” (VI, v.20-21)

Ser ressuscitado significa que a alma libertar-se-á da sepultura e terá uma nova vida espiritual. A ressurreição é espiritual e não física, o que é confirmado pelo seguinte versículo:

Recordai-vos de quando dizíeis: “Moisés, nós creremos em ti até que vejamos a Deus claramente!” E o raio vos levou enquanto olháveis.
Em seguida, depois da vossa morte, ressuscitámo-vos, esperando que talvez nos agradecêsseis."
- Sura “A vaca” (II, v. 55-56)

Estas palavras foram dirigidas aos Israelitas após terem errado pelo deserto durante quarenta anos. Como é óbvio os Israelitas, como nação, não foram destruídos por um raio nem estavam fisicamente mortos.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

A Balança


A “Balança” é referida nas Escrituras Sagradas através do qual o género humano é “pesado” nas suas acções individuais e colectivas. Os Apóstolos de Deus trouxeram o equilíbrio com a revelação de um Livro:

Mandámos enviados com provas manifestas: a eles revelámos o Livro e estabeleceremos a balança para que os homens pratiquem a equidade. Criámos o ferro – nele há grandes danos e grande utilidade para os homens – para que Deus, em segredo, conheça os que o socorrem a Ele e aos Seus Enviados. Deus é forte, poderoso.”
- Sura “O Ferro” (LVII, v. 25)

O Alcorão e a Balança são referidos por Maomé. Através de Si Deus anunciou que “Talvez a Hora esteja próxima”:

Foi Deus quem revelou o Livro com a Verdade e a balança. Que te pode informar? Talvez a Hora esteja próxima.”
- Sura “O Conselho” (XLII, v. 17)

E quando a Hora chegar:
Elevou o Céu, estabeleceu a balança da Justiça.”
- Sura “O Beneficente” (LV, v. 6)

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Julgamento e Nova Manifestação (2. parte)

A excepção, aqueles a quem Cristo refere, “o Meu rebanho conhece a Minha voz”, são aqueles que reconheceram a voz do Báb e de Bahá’u’lláh e dedicaram as suas vidas no Seu caminho. São aqueles que obedeceram a Deus e serão guiados ao paraíso.

O Alcorão conta a história de uma cidade que os seus habitantes recusaram três Apóstolos, mas houve uma pessoa de entre todos que acreditou:

Entretanto, chegou um homem da parte mais distante da cidade, que corria e gritava: “Ó meu povo segui esses [os mensageiros] que foram enviados para junto de vós;
Deveis seguir esses que nada vos pedem em troca e que apenas vos querem levar pelo caminho da verdade.””

- Sura “Ó Humanidade” (XXXVI, v.20-21)

Sim, eu creio [agora] no vosso Senhor (diz um deles entre os ímpios), “por isso escutai-me.”
Então uma voz disse: “Entra no Paraíso”, o que o fez passar cheio de satisfação: “Ai, se o meu povo soubesse!”
Com que beneficência e misericórdia o meu Senhor me perdoou e colocou entre os honrados!
Nós [fala de Deus] não precisamos mais do que um só grito para fazer tombar todo o teu povo, mas Nós queremos fazer isso.
Pois um só grito bastaria para todos tombarem.
Que mágoa para os servidores de Deus! Nenhum dos Seus enviados foi à Terra que não tenha sido molestado pelos
descrentes!
- Sura “Ó Humanidade” (XXXVI, v.25-30)

Tal como o homem que disse que acreditava foi-lhe dito “Entra no Paraíso”, enquanto que aqueles que se recusarem a acreditar serão punidos e silenciados.

Na Sura “O Beneficente” (LV) o Alcorão fala de “Dois Paraísos”.

Quem temeu a chamada de seu Senhor terá dois jardins
- que dons do vosso Senhor negareis?
De frondosas ramadas verdejantes.
Que dons do vosso Senhor negareis?
Neles haverá duas fontes de água corrente.
Que dons do vosso Senhor negareis?
Neles haverá de todos os frutos, duas espécies.
Que dons do vosso Senhor negareis?
Os bem aventurados estarão reclinados sobre tapetes cujo reverso será de brocado. A colheita de ambos os jardins será imediata.
Que dons do vosso Senhor negareis?”

- Sura “O Beneficente” (LV, v. 46-55)

Esta Sura tem um significado especial para os Bahá’ís devido ao versículo “Que dons do vosso Senhor negareis?” que é repetido trinta e umas vezes nos setenta e oito versículos. A Sura é revelada em termos gémeos, o que tem uma relevância particular na Dispensação de Bahá’u’lláh. As duas fontes são o Báb e Bahá’u’lláh.

“Não aniquilámos nenhuma cidade a menos que tivesse um Livro reconhecido.
Nenhuma comunidade adianta nem atrasa o seu termo.”

- Sura “Al-Hichr” (XV, v. 4-5)