segunda-feira, 23 de outubro de 2006

O Dia que não será seguido pelas Trevas (2.ª parte)

Todas estas atrocidades cometidas durante a Dispensação islâmica se deveram, segundo ‘Abdu’l-Bahá à simples afirmação de Omar: “o Livro de Deus é suficiente”. Desta forma, a maior parte da nação islâmica ficou privada do conhecimento dos Imames, que tinham a capacidade de interpretar as passagens abstrusas do Alcorão, e as profecias acerca do advento de Qá’im, o prometido do Islão.

O curso da História Universal mudou como resultado da ambição de Omar e a sua recusa em submeter-se a Ali. Esta decisão resultou na violação do convénio de Maomé e, de acordo com ‘Abdu’l-Bahá, trouxe consequências graves a muitas nações e povos. Na epístola referida em cima é afirmado que se a nação islâmica tivesse seguido o legítimo sucessor de Maomé muitas das atrocidades e prepotências cometidas após a ascensão do Profeta poderiam ter sido minimizadas ou mesmo evitadas.

Poderemos fazer um paralelismo entre a traição perpetrada sobre Jesus e a aquela, já descrita, sobre Maomé. Quando Jesus entregou a Pedro a ascendência sobre o Seus outros apóstolos, Judas sentiu-se traído, pois considerava esse lugar como seu e a sua ambição desmedida teve as consequências já conhecidas, acabando por conduzir o seu Senhor à cruz. Mais tarde, muitos dos primeiros cristãos, como Estevão, Pedro ou Paulo, vieram a ser condenados à morte, mas sempre por pagãos ou judeus. Os Imames foram mortos por aqueles que lideravam o mundo islâmico. Pior, O Imame Mahdí, o décimo segundo dos Imames, veio a ser fuzilado por aqueles que imploravam pela Sua vinda.

No entanto, podemos questionar-mos por que terá Deus permitido que tudo isso ocorresse? Na realidade, a humanidade naquela tempo não estava preparada para se manter unida segundo os ditames de um Convénio, estabelecido entre os seguidores do Profeta e os Seus legítimos sucessores.

Se é crença dos Bahá’ís que desta vez todas as tentativas de violação do convénio saíram infrutíferas devem-se a o facto de Bahá’u’lláh ter trazido aos seus seguidores os instrumentos para que tal não possa ocorrer. Há dois livros que apontam o Seu Centro do Convénio como sendo ‘Abdu’l-Bahá, primeiro no Kitab-I-Aqdas, de forma implícita, e posteriormente, de forma explícita, o Livro do Convénio.

Por outro lado, há uma importante característica do Islão que convém entender. Maomé fez uma declaração oral de que Ali era o Seu legítimo sucessor mas conforme já descrevemos a maioria dos muçulmanos não o seguiram, e durante séculos aqueles que violaram o convénio (os sunitas) dominaram aqueles que o seguiam (os xiitas). Bahá’u’lláh explicou na Epistola a Sálman que a prevalência dos violadores do Convénio sobre os seguidores do Convénio é um fenómeno já predestinado no Alcorão. O versículo: “Não há outro Deus senão Deus” que todo o muçulmano piedoso profere contém a verdade fundamental em que se baseia o Islão. Bahá’u’lláh afirma que jazia um mistério oculto neste versículo e que ninguém o tinha identificado antes que Ele o revelasse no Seu Dia.

Nesta Epístola, Bahá’u’lláh diz que Deus através de Sua sabedoria, colocou nesta frase a palavra da negação (não) a preceder a da afirmação. Desta forma está atribuído o domínio dos infiéis sobre os fiéis na Dispensação islâmica. Esta misteriosa influência resultou da frase que se repete várias vezes ao longo do Alcorão. Todo o sofrimento que os Imames, os descendentes do Profeta e Seus sucessores, iriam sofrer já estava predestinado. O versículo “Não há outro Deus senão Deus” significa que os seguidores de Maomé seriam incapazes de manter a unidade após a Sua ascensão.

A fotografia representa o Santuário do Imame Ali