quarta-feira, 25 de outubro de 2006

XVII. O Martírio do Imame Husayn

Pensamos que seria importante fazermos uma referência ao Imame Husayn, descrito por Shoghi Effendi, intérprete autorizado das Escrituras Sagradas, como o maios ilustre de entre os Imames.

Ali e Fátima, a filha dilecta de Maomé, tiveram dois filhos varões Hasan e Husayn.

Diferentes referências bibliográficas falam do profundo amor que Maomé tinha pelos Seus netos, sendo várias as que apontam para a predilecção para com Husayn.

Após o assassinato do Imame Ali em Kufa, perpetrado pela família dos Omíadas, a besta descrita no Apocalipse de São João, o mundo islâmico ficou subjugado por essa vil dinastia, sendo Muavia o seu líder. Este antes de morrer preparou o caminho para que o seu filho Yazíd lhe sucedesse.

Nesta altura já Husayn era o chefe da casa de Ali, por falecimento e consequente herança de seu irmão.

O mundo islâmico estava em comoção, se o domínio de Muavia, filho do mais poderoso inimigo de Maomé em Meca, era uma ofensa para muitos muçulmanos, a ascensão de Yazíd, um consumidor de vinho inveterado e que abertamente ridicularizava as leis do Alcorão, era um ultraje.

Foi então que em Kufa, junto a Damasco, capital administrativa do Islão, muitos muçulmanos pediram a Husayn que viesse aí tomar a liderança do mundo islâmico.

O governador de Medina, receoso de Yazíd, declarou-lhe a sua aliança, e assim Husayn teve de se deslocar de Medina para Meca e daí enviou um emissário para se inteirar da situação em Kufa, onde grupos de crentes prometeram-lhe todo o seu apoio.

Apesar deste relatos entusiastas, Husayn estava avisado da vacilação com que esses crentes apoiaram o seu irmão Hassan. No entanto, Husayn decidiu deixar Meca na companhia de um pequeno número de homens armados e um número considerável de mulheres e crianças.

Mas a situação mudou rapidamente em Kufa, Yazíd inteirado da situação, instruiu o enérgico e cruel ‘Ubaydu’lláh ibn Zyád para controlar a situação. Imediatamente instalou um regime de terror, lidando de forma implacável contra qualquer manifestação de revolta. Estas medidas tiveram sucesso e permitiram a ‘Ubaydulláh organizar unidades militares e cobrir todos os caminhos que davam para Kufa, pretendendo assim interceptar o Imame Husayn.

O regime de terror ia sufocando Kufa, e alguns apoiantes de Husayn que conseguiram fugir avisaram-no do perigo iminente.

Al-Hurr, um jovem líder de um desta camento militar interceptou Husayn quando este se aproximou de Kufa. As suas instruções vinham no sentido de impedir o Imame de alcançar qualquer vila ou cidade no Iraque. Perante esta atitude, Husayn mostrou as inúmeras cartas que lhe foram enviadas pelos habitantes de Kufa. Vendo os homens de Al-Hurr sedentos Husayn, de forma magnânima, ofereceu-lhes água de suas reservas.

Após negociações Husayn concordou em deixar Kufa, enquanto Al-Hurr esperou por mais instruções. Husayn e o seu grupo viajaram escoltados pelo séquito de Al-Hurr até alcançaram a planície de Karbilá. Aí chegaram quatro mil homens chefiados por ‘Umar ibn Sa’d, mas instruídos por ‘Ubaydulláh, que não deveriam deixar Husayn partir até que ele assinasse um documento em que se submetia a Yazíd. Os homens de Ibn Sa’d cercaram o grupo de Husayn e cortaram-lhe o acesso ao rio, a sua única fonte de água.

Husayn iniciou conversações com Ibn Sa’d insistindo em que não tinha interesse algum em que houvesse derramamento de sangue e, se fosse necessário, regressaria à Arábia. Ibn Sa’d, por instigação de ‘Ubaydulláh, recusou qualquer trégua ao mesmo tempo que sentia os efeitos da escassez de água no grupo do Imame. Foi então que ao anoitecer do dia 9 de Muharram 61 D.H. (9 de outubro 680 D.C.) Ibn Sa’d ordenou aos seus militares para se prepararem para a batalha e ocupassem as posições chave no terreno. Nessa noite, Husayn pediu aos seus companheiros que o deixassem só frente ao inimigo mas eles recusaram-se a tal.

1 comentário:

max @ devaneios desintéricos disse...

este parece ser um blog interessante a ser seguido de perto...