quarta-feira, 31 de outubro de 2007

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Importância da agricultura

Bahá’u’lláh assevera que “Especial atenção deve ser dada à agricultura”[i]. Numa de Suas Epístolas está revelado:

Enquanto na Prisão de Akka, revelamos no Livro Carmesim aquilo que conduz ao adiantamento da humanidade e reconstrução do mundo. As palavras aí proferidas pela Pena do Senhor da Criação incluem as seguintes afirmações, as quais constituem os princípios fundamentais para a administração dos homens.

Primeiro: Incumbe aos ministros da Casa de Justiça promoverem a Paz Menor, de modo que o povo da Terra seja aliviado do cargo dos desembolsos exorbitantes. Esse assunto é imperativo e absolutamente essencial, desde que hostilidades e conflito são origem da aflição e de calamidades.

Segundo: As línguas devem ser reduzidas a uma língua comum, a ser ensinada em todas as escolas do mundo.

Terceiro: Cumpre ao homem aderir tenazmente aquilo que possa promover amizade, benevolência e unidade.

Quarto: Cada um, seja homem ou mulher, deve entregar a uma pessoa de confiança uma parte daquilo que ele ou ela ganha - por meio de algum ofício, ou mediante agricultura ou outra ocupação - para o ensino e a educação das crianças, sendo tal quantia gasta para esse fim com o conhecimento dos membros da Casa de Justiça.

Quinto: Especial consideração deve ser dada à agricultura. Embora mencionada em quinto lugar, precede os outros assuntos inquestionavelmente. A agricultura está altamente desenvolvida em países estrangeiros mas na Pérsia até agora tem sido lastimavelmente negligenciada. Espera-se que sua Majestade o Xá - que Deus por Sua graça o ajude - dirija a sua atenção a esse assunto de importância vital.”
[ii]

Aliás, acredito que esta Epistola é merecedora de um estudo bastante mais aprofundado do que aquele que é feito aqui.


[i] Conservação dos recursos da Terra, página 22
[ii] Epístola ao Mundo página 102

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Alimentai-vos ó povo, com as boas coisas que Deus vos concedeu"

Abdul-Bahá considera: “Assim vemos claramente que honra e exaltação do homem devem consistir em algo mais que bens materiais. Os confortos materiais são apenas ramos, mas a raiz da exaltação do homem são as boas qualidades e virtudes que adornam a sua realidade: são os atributos divinos, as graças celestiais, as emoções sublimes, o amor e o conhecimento de Deus; são a sabedoria universal, a percepção intelectual, as descobertas científicas, a equidade, a veracidade, a benevolência, a coragem natural, a fortaleza inata. Consistem também em respeitar os direitos, e em cumprir promessas e convénios, em agir com rectidão em todas as circunstâncias, servir a causa da verdade sob todas as condições, sacrificar a própria vida pelo bem colectivo, mostrar bondade e estima para com todas as nações, seguir os ensinamentos de Deus, servir o Reino Divino, orientar o povo, e educar as nações e as raças. Eis a prosperidade do mundo humano! Eis a exaltação do homem na terra! E a vida eterna e a honra celestial!”[i]

Os escritos Bahá’is encorajam o desprendimento de “este mundo e de suas vaidades[ii], havendo uma constatação individual de Deus. Isto não constitui uma forma de ascetismo ou implica a rejeição das dádivas da vida.
Bahá’u’lláh explica: “Se um homem desejasse adornar-se com os ornamentos da terra, usar suas vestimentas ou participar dos benefícios que ela pode conceder, nenhum dano lhe poderia advir, se não permitisse que coisa alguma interviesse entre ele e Deus, pois Deus ordenou cada coisa boa, quer criada nos céus ou na terra, para aqueles de Seus servos que em Ele, verdadeiramente acreditam. Alimentai-vos ó povo, com as boas coisas que Deus vos concedeu e não vos priveis de Suas graças maravilhosas. Rendei-lhe agradecimentos e louvor, e sede dos que são verdadeiramente gratos.[iii]


[i] Conservação dos recursos da Terra, página 18
[ii] Conservação dos recursos da Terra, página 18
[iii] Conservação dos recursos da Terra, página 18

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O Nobel da Paz

Al Gore foi designado em 12 de Outubro do ano corrente vencedor do Prêmio Nobel da Paz juntamente com o corpo de especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC), órgão responsável pelas pesquisas e relatórios tidos como referência internacional sobre o assunto.

O trabalho do antigo presidente dos EUA na divulgação mundial das mudanças climáticas é notório.

Al Gore ganhou destaque como defensor da necessidade de combater o aquecimento global em 2006, ao lançar o filme "Uma Verdade Inconveniente", no qual apresentou uma série de evidências de que a emissão de dióxido de carbono, agravada pela ação humana, tem sido a responsável pelo aumento brusco de temperatura no planeta, com clara repercussão nas zonas polares.

Em 2007, a obra de Al Gore ganhou visibilidade ao conquistar o Oscar de melhor documentário. Desde então, o filme tornou-se um marco na agenda internacional e acabou por reforçar os alertas já divulgados pelo IPCC sobre a gravidade do impacto humano no clima.

Antes de produzir "Uma Verdade Inconveniente", Al Gore já era um habituendo em conferencias sobre o tema em diversos países, isto após ser derrotado pelo actual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na eleição de 2000. Já antes escrevera o livro "A Terra à Procura de Equilíbrio", onde se faz referência à Fé Bahá'í.

Infelizmente os Estados Unidos não assinaram o Protocolo de Quioto. No entanto, recentemente têm dado um sinal de flexibilização ao discutirem um acordo internacional de redução das emissões de dióxido de carbono – o presidente Bush citou trabalhos do IPCC, durante uma reunião em Setembro, em Washington.

Sem qualquer conotação politica, considero a atribuição deste prémio Nobel extremamente oportuna a um dos grandes pensadores da actualidade.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Prémio Nobel da Química

Gerhard Ertl, cientista alemão e professor de física química no Instituto Fritz-Haber, em Berlim, é o vencedor do Prêmio Nobel de Química do ano corrente. A Academia Sueca de Ciências considerou que os seus estudos sobre como processos químicos que afectam superfícies sólidas foi merecedor de tal distinção.

O trabalho de Ertl tem aplicação nas áreas mais diversas, desde o processo de fabricação de fertilizantes sintéticos, ao desenvolvimento da tecnologia que permita a utilização do hidrogénio como combustível de veículos até a formas de tornar a produção de energias renováveis mais eficaz .
Este cientista demonstrou como diferentes procedimentos experimentais poderiam ser usados para estabelecer um quadro completo de como uma reação química afecta uma superfície.

Esse campo da ciência exige o emprego alta tecnologia, de forma a ser possível a observação de camadas de átomos e moléculas numa superfície pura de metal a interagirem. A contaminação das superfícies pode alterar os produtos desejados em diferentes indústrias, permitindo assim o desperdício.
O comitê responsável pela escolha considerou que a "sua metodologia é usada tanto em pesquisas acadêmicas como no desenvolvimento industrial dos processos químicos."

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O Nobel em Medicina

Mario Capecchi, Oliver Smithies e Martin Evans, cujos trabalhos foram desenvolvidos separadamente, descobriram como manipular geneticamente células embrionárias de ratos, indicou o comité Nobel, permitindo a manipulação genética "in vivo", ou seja, nas condições naturais do organismo.
Inactivaram um gene, técnica essencial no domínio terapêutico, reconhecida como base da biomedicina do século XXI, e que é aplicada em quase todos os domínios da biomedicina, vindo a ser laureados com o Nobel.
Estamos perante uma combinação engenhosa de técnicas, envolvendo as famosas células-tronco embrionárias (derivadas de embriões com poucos dias de vida e capazes de assumir a função de qualquer tecido do organismo) e um mecanismo celular natural, usado para conservar o DNA.

O mecanismo em questão é a recombinação homóloga, que acontece durante a formação das células sexuais, como os óvulos e espermatozóides, e também durante o rearranjo do DNA. Tendo a maior parte dos animais e plantas duas cópias de cada gene nas suas células - uma oriunda do pai e outra da mãe, a recombinação homóloga pode acontecer quando surgem erros em uma das cópias de DNA. Nesse caso, a célula pode usar a outra cópia como "backup", guiando-se pela presença de "letras" químicas de DNA semelhantes.

O primeiro passo da técnica do "Knoc-out" é justamente induzir a recombinação homóloga com um pedaço de DNA "backup" que, na verdade, contém uma versão inoperante do gene de interesse. Dessa forma, a célula passa a incorporar o gene desligado. A parte seguinte do truque é fazer com ele fique desligado no organismo inteiro - no caso, num camundongo inteiro.

É aí que entram as células-tronco embrionárias. O desligamento do gene normalmente é feito dentro delas. Posteriormente são injectadas num embrião nos seus estágios iniciais. Algumas delas vão parar na linhagem germinativa, aquela que vai dar origem aos óvulos e espermatozóides. Isso significa que os filhotes do camundongo "quimera" (ou seja, cujas células se originaram de dois indivíduos diferentes) terão a modificação genética desejada.

Desde a elaboração da técnica, ao longo dos anos 1970 e 1980, tem sofrido melhoramentos importantes. Sendo hoje possível induzir o desligamento do gene só após determinado momento, ou apenas num determinado tipo de célula, em vez de em todas as do organismo. Isto é importante porque certos genes são tão cruciais para o desenvolvimento inicial dos mamíferos que desligá-los logo na fase embrionária acabaria matando o embrião, e destruindo todo o trabalho dos pesquisadores.

A técnica é uma ferramenta indispensável para estudar a relação entre determinados genes e doenças de todos os tipos, criando modelos dos males humanos em animais. Por tudo isso, o futuro da técnica vencedora do Nobel tem tudo para ser promissor por muito tempo.
Esperemos que não surja nenhum grupo anarco-chique para destruir o laboratório.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Atitudes e valores para com a Natureza

Os escritos Bahá’is conjugam certos valores espirituais e atitudes que guiam a relação do homem para com a Natureza. Estes incluem:

Apreciação

Uma constatação do facto de que a terra é a “fonte[i] de “prosperidade”[ii] do homem é demonstrado pela entendimento que “A honra e exaltação do homem deverão ser algo mais do que riquezas materiais[iii].
Bahá’u’lláh diz:
Todo o homem de discernimento, enquanto passeia sobre a terra, sente-se na verdade envergonhado, mesmo que ele esteja inundado de sabedoria daquilo que é a fonte da sua prosperidade, saúde, poder, exaltação, progresso, e, como ordenado por Deus, a própria terra que é calcada pelos próprios pés do homem. Não pode haver dúvida que todo aquele que é sapiente desta verdade, está purificado e santificado de toda a vaidade, arrogância e vaidade...”.[iv]

“De que podeis vós com justiça vangloriar-vos? Será de vosso alimento e bebida que vos orgulhais, das riquezas que acumulais em vossos tesouros, ou da variedade e do valor dos ornamentos com que vos adornais? Fosse a glorificação verdadeira consistir na posse de coisas tão perecedouras, então a terra sobre a qual andais, deveria vangloriar-se sobre vós, pois é ela que vos sustenta e concede essas mesmas coisas, segundo o decreto do Todo-Poderoso. Nas entranhas da terra está contido tudo o que vós possuis, segundo Deus ordenou. Dela extrais - como sinal de Sua misericórdia - vossas riquezas. Vede, pois, vosso estado a coisa de que vos vangloriais! Oxalá pudésseis perceber isto
!”[v]

[i] Conservação dos recursos da Terra, página 16
[ii] Conservação dos recursos da Terra, página 16
[iii] Conservação dos recursos da Terra, página 16
[iv] Conservação dos recursos da Terra, página 17
[v] Conservação dos recursos da Terra, página 17

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Imperfeição da Natureza

Nas escrituras Bahá’is há duas perspectivas sobre a natureza que estão em claro contraste - uma que considera que o “Mundo da Natureza é completo[i], e uma que declara que e “incompleta”[ii] porque “ela tem necessidade de inteligência e educação”.[iii] ‘Abdu’l-Bahá afirma que “Os mundos mineral, vegetal, animal e humano necessitam todos de educação[iv]:

"Os materialistas mantém a opinião de que o mundo da Natureza é completo. Os filósofos divinos declaram que o mundo da Natureza é incompleto. Há uma grande diferença entre os dois. Os materialistas chamam a atenção para a perfeição da Natureza, o sol, a lua, as estrelas, as árvores com sua beleza, o planeta inteiro e o mar - mesmo os fenómenos insignificantes revelam a mais perfeita simetria.
Os filósofos divinos negam esta perfeição aparente acabamento do reino da natureza, embora aceitem a beleza de suas cenas e aspectos e reconheçam as irresistíveis forças cósmicas que controlam as enormes estrelas e planetas. Eles afirmam que embora a natureza pareça ser perfeita, é, no entanto, imperfeita, pois necessita de inteligência e educação. Como prova disto dizem que o homem, embora seja um Deus no reino da criação material, necessita de um educador. O homem não desenvolvido pela educação é selvagem, animalesco e brutal. Leis e regulamentos, escolas, faculdades e universidades têm como propósito o treinamento do homem e a sua elevação da sombria fronteira do reino animal...[v]

Ao examinarmos a existência, observamos que os mundos mineral, vegetal, animal e humano necessitam de um educador. Se a terra não é cultivada, torna-se um matagal onde crescem ervas inúteis; mas se um agricultor lavrar a terra, ela produzirá colheitas que alimentarão muitas criaturas. É evidente, portanto, que a terra arável precisa da intervenção do agricultor. Considerai as árvores: se elas não forem tratadas por um agricultor, ficarão sem frutos; mas se receberem os cuidados de um jardineiro, estas mesmas árvores estéreis tornar-se-ão frutíferas, e através da lavoura, adubação e enxertia, as árvores que tinham frutos amargos produzirão frutos doces. O mesmo se aplica aos animais: observai que quando o animal é mestrado torna-se doméstico. Da mesma forma, se o homem não receber educação, tornar-se-á bestial, mais ainda, se for deixado sob o domínio da Natureza, tornar-se-á mais baixo que um animal, ao passo que se for educado tornar-se-á um anjo...”[vi]

[i] Conservação dos recursos da Terra, página 15
[ii] Conservação dos recursos da Terra, página 15
[iii] Conservação dos recursos da Terra, página 15
[iv] Conservação dos recursos da Terra, página 15
[v] Conservação dos recursos da Terra, página 15
[vi] Conservação dos recursos da Terra, página 16