quarta-feira, 29 de agosto de 2007

"Nova Criação"

Neste último parágrafo citado Bahá’u’lláh fala de uma “nova criação” que poderá significar a aceitação por parte da humanidade de uma Mensagem Divina adequada aos tempos contemporâneos. A descrição que Bahá’u’lláh faz da formação do universo “o que tem estado em existência havia existido antes, mas não na forma que tu hoje vês...” assemelha-se a descrição geral do que antecedeu “big-bang”, que é reconhecida pela generalidade dos cientistas como a mais provável hipótese de formação do universo tal como ele e hoje conhecido. No entanto, esta Epístola foi revelada a partir de uma prisão no século passado por Alguém que quase não tinha contacto algum com o exterior.
[i] Epístolas de Bahá’u’lláh

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

"Cada coisa deve ter uma origem"

Continuando:

"Sabe tu, Além disso que o Verbo de Deus - exaltada seja sua glória é mais elevado e vastamente superior aquilo que os sentidos podem perceber, pois está santificado de qualquer propriedade ou substância. Transcende as limitações dos elementos que conhecemos e eleva--se acima de todas as substâncias reconhecidas e essenciais. Tornou-se manifesto sem qualquer silaba ou som e não é, senão o Mandamento de Deus, o qual abrange todas as coisas criadas. Nunca foi negado ao mundo da existência. É a graça de Deus que a tudo atinge, da qual emana toda a graça. É uma entidade imensamente além e acima de tudo o que tem existido e há-de existir.
[...]
Cada coisa deve ter uma origem e, cada construção, um construtor. Em verdade, o Verbo de Deus é a causa que precedeu ao mundo contingente - um mundo que está adornado com os esplendores do Ancião dos Dias e, no entanto, está sendo renovado e regenerado em todos os tempos. Imensuravelmente exaltado é o Deus de Sabedoria que ergueu essa estrutura sublime.

Fixa no mundo o teu olhar e por algum tempo, nele pondera. Ele desvela o Seu próprio livro diante dos teus olhos e manifesta aquilo que a Pena de teu Senhor, o Moldador, O de tudo informado, nele inscreveu. Ele tornar-te-á conhecedor daquilo que contem e daquilo que sobre ele se encontrará, e dar-te-á tão claras explicações que te fará independente
de todo e qualquer expositor eloquente.

Dize: a Natureza em sua essência é a incorporação de Meu Nome, o Originador, o Criador. Diversas são suas manifestações, por causas que variam e, nessa diversidade, há sinais para o homens de discernimento. A Natureza e a Vontade de Deus e sua expressão no mundo contingente e através deste. É uma dispensação da Providencia determinada por Aquele que ordena, a Suma Sabedoria. Se alguém afirmasse que é a vontade de Deus assim como se manifesta no mundo da existência, a ninguém conviria questionar tal asserção. Está dotada de um poder cuja realidade homens de erudição não conseguem abranger. De facto, nada pode um homem de percepção nela discernir, salvo o fulgente esplendor de Nosso Nome, o Criador. Dize: É essa uma existência que não conhece desintegração, e a própria Natureza se assombra diante das suas revelações, suas inquestionáveis evidências e sua fulgente glória, as quais têm abrangido o Universo.
[...]
Se alguém hoje acredita firmemente, no renascimento do Homem, e tem plena consciência que Deus, o Mais Excelso, possui ascendência suprema e autoridade absoluta sobre essa nova criação, tal homem, em verdade, é incluído no número dos dotados de perspicácia nesta mais grandiosa Revelação. Disso dá testemunho todo o crente que discerne.”
[i]

[i] Epístolas de Bahá’u’lláh

sábado, 25 de agosto de 2007

O Bing-Bang

Como opinião meramente pessoal vejo nesta descrição algo de muito semelhante ao que os cientistas contemporâneos designam de "Bing-Bang".

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

“Desejei tornar-Me conhecido"

Atente-se a algumas palavras de Bahá’u’lláh em Epístola da Sabedoria:

“[...]Quanto às tuas asserções relativas ao princípio da criação, este é um assunto sobre o qual as concepções variam por causa de divergências nos pensamentos e pareceres dos homens. Fosses tu asseverar que sempre existiu e haverá de continuar a existir, isso seria verdade; ou fosses afirmar o mesmo conceito que é mencionado nas Sagradas Escrituras, nenhuma dúvida haveria sobre isso, pois foi revelado por Deus, Senhor dos mundos. Em verdade era Ele um tesouro oculto. E um estado que jamais se poderá descrever, nem mesmo mencionar. E no estado de “Desejei tornar-Me conhecido”, Deus era, e sua criação desde sempre existira, por Ele abrigada, desde o começo que não tem começo, além de ser precedida por uma primazia que não pode ser considerada primazia, e de se haver originado de uma Causa inescrutável até mesmo para todos os homens de erudição.
O que tem estado em existência havia existido antes, mas não na forma que tu hoje vês. O mundo existente veio a ser, através do calor gerado da interacção entre a força activa e aquela que a recebe. Essas duas são a mesma, embora sejam, no entanto diferentes. Assim informa-te o Grande Anúncio acerca dessa gloriosa estrutura. O que comunica a influência geradora e aquilo que lhe recebe o impacto são, em verdade, criados através do irresistível Verbo de Deus, Verbo esse que é a causa da criação inteira, enquanto tudo o mais, Além de seu Verbo, são apenas as criaturas e os efeitos do Verbo. Verdadeiramente, teu Senhor é o Esclarecedor, a Suma Sabedoria..."

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Steven Weinberg

Steven Weinberg, professor de Física na Universidade de Harvard, co-Vencedor do Prémio Nobel da Física em 1979, no seu livro “ Os três primeiros minutos do Universo” escreve:

O Universo está em expansão e está repleto de uma radiação universal e de uma temperatura actual de cerca de 3 K (1 Kelvin = -273ºC). Esta radiação parece ser o vestígio de uma época em que o Universo era verdadeiramente opaco e em que era cerca de 1000 vezes mais pequeno e mais quente do que actualmente. [...]Quando o Universo era 1000 vezes mais pequeno do que actualmente e o seu conteúdo material se encontrava prestes a ficar transparente à radiação, o universo estava também prestes a passar de uma era dominada pela radiação para a era actual, dominada pela matéria. Durante a era dominada pela radiação, não só o número de fotões por partícula nuclear era o mesmo que actualmente, mas também a energia dos fotões individuais era suficientemente elevada para que a maior parte da energia do universo se encontrasse na forma radiactiva, e não na de matéria. Portanto podia ser uma boa abordagem tratar o universo, durante essa era, como se ele estivesse simplesmente cheio de radiação, desprezando a presença de matéria. Uma precisão importante deve completar esta conclusão. Em tempos mais remotos, a matéria era importante, mas tratava-se então de matéria de natureza muito diferente da que constitui o nosso universo actual.[...]”

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Vida além da forma terrena

Bahá’u’lláh sobre a existência de vida Além da forma terrena afirma:

”Tu perguntaste-Me, ademais, sobre a Natureza das esferas celestes. A fim de compreender sua natureza, seria necessário inquirir o sentido das alusões feitas nos Livros da antiguidade às esferas celestes e aos céus, e descobrir o caracter de sua relação com este mundo físico e a influência que sobre ele exercem. Todo o coração maravilha-se diante de um tema tão deslumbrante e toda a mente se confunde diante de seu mistério. Deus, tão somente, pode penetrar no seu intuito. Os eruditos, que fixaram em alguns milhares a vida desta terra, deixaram de considerar, por todo o longo período de sua observação o número ou idade de outros planetas. Pensa, além disso, nas múltiplas divergências que resultaram das teorias propostas por esses homens. Sabe tu, que cada estrela fixa tem seus próprios planetas, e cada planeta, suas próprias criaturas, cujo número homem algum pode computar.” [i]

[i] Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh página 107

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Influência das estrelas

Acerca da influência das estrelas, ‘Abdu’l-Bahá desvaloriza a astrologia mas entende o universo como o corpo humano em que há uma interconexão entre todos os membros e órgãos:

“Algumas das estrelas celestes têm um efeito material claramente visível sobre o globo terrestre e seus seres, o qual não necessita de explicação. Por exemplo, o sol, graças ao amparo e providência de Deus, dá vida à terra e a todos os seres que a habitam. Sem luz e seu calor, todas as criaturas terrestres fatalmente deixariam de existir.

Da mesma forma, reafirma a acção do mundo material no espiritual:

Se reflectirdes profundamente sobre a influência espiritual das estrelas, embora tal influência no mundo humano possa parecer coisa estranha, não vos admireis tanto. Não quero dizer, porém que tudo quanto os astrólogos dos tempos antigos inferiam dos movimentos das estrelas tivesse correspondido aos factos. Seus decretos foram apenas fruto da imaginação, criados pelos sacerdotes egípcios, assírios e caldeus, ou então pelas fantasias dos hindus, dos mitos gregos, romanos e outros adoradores das estrelas. Quero dizer, sim, que este universo infinito assemelha-se ao corpo humano, no qual todas as partes revelam uma vigorosa interdependência. Vemos como estão inter-relacionados seus órgãos, membros e partes para mútuo benefício e cooperação, e quanto influi um sobre o outro!

De forma semelhante estão inter-relacionadas as partes deste infinito universo, exercendo seus membros e elementos uma influência recíproca, tanto espiritual como material.

Os olhos vêem, por exemplo, e isso afecta todo o corpo; o ouvido ouve, e isso pode ter um efeito sobre todos os membros. Não há dúvida a esse respeito e o universo é semelhante a uma pessoa.

A relação que existe entre os seres deve sobretudo e necessariamente ter uma influência, tanto material como espiritual...Em conclusão: os seres sejam grandes ou pequenos, estão ligados uns aos outros, em acordo com a perfeita sabedoria divina, e exercem uma influência recíproca. Se assim não fosse, haveria desordem e imperfeição no sistema do universo, no plano geral da existência. Como existe entre os seres, porém uma uma relação muito estreita, eles acham-se em ordem nos seus lugares, e são perfeitos.”[i]


[i] Esplendor da Verdade (ou Resposta a Algumas Perguntas) página 200

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

somos via-lacteanos

O astrónomo Hubert Reeves escreve: ”...O conhecimento do céu tem também uma outra dimensão, que esta relacionada com o enraizamento. As rápidas modificações dos padrões de vida - acompanhando o ritmo dos progressos tecnológicos - fazem que o homem contemporâneo não se sinta em parte nenhuma. Pode ver-se na recuperação pelo interesse pelos regionalismos, uma reacção contra esse sentimento de alienação em relação ao mundo moderno.

Cada um sente a necessidade de pertencer a qualquer coisa e procurar desesperadamente as suas raízes, correndo o risco de inventar todas as componentes desse quadro. Uma das razões da actual popularidade da astronomia é, creio eu, a ligação que ela mostra entre o homem e as estrelas. Longe de ser um estranho no Universo, como ensinam os existencialistas, as recentes descobertas da astronomia indicam o nosso parentesco com tudo o que brilha no céu. Nós estamos em dívida para com as estrelas por elas terem fabricado os átomos de que são constituídas as moléculas dos olhos que as observamos.

O sentimento de dependência, de que tanta necessidade temos, é-nos dada pela astronomia com um sentido muito mais satisfatório que os nossos manuais de história. Antes de sermos franceses ou canadianos, negros ou brancos, homens ou mulheres, nos somos terrestres, solares, “via-lacteanos”, filhos e filhas do universo. As nossas raízes estão nas estrelas”.[i]
Bahá’u’lláh afirma:
E agora, quanto a tua pergunta relativa a criação do homem. Sabe tu que todos os homens foram criados na natureza feita por Deus.”[ii]


[i] Pequeno Guia do Céu, página
[ii] Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh página 99

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Edwin Huble

Em 1929 o astrónomo norte-americano Edwin Huble (1889-1953) observou que as estrelas vão se afastando umas das outras como se se tivessem originado duma singular explosão cósmica. Este fenómeno inspirou a teoria do Big-Bang, a hipótese de que o universo estaria num estado de expansão após ter surgido violentamente de uma só fonte há biliões de anos. Esta teoria foi confirmada em 1964 com a detecção de radiação cósmica antecedente, que foi considerada como sendo calor residual anterior à explosão. Experiências têm confirmado que o universo está de facto a arrefecer, ou seja em expansão.
‘Abdu’l-Bahá equaciona a criação de um planeta com a existência do seu próprio universo:

"É uma verdade, embora das mais obscuras, que o mundo da existência - este universo infinito, não teve começo...A Essência da Unidade, isto é a existência de Deus, é duradoura, eterna, não tendo começo nem fim -é certo que também não há para esse mundo existente, esse infinito universo, nem começo nem fim. Pode acontecer, é verdade que uma das partes do universo, um dos astros, por exemplo, venha a existir ou a decompor-se, mas ainda existiriam outros astros sem conta; o universo não seria destruído por isso, nem perderia sua ordem. Não, a existência é perpétua, é eterna. Como todo o astro teve o seu começo, terá forçosamente seu fim, desde que toda a composição - seja colectiva, ou individual - há de desfazer. A única diferença é que algumas se decompõem rapidamente, e outras com lentidão, mas é impossível que um ser composto não venha a decompor-se.

Devemos saber, portanto, o que era, a princípio, cada uma das existências, pois, sem a menor dúvida, a origem foi uma só, assim como a origem de todos os números é um e não dois. Evidentemente, a matéria foi uma desde o começo e, em cada elemento, esta mesma matéria aparecia sob aspectos diferentes, sendo assim produzidas várias formas; e esses aspectos diversos, à medida que se produziam, tornavam-se constantes, sendo cada elemento especializado. Essa constância, porém, não era definida; só depois de muito tempo atingiu plena realização, ou existência perfeita. Esses elementos vinham então a se compor, organizar e combinar numa infinidade de formas; ou melhor, resultaram da combinação desses elementos, inúmeros seres.”[i]
[i] Abdu’l-Bahá, Esplendor da Verdade página 155, 156

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Imigração de "cérebros"

Quando se fala de imigração na Europa tendemos a considerar pessoas com pouca formação académica que vêem colmatar lugares que os nativos não pretendem preencher. No entanto, há casos em que a realidade é bem diversa.

É exemplo o sector da saúde em diversas partes do mundo. A migração de profissionais de saúde tem um enorme impacto no sector da saúde na África subsariana. Desde 2000, obtiveram vistos de trabalho no Reino Unido quase 16 000 enfermeiras africanas. Apenas 50 dos 600 médicos formados desde a independência da Zâmbia ainda exercem neste país. Estima-se que, actualmente, haja mais médicos do Malawi a exercer na cidade de Manchester, no Nordeste de Inglaterra, do que em todo o Malawi (CMMI, 2005, 24).

Também no Zimbabwe, a fuga de cérebros afectou muito seriamente o sector da saúde. Mais de 80% dos médicos, enfermeiros e terapeutas formados na Faculdade de Medicina da Universidade do Zimbabwe desde a independência, em 1980, foram trabalhar para o estrangeiro, principalmente para o Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos, de acordo com estudos recentes. Por outro lado temos de considerar que os países receptores são necessariamente bons acolhedores de emigrantes.

Ao que me consta também no Reino Unido são exigidas altas classificações para se entrar no curso de Medicina - havendo muitos pretendentes a ficar de fora. Quando faltam os médicos ou enfermeiros já se sabe onde vão buscar.

Mesmo em Portugal temos uma boa Escola no combate a doenças "tropicais", só que não me parece que possamos escoar facilmente profissionais de saúde para os locais onde se fala Português no Continente Africano.

Entretanto as doenças endémicas ou epidémicas vão se alastrando por África.

Países como Moçambique, Uganda ou Gana perdem quase metade da sua base de trabalhadores altamente qualificados para os países da OCDE (Docquier, a.o., 2007).

A migração internacional é um dos grandes desafios do século XXI. Os seus benefícios potenciais são enormes. As consequências de um fracasso seriam igualmente enormes, tanto em termos de sofrimento individual como em termos de nações condenadas ao subdesenvolvimento permanente.