sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Imigração de "cérebros"

Quando se fala de imigração na Europa tendemos a considerar pessoas com pouca formação académica que vêem colmatar lugares que os nativos não pretendem preencher. No entanto, há casos em que a realidade é bem diversa.

É exemplo o sector da saúde em diversas partes do mundo. A migração de profissionais de saúde tem um enorme impacto no sector da saúde na África subsariana. Desde 2000, obtiveram vistos de trabalho no Reino Unido quase 16 000 enfermeiras africanas. Apenas 50 dos 600 médicos formados desde a independência da Zâmbia ainda exercem neste país. Estima-se que, actualmente, haja mais médicos do Malawi a exercer na cidade de Manchester, no Nordeste de Inglaterra, do que em todo o Malawi (CMMI, 2005, 24).

Também no Zimbabwe, a fuga de cérebros afectou muito seriamente o sector da saúde. Mais de 80% dos médicos, enfermeiros e terapeutas formados na Faculdade de Medicina da Universidade do Zimbabwe desde a independência, em 1980, foram trabalhar para o estrangeiro, principalmente para o Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos, de acordo com estudos recentes. Por outro lado temos de considerar que os países receptores são necessariamente bons acolhedores de emigrantes.

Ao que me consta também no Reino Unido são exigidas altas classificações para se entrar no curso de Medicina - havendo muitos pretendentes a ficar de fora. Quando faltam os médicos ou enfermeiros já se sabe onde vão buscar.

Mesmo em Portugal temos uma boa Escola no combate a doenças "tropicais", só que não me parece que possamos escoar facilmente profissionais de saúde para os locais onde se fala Português no Continente Africano.

Entretanto as doenças endémicas ou epidémicas vão se alastrando por África.

Países como Moçambique, Uganda ou Gana perdem quase metade da sua base de trabalhadores altamente qualificados para os países da OCDE (Docquier, a.o., 2007).

A migração internacional é um dos grandes desafios do século XXI. Os seus benefícios potenciais são enormes. As consequências de um fracasso seriam igualmente enormes, tanto em termos de sofrimento individual como em termos de nações condenadas ao subdesenvolvimento permanente.

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