sábado, 5 de dezembro de 2009

A Água nas Religiões

A Água nas Religiões

Nas Religiões, o uso ritual da água segue um ritmo de envolvimento crescente: vai desde a simples aspersão, até a total imersão. Outro ritmo a considerar é o da interioridade, que vai da sensibilidade exterior àquela interior, com a ingestão de águas sagradas ou abençoadas. Gestos culturais desse tipo são notórios.
Para se livrarem do ciclo de reencarnações, os hindus mergulham no Ganges, Yamuna e Godavàri, considerados rios sagrados.

Os judeus purificam-se pela mikvá, banho ritual. Os muçulmanos lavam os pés, os
braços e o rosto antes da oração. Nos templos subterrâneos dedicados a Mithra
havia uma pia para a iniciação. Na Gália céltica centenas de lagoas e fontes eram consideradas miraculosas: beber a sua água assegurava saúde, fertilidade e boa-sorte.
Quando João Baptista voltou do deserto anunciando o tempo messiânico, usou o banho (baptismo) como sinal público de conversão (cf. Mc 1,4-5).
Jesus de Nazaré ordenou este rito quando enviou seus apóstolos a pregarem a boa-notícia do Reino de Deus (cf. Mt 28,19).

No nosso inconsciente a imersão equivale, no plano humano, à morte; e no plano cósmico, à catástrofe (o dilúvio) que dissolve periodicamente o mundo no oceano primordial. Desintegrando toda forma e abolindo toda a história, as águas possuem esta virtude de purificação, regeneração e nascimento; porque aquilo que é mergulhado nela “morre” e, erguendo-se das águas, é semelhante a uma criança sem pecados e sem história, capaz de receber uma nova revelação e de começar uma nova vida “limpa”.
O simbolismo das águas é o produto da intuição do cosmos como unidade e do ser humano como um modo específico de existência, que se realiza através da “história”.
Para os cristãos, o Messias Jesus está no centro da história, tornada por ele mesmo uma história de salvação. Mergulhar nas águas baptismais é mergulhar no mistério de Cristo: a pessoa morrendo para a iniqüidade e ressurge redimida.
É, agora, uma nova criatura (cf. Rm 6,3-5). Esta teologia regenerativa é solenemente proclamada no baptismo.
Rituais que no ponto de vista Bahá'í não se ajustam no tempo contemporâneo, como o do baptismo mas as ablações antes das orações obrigatórias mantém-se.