terça-feira, 17 de novembro de 2009

A nossa água investigada pelo INPE


A escola mais numerosa de planetólogos acredita que a maior parte da água chegou
aqui com asteróides formados além da linha do gelo. O ponto positivo dessa
teoria é que a razão D/H dos asteróides é bem parecida com a da nossa água. O
número de impactos de asteróides com a Terra, porém, precisaria ter sido tão grande
que é improvável.
Outros defendem que os grãos de poeira do disco antes da linha do gelo fundiram-se e originaram a Terra. Uma nova pesquisa lança uma nova teoria para o surgimento do líquido na Terra, unificando modelos diferentes.

Ao assumir que as duas teorias podem estar em parte correctas, Karla Torres conseguiu explicar no seu doutoramento no INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)não só a quantidade de água na Terra (o que outros modelos já explicavam), mas também obteve o que parece a melhor explicação até agora para o valor da razão D/H dos oceanos. O astrónomo Othon Winter, da Unesp de Guaratinguetá, que orientou a tese defendida em 2008, apresentou os resultados na Assembleia Geral da União Astronómica Internacional, que aconteceu entre 3 e 14 de agosto, no Rio de
Janeiro. O trabalho foi submetido à revista Monthly Notices of the Royal Astronomical
Society (MNRAS).

Astrobiologia
Karla Torres especialista em Astrobiologia – disciplina que procura entender a origem da vida na Terra e onde no Universo será possível encontrar
vida extraterrestre. Descobriu um ponto de partida nos trabalhos do astrobiólogo irlando-americano Sean Raymond, da Universidade do Colorado (EUA). Ele investiga como a mecânica celeste produz as condições para que ao redor de uma estrela se formem planetas rochosos com água líquida na superfície – condição para que haja vida
como a conhecemos. Ele simulou em computador a dinâmica dos últimos estágios
da formação de um sistema planetário baseado no que sabemos sobre a origem
do Sistema Solar.

A chave parece estar no último estágio, quando os gigantes gasosos Júpiter e Saturno
já existiam, mais ou menos em suas posições actuais. Naquela época o cinturão de asteróides próximo a Júpiter tinha muito mais corpos do que tem hoje, mais de cem
mil milhões deles. Onde hoje estão Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, vagavam centenas
de embriões planetários, ou protoplanetas, sendo os menores do tamanho da Lua
(um centésimo da Terra) e os maiores, de Marte (um décimo da Terra).
Tanto Raymond quanto Karla estudaram essa última etapa da formação dos planetas
rochosos, criando no computador um modelo simplificado desse cenário. Mas
enquanto ele assumia que apenas os asteróides além da linha do gelo possuem
água, a cientista considerou que os embriões planetários também já a possuíam.