quarta-feira, 14 de maio de 2008

Diferentes perspectivas de diferentes povos sobre a Natureza

Há ainda uma ideia interiorizada no pensamento contemporâneo que consiste no conceito de trabalho ser reduzido à ideia de um emprego remunerado que proporcione ao indivíduo os meios para consumir os meios disponíveis. O sistema é circular: poder de compra e consumo resultam na manutenção e expansão de produção de bens e, em consequência, sustentam o emprego remunerado. A actual perspectiva consumista do mundo ocidental faz das idas as compras uma actividade recreativa. Parece, por vezes, que consideramos os recursos naturais como ilimitados.

A cultura ocidental, tradicionalmente orientada segundo a doutrina cartesiana, considera os seres humanos como sendo separados da Terra e independentes do ecossistema. No entanto, aas religiões ancestrais de povos longínquos, incluindo na Europa, mostravam quase sempre uma grande reverencia para com a Natureza.

Se observarmos atentamente mesmo nas grandes religiões mundiais existe uma grande amor para com a Natureza.

De acordo com a tradição oral islâmica Maomé disse: “o mundo é verde e belo e Deus apontou-vos como seus administradores”.

Em muitas religiões a água tem um significado sagrado. É exemplo o baptismo na tradição cristã.
Segundo o Evangelho, Jesus terá dito: ”Reparai nos corvos: não semeiam, nem colhem; não têm despensa, nem celeiro, e Deus sustenta-os! ... Reparai nos lírios, como crescem! Não trabalham nem fiam...”[i]

Há um provérbio ancestral hindu que diz: “a Terra é a nossa Mãe e todos nós somos seus filhos”. De acordo com as escrituras Siks, “a Terra ensina-nos a paciência e o amor; o ar ensina-nos mobilidade, e liberdade; o Fogo ensina-nos o calor, coragem; o Céu ensina-nos igualdade e tolerância; a Água ensina-nos a pureza e o asseio”.


[i] Bíblia Sagrada página 1078

1 comentário:

SAM disse...

Muito bom texto, companheiro.

Fico feliz em saber que a coisa está a regressar ao activo por cá e espero poder ler mais textos no teu blog.

Um carinhoso abraço.