domingo, 27 de setembro de 2009

Frederico Nietzsche


Nietzsche já desde há muito que é um filósofo fascinante (acreditando nesta generalização) basta ver as diferentes escolas que de alguma forma se consideram suas seguidoras.
Uma delas era aquela pertencente à maior aberração ideológica do século passado, a nazi, marcadamente anti-semita - nomeadamente Rosenberg, filósofo medíocre e pretenso seguidor de Nietzsche.
A verdade é que através da perversão de suas ideias e da cumplicidade activa de sua irmã conseguiram (ou tentaram) suportar este desvio manifesto. O que veio a considerar Frederico Nietzsche como um filósofo maldito por muitos.
No entanto transcrevo um excerto sobre o seu pensamento sobre os judeus em "Para além de bem e mal":
O que deve a Europa aos judeu? - Muitas coisas, boas e más, e sobretudo uma, que é ao mesmo tempo das melhores e das piores: o grande estilo na moral, a terrível majestade de infinitas exigências, de infinitos significados, todo o romantismo e todo o carácter sublime das problemáticas morais - e, por conseguinte, justamente a parte mais atraente, mais capciosa e mais seleccionada daqueles jogos de cor e daquelas seduções e que nos incitam a viver, em cuja cintilância arde hoje ainda o céu da nossa cultura europeia, o seu céu crepuscular - e talvez se apague. Nós os artistas entre os espectadores e filósofos sentimos por isso, para com os judeus - gratidão.

sábado, 5 de setembro de 2009

Energia Nuclear? Ou Central a Carvão

Na pré-história, o Homem apenas tinha disponível a sua energia muscular. Sendo que o
funcionamento do corpo humano necessita de 80W de potência (aproximadamente
1700Kcal/dia) que é usada, por exemplo, na digestão, na respiração, no aquecimento, na circulação sanguínea, na reprodução celular.
No decorrer da evolução da humanidade, uma sequência de descobertas permitiu um aumentosignificativo da energia disponível. Actualmente, o habitante médio de um país da OCDE acrescenta à sua energia cerca de 8 kWh de potência (160 000 Kcal/dia que é equivalente à energia contida em 40 barris – 5500 kg de petróleo bruto por ano).
Assim, no decorrer da história, a energia útil utilizada por cada homem foi aumentada mais de 80 vezes.
Em termos económicos, o desenvolvimento está intimamente ligado ao consumo de energia.
Isto acontece porque o uso de energia permite movimentar factor de produção e explorarrecursos, multiplicando assim várias vezes a riqueza das nações. Por exemplo, considerando toda a energia consumida nos países da OCDE ao preço do barril de petróleo de 80 dólares, esta representa apenas 7,5% do PIB (por cada euro de energia utilizada são produzidos bens e serviços no valor de 13 euros).
Como se exige que o desenvolvimento económico continue, então é inevitável que haja um contínuo aumento do consumo de energia. Este aumento acontecerá por dois efeitos.
Primeiro, apesar de ultimamente ter havido um aumento muito grande do preço da energia e pouco crescimento económico, nos países da OCDE o consumo de energia tem aumentado àtaxa de 0,75% por ano. Segundo, um indivíduo de um país subdesenvolvido consome apenas 1/6 da energia de um indivíduo de um país da OCDE. Sendo que o desenvolvimento se vai espalhando cada vez a mais países, haverá convergência no consumo per capita de energia.
Em particular, em Portugal o consumo energético por habitante é metade da média dos países da OCDE. Acreditando que vamos convergir, se o período de convergência for 30 anos, então haverá em Portugal um aumento do consumo energético per capita à taxa de 3% ao ano.
No entanto, o paradigma energético actual, que se baseia nos combustíveis fósseis, é
impossível de manter para o futuro. Esta impossibilidade não resulta da falta de combustíveis fosseis pois há carvão para queimar durante pelo menos mais 300 anos. Resulta antes de a queima de combustíveis fósseis causar a emissão de dióxido de carbono para a atmosfera que parece ter um efeito muito nefasto no clima da Terra, induz um aquecimentoglobal que pode atingir rapidamente, no prazo de 100 anos, 10º C e uma consequente subida do nível do mar em 70 m. E, aplicando o principio da precaução, não interessará confirmar se estas alterações vão de facto acontecer pois terão consequências catastróficas.
Além do mais, Portugal assinou o protocolo de Quioto que vai impor penalizações à emissão de gazes para a atmosfera.
Há pessoas que propõem que a solução para o problema energético está no poupar. É um
facto que nos países subdesenvolvidos onde reside 3/4 da população mundial, as pessoas vivem consumindo muito pouca energia. Não têm frigorífico, água quente, andam a pé ou de bicicleta, não têm aquecimento nem ar condicionado, moram em casas pequenas, não fazem viagens de avião, as estradas são em terra batida, etc. E se vivêssemos assim, gastávamos uma décima parte da energia que gastamos. Mas, os dados indicam que ninguém quer viver na miséria. Ninguém, podendo, quer abster-se de consumir, viver em conforto, ir passar uns tempos ao Brasil. E tudo o que se consome incorpora energia na sua produção.
Assim sendo, esta solução não é uma boa solução.
Há ainda pessoas que têm fé de que no curto prazo vão ser feitas descobertas científicas que tornarão desnecessário a emissão de dióxido de carbono para a atmosfera -a fusão nuclear a frio.